FAMÍLIA BOLSONARO Deputado questiona irregularidades na cidadania de Flávio
BRASÍLIA - O deputado italiano Angelo Bonelli enviou uma interpelação ao governo da Itália, solicitando uma investigação sobre o processo de reconhecimento da cidadania de Flávio Bolsonaro (PL) no país. Bonelli, que é do partido de esquerda Europa Verde, questiona se o senador e seus irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro, receberam prioridade no processo. A informação é da rádio francesa RFI.
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De acordo com a representante do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni no parlamento, Matilde Siracusano, o primeiro Bolsonaro a solicitar a cidadania na embaixada italiana em Brasília (DF) foi Eduardo, em dezembro de 2020. Já Flávio e Carlos iniciaram o processo pouco menos de um ano depois, em outubro de 2021.
Todos os três foram convocados para apresentar a documentação necessária em 8 de novembro de 2022, e já tiveram as cidadanias reconhecidas 58 dias depois, em 5 de janeiro de 2023. Esse período é bem mais curto do que o normal: no consulado italiano em São Paulo, por exemplo, a fila de espera já chegou a ultrapassar 10 anos.
Os três filhos de Jair Bolsonaro tiveram a cidadania reconhecida por meio do parentesco com um trisavô, que emigrou da Itália ao Brasil no século XIX. Tanto Flávio quanto Eduardo deixaram o país: o primeiro, em meio a investigações sobre possíveis crimes financeiros, e o segundo por coação no curso do processo. Ambos estão nos Estados Unidos (EUA).
Debate no parlamento italiano
Bonelli questionou Siracusano sobre o tempo médio para o reconhecimento da cidadania na embaixada em Brasília, mas não recebeu resposta. Portanto, ele afirmou que levará a denúncia à Justiça italiana.
De acordo com o deputado, a família Bolsonaro é próxima do partido de extrema direita Liga, que faz parte da coalizão de governo de Giorgia Meloni. Ele também indicou que Flávio e Eduardo teriam utilizado os passaportes italianos como forma de fuga do Brasil.
Sobre essa acusação, a representante do governo destacou que não há, no processo de reconhecimento da cidadania, qualquer checagem sobre processos existentes contra os solicitantes.
"O reconhecimento da cidadania italiana jure sanguinis não prevê uma avaliação discricionária por parte da administração: cabe ao responsável pelo processo apenas verificar se o requerente cumpre os requisitos estabelecidos pela legislação vigente", disse.
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