Patinetes elétricos seguem em calçadas após empresa ser descredenciada
Portaria que define o descredenciamento e a paralisação imediata da operação dos patinetes elétricos pela empresa foi publicada na terça-feira, 3
Por Gabriele Félix
Notícia
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Publicado às 16:13, 06/11/2026
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Resumo
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- A Prefeitura de Fortaleza oficializou, em 3 de novembro, o descredenciamento da empresa Jetshr LTDA e determinou a paralisação imediata do serviço de compartilhamento de patinetes elétricos.
- Apesar da determinação, três dias após o descredenciamento, patinetes continuavam estacionados em calçadas e vias de Fortaleza.
- Equipamentos foram encontrados em pontos das avenidas Antônio Sales e Desembargador Moreira, de ruas como João Cordeiro, Barão de Studart e Joaquim Nabuco e da Praça Portugal.
- Moradores e trabalhadores ouvidos pela reportagem demonstraram surpresa com o descredenciamento e avaliaram que os patinetes facilitam os deslocamentos pela Cidade, especialmente para o público jovem.
A presença de patinetes elétricos segue sendo uma realidade nas calçadas de Fortaleza, mesmo após a Prefeitura oficializar o descredenciamento da empresa Jetshr LTDA, que opera o serviço na Capital. A paralisação das atividades de compartilhamento de equipamentos elétricos de mobilidade individual autopropelidos pela empresa foi publicada no Diário Oficial do Município de Fortaleza, na terça-feira, 3.
Na Portaria nº 0194/2026, a AMC destacou a necessidade de formalizar o descredenciamento da empresa, “observadas a motivação administrativa, a legislação aplicável e, quando cabível, as garantias do contraditório e da ampla defesa”.
“O descredenciamento de que trata esta Portaria fundamenta-se no Processo Administrativo n° P405646/2026-AMC, observado o disposto no Decreto no 16.261, de 08 de maio de 2025, e nas demais normas aplicáveis”, informa um trecho do documento.
O texto definia, ainda, que a empresa deveria cessar a operação abrangida pelo credenciamento a partir da data de publicação da portaria, ou seja, 3 de novembro.
O decreto regulamentando o uso e exploração de patinetes elétricos compartilhados na capital cearense foi assinado pela Prefeitura há pouco mais de um ano, no dia 8 de maio de 2025.
O documento restringia o uso dos equipamentos às ciclovias, às ciclofaixas e às “demais vias autorizadas”, sendo “vedado o trânsito em calçadas e rodovias ou vias com velocidade superior a 40km/h”. Apesar disso, a circulação desses equipamentos em áreas consideradas proibidas era comum.
O POVO procurou a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e a Jetshr LTDA para apurar as irregularidades identificadas que levaram ao descredenciamento da empresa e o prazo para a remoção ou desligamento dos equipamentos. Não houve retorno de ambas e a matéria será atualizada, tão logo haja resposta.
Patinetes elétricos seguem estacionados em vias e calçadas de Fortaleza
Três dias após o descredenciamento da empresa Jetshr LTDA, patinetes elétricos seguem estacionados nas vias e calçadas de Fortaleza. Na manhã desta sexta-feira, 6, O POVO registrou a presença desses equipamentos nas avenidas Antônio Sales e Desembargador Moreira; e nas ruas João Cordeiro, Barão de Studart e Joaquim Nabuco; além de pontos de estacionamento na Praça Portugal.
O taxista Robson Ferreira, 40, costuma estacionar o carro em um supermercado na esquina da rua Joaquim Nabuco. Por lá, três patinetes estavam parados sobre a calçada. O profissional explica que, frequentemente, costuma observar pessoas pegando e utilizando patinetes elétricos.
Ao ser informado sobre o descredenciamento dos patinetes, o taxista revelou estar surpreso e reconheceu que, no dia anterior, os três equipamentos não estavam ali. “Ontem estava sem patinete aqui. Então eles provavelmente foram colocados, estavam circulando”, pondera.
Sobre o impacto da paralisação do serviço, o taxista avalia como negativa a decisão da Prefeitura de retirá-los e se disse a favor de que os patinetes possam ser estacionados em qualquer lugar, pois pontua que a flexibilidade facilita a rotina de quem os utiliza. “Acho que é ruim. Para tirar é ruim, né? Tem muita gente dependente, dependente disso aí”, defende.
Na Praça Portugal, a presença desses equipamentos parece mais organizada. Os veículos ficam dispostos lado a lado, em fila, e são facilmente identificados. Morador da região, o técnico de contabilidade, João Batista Pereira, 58, observa com frequência vários pontos de estacionamento dos patinetes elétricos pela Cidade, embora nunca tenha utilizado.
Para ele, esses equipamentos são classificados como facilitadores da mobilidade urbana, destacando que o veículo costuma ser utilizado bastante pelo público jovem, uma vez que conta com limites de segurança e ajuda no deslocamento.
Diferentemente do taxista, João Batista argumenta a favor da criação de pontos fixos para estacionar os patinetes, semelhante ao que acontece com as bicicletas. “Eu acho que seria melhor uma referência, porque facilitaria para as pessoas saberem onde encontrar”, pontua.
O técnico de contabilidade conta que não estava ciente do descredenciamento da empresa responsável por operar os patinetes e avalia que, por se tratar de uma empresa responsável que recolhe impostos e oferece um serviço útil, a Prefeitura deveria viabilizar o funcionamento e não interrompê-lo.
“Eu acho que é uma ação errada, porque é uma coisa que facilita, né? O que facilita é que tem como recolher os impostos, tem como pagar, é uma empresa responsável, então era viabilizar”, defende.
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