Quem é o vice que pode se tornar presidente do Paraguai
Pedro Alliana, de 52 anos, construiu uma carreira de mais de duas décadas no Partido Colorado, principal força política do Paraguai, e chegou à vice-presidência do país em 2023, como companheiro de chapa de Santiago Peña. Agora, está no centro da crise política que abalou o governo e pode assumir o comando do Executivo após o anúncio de renúncia do presidente.
A sucessão, no entanto, ocorre em meio a questionamentos sobre o próprio vice. Alliana foi acusado pela oposição de atuar para proteger o Ueno Bank, instituição financeira envolvida no escândalo que desencadeou a crise. Na quarta-feira (4), 35 deputados oposicionistas apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e Alliana.
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A Câmara dos Deputados rejeitou, por 48 votos a 30, o pedido contra o vice na quinta-feira (5), abrindo caminho para sua eventual chegada à Presidência. A situação institucional, porém, ainda depende dos desdobramentos do processo de renúncia de Peña.
De comerciante a governador e deputado
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sudoeste do Paraguai, Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez começou a vida profissional como comerciante.
Antes de ingressar na política, também teve uma passagem pelo esporte. Na juventude, praticou basquete e chegou a integrar a seleção paraguaia da modalidade em 1991.
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Sua projeção na vida pública começou em 2008, quando foi eleito governador de Ñeembucú. Cinco anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde permaneceu por uma década. Durante o período, presidiu a Casa em diferentes ocasiões.
A influência de Alliana também cresceu dentro do Partido Colorado. Ele comandou a legenda entre 2016 e 2023, período em que consolidou sua posição entre as principais lideranças da sigla conservadora, que tem forte presença na política paraguaia.
Chegada à vice-presidência e projeto para 2028
Em 2023, Alliana integrou a chapa presidencial de Santiago Peña. A dupla venceu as eleições e assumiu o governo em 15 de agosto daquele ano, com mandato previsto até agosto de 2028.
Como vice-presidente, Alliana passou a desempenhar funções de representação institucional e diplomática. Em outubro deste ano, por exemplo, encontrou-se com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.
Antes mesmo da atual crise, o político já projetava disputar a Presidência. Em abril de 2026, confirmou sua pré-candidatura para as eleições de 2028, com apoio de Peña. Na segunda-feira (2), porém, anunciou que suspenderia temporariamente o projeto eleitoral para ajudar o governo a buscar uma saída para a crise financeira envolvendo o Ueno Bank.
Vice também é alvo de acusações no caso Ueno Bank
A possível chegada de Alliana à Presidência ocorre sob o peso das denúncias relacionadas ao Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do Paraguai, que tem cerca de 2,9 milhões de clientes.
Segundo os parlamentares da oposição, o vice-presidente teria atuado para proteger a instituição, respaldado a aplicação de recursos previdenciários no banco e ignorado alertas sobre operações de crédito relacionadas ao caso.
As acusações também atingiram Santiago Peña e contribuíram para o agravamento da crise política. O presidente anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), enquanto deputados discutiam sua destituição.
A Câmara rejeitou o pedido de impeachment contra Alliana, mas a crise ainda tem desdobramentos no Congresso. Nesta sexta-feira (6), o Senado iniciou a tramitação do processo contra Peña, enquanto a formalização da renúncia seguia pendente.
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