PL dos postes deve reduzir custos de pequenos provedores de internet, diz Abrint
Aprovada na Câmara dos Deputados, proposta padroniza tarifas de compartilhamento de infraestrutura entre empresas de energia e telecomunicações
Por Isabella Pascoal
Notícia
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Publicado às 17:29, 06/11/2026
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Resumo
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A Câmara aprovou o PL 3.220/2019, fixando regras para o compartilhamento de postes entre concessionárias e empresas de telecomunicação no País.
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Debatida no Abrint Nordeste em Fortaleza, a proposta visa sanar a assimetria de custos e dar segurança jurídica aos provedores regionais de internet.
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O setor também alertou no evento para a pressão e coação sofridas por empresários por parte de organizações criminosas e facções no Nordeste.
A aprovação do substitutivo do Projeto de Lei (PL) 3.220/2019 pela Câmara dos Deputados, no último dia 4 de novembro, traz a perspectiva de amenizar os gargalos operacionais e reduzir a assimetria de custos para provedores de internet em todo o País, avalia a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
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A proposta estabelece regras formais para o compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia e operadoras de telecomunicações. Além disso, determina que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publiquem uma resolução conjunta com a metodologia de cálculo do valor teto do uso das estruturas em até 30 meses. Em seguida, a Aneel terá 90 dias para fixar a tarifa final.
Segundo o presidente da Abrint, Breno Vale, a ausência de uniformidade e as altas tarifas praticadas pelas concessionárias de energia prejudicam sobretudo os pequenos e médios provedores.
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"O compartilhamento de infraestrutura (postes) era um dos nossos maiores gargalos, mas acreditamos que o PL 3.220 vá destravar esse problema histórico, trazendo segurança jurídica para os provedores e organizando a ocupação nos postes, cujos fios espalhados resultam da falta de fiscalização e de valores absurdamente altos", afirma.
Os provedores regionais já respondem por mais de 64% do mercado nacional de banda larga fixa, patamar que representa um avanço de dois a três pontos percentuais em relação ao ano anterior, apontam dados da Abrint.
Apesar dessa expansão e da oferta de novos serviços, como conteúdos de streaming e acervos digitais, a assimetria na cobrança do aluguel dos postes permanece como o maior entrave financeiro da categoria.
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No Nordeste, as empresas do segmento ainda enfrentam custos elevados para utilização dos equipamentos, além de barreiras burocráticas para regularizar redes e concorrência desleal de preços.
Os impactos da nova legislação e os desafios operacionais do setor foram os principais temas debatidos durante a 5ª edição do Abrint Nordeste, realizada no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, entre os dias 5 e 6 de novembro de 2026.
Pressão de organizações criminosas e avanço de facções
A atuação de organizações criminosas consolida-se como uma grave ameaça à continuidade dos serviços de telecomunicações no Nordeste. De acordo com relatos apresentados no evento em Fortaleza pela advogada especialista em telecomunicações Paloma Silva, facções têm coagido provedores a encerrarem operações em determinadas áreas para impor o domínio sobre a infraestrutura ou favorecer conexões clandestinas.
"Provedores de internet têm sofrido pressões fortes de facções em estados nordestinos, o que tem levado empresários a fechar as portas por medo da violência contra si e suas famílias. É uma situação que exige ação imediata", relata Paloma, que defende a criação de uma força-tarefa integrada entre entidades de classe, governos estaduais, forças policiais e órgãos federais.
Discrepância nas tarifas sobre postes eleva debate sobre insegurança jurídica
A ausência de uniformidade e as altas tarifas praticadas pelas concessionárias de energia prejudicam sobretudo os pequenos e médios provedores, avalia a advogada especialista em telecomunicações Paloma Silva.
Ela pontua que grandes operadoras frequentemente obtêm contratos com tarifas inferiores às pagas pelas empresas de menor porte.
"É a pauta que mais dói no provedor regional. Quando grandes operadoras pagam valores menores pelo poste do que os pequenos e médios provedores, a livre concorrência e o princípio da igualdade são diretamente abalados", avalia.
Além do PL dos Postes, a especialista lembra que o setor aguarda a conclusão da nova resolução conjunta da Aneel e da Anatel para atualizar o valor de referência do aluguel dos pontos de fixação — historicamente balizado em R$ 3,19 por poste, patamar considerado defasado.
A expectativa do mercado era de uma estimativa entre R$ 5 e R$ 6, mas a inclusão da figura do "posteiro" — empresa encarregada de gerir a infraestrutura — reacendeu debates sobre a independência dessa gestão frente ao poder econômico das concessionárias.
"Percebemos que o peso das concessionárias ainda influencia muito as discussões regulatórias. Nem tudo ficará restrito ao texto da lei; muitas normas virão por meio de resoluções. A Abrint e a sociedade civil precisam ampliar a participação nesses debates na Anatel e na Aneel para defender os provedores regionais e assegurar a livre concorrência, que é um princípio constitucional", defende a advogada.
Paloma alerta também que o prazo de seis meses para a regularização das redes previsto na proposta legislativa pode se mostrar insuficiente diante de passivos antigos.
"Tenho clientes que tentam negociar com a concessionária há um ano e não conseguem, enfrentando cobranças retroativas que chegam a R$ 100 mil", completa.
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