A Crítica
06/11/2026 19:31

Esportes Paratletas do Amazonas buscam quebrar recordes escolares em SP

O paradesporto escolar amazonense se prepara para encarar mais um desafio crucial no calendário do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Disposta a romper barreiras e reescrever sua história na maior competição da categoria no país, a delegação do Amazonas embarca no próximo dia 16 de novembro rumo a São Paulo com uma comissão formada por 69 integrantes — entre jovens estudantes paralímpicos, técnicos, staff, equipe médica e chefia de delegação. O objetivo é claro: superar o expressivo retrospecto do ano passado, quando os paratletas da terra conquistaram 44 medalhas na etapa nacional das Paralimpíadas Escolares.

A estrutura do torneio será dividida em dois momentos decisivos. A primeira fase ocorre de 18 a 20 de novembro, no tradicional Estádio Olímpico do Ibirapuera, concentrando as disputas de Atletismo com 45 componentes da equipe. Já entre os dias 25 e 27 de novembro, a movimentação migra para o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, onde os pratas da casa competirão no badminton, bocha, natação, tênis de mesa, halterofilismo, judô e na inédita participação amazonense no tiro com arco.

O chefe da delegação e coordenador do Núcleo de Desporto Escolar da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), Joniferson Vieira, ressalta que a relevância do torneio vai além da disputa de pódios, funcionando como uma verdadeira vitrine para a descoberta e o polimento de novos talentos barés.

Para esta edição, o grande sarrafo a ser ultrapassado é superar os recordes obtidos na etapa nacional de 2025, que somou oito marcas batidas apenas na pista e no campo.

O chefe da delegação amazonense, Joniferson Vieira, acompanha os talentos barés nas Paralimpíadas Escolare desde 2018. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA)
“O atletismo é a nossa grande esperança de medalhas. Temos dois atletas líderes no ranking de suas idades, que são a Cleonor (Camarão) e o Jhonatan (Gabriel). Provavelmente vão disputar o título com perspectiva real de recordes.” Joniferson Vieira

Além das duas promessas, o pelotão de frente do estado conta com nomes de peso que defendem marcas históricas e tentam superar seus próprios limites: Ismael Martins Tavares (detentor do recorde escolar nos 100m e 400m); Efraim Costa da Silva (recordista nos 800m e 150m); Raiane Vitória Rabelo (recordista nos 800m); Débora Vitória (atual recordista nos 200m); e Abraão Almeida Moura, que entra na pista para defender o topo na prova dos 800m.

Tarimbado do atletismo amazonense, Efraim Costa batreu dois recordes escolares ano passado. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA)

A delegação combina essa nova safra com a maturidade de paratletas tarimbados como Manassés Cruz, Ludmarlon Rocha e Aldemir Tavares, que servem de bússola para os estreantes Matheus Henrique e Túlio Gonzaga.

União de forças e a construção de uma família paralímpica

A consolidação do Amazonas no cenário nacional é fruto de uma engrenagem que integra escolas, universidades e agremiações. Segundo Joniferson Vieira, o crescimento técnico reflete o trabalho em rede realizado entre a Associação Amazonas Paralímpico (AAP), a Associação Paralímpica do Norte (Apam), a Associação Master de Atletismo, o Centro de Referência Paralímpico (CRP) na pista da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o trabalho desenvolvido na Vila Olímpica pelos professores Sérgio Nazareno e Thaís Chaves, e o técnico Joaquim Filho.

“Ano passado nós tivemos uma boa participação e perspectiva de medalhas no judô, badminton, bocha, natação e tênis de mesa. Agora temos a estreia do Amazonas no tiro com arco, além do halterofilismo que já tem uma estrada consolidada. O atletismo é a nossa base profissional. A nossa ideia à frente da chefia de delegação foi exatamente essa: ser o elo agregador, unindo praticantes, clubes e associações. Conseguimos construir uma seleção bem unida; apesar de cada paratleta defender seu clube, formamos hoje uma verdadeira família paralímpica escolar.”Joniferson Vieira

O gestor pondera que, embora a ausência de modalidades coletivas impacte a pontuação geral do estado — mantendo o Amazonas tradicionalmente entre a 10ª e a 15ª posição —, a força individual do atletismo credencia a equipe a almejar um lugar no Top 10 por modalidade este ano. Joniferson faz questão de destacar também a inclusão de paratletas do interior e os desafios logísticos superados.

Ismael Martins Tavares foi um dos grandes destaques em 2025, com dos recordes batidos. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA)

“Sabemos de toda a dificuldade de transporte e locomoção. Sair do Amazonas já é complexo e oneroso, pois dependemos essencialmente do transporte aéreo para grandes competições. Muitos paratletas precisam recorrer a vaquinhas em outros momentos, mas, para as Paralimpíadas Escolares, a Seduc tem prestado um suporte fundamental ao longo do tempo. Esperamos representar o Amazonas à altura de sua história”, pontuou o coordenador.

Abraão de Almeida Moura brilhou em SP ano passado, quebrando o recorde escolar nos 800m, classe T20, Sub-18, além de conquistar o ouro nos 1500m e a prata nos 400m. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA)

Duas décadas de legado

A trajetória do Amazonas na competição confunde-se com a história de dedicação do professor e técnico Joaquim Filho. Pioneiro na modalidade, ele relembra os primeiros passos dessa jornada que completa quase duas décadas de continuidade ininterrupta.

“Em 2006 foi o início dos Jogos Escolares Paralímpicos, lá em Fortaleza. Em 2007, conseguimos levar as duas primeiras modalidades, natação e atletismo, para Brasília. De lá para cá, graças a Deus, nunca deixamos de participar de nenhuma edição. São praticamente 20 anos de Paralimpíada Escolar. Já fomos campeões em várias modalidades e hoje estamos levando sete modalidades com chances reais de medalha. Louvo a Deus por estar vivo nesses 20 anos para contar essa história e ver o crescimento do desporto adaptado no nosso estado.”Joaquim Filho

Joaquim reforça ainda que o salto de patamar do paradesporto amazonense passa pela divisão de forças na gestão e no suporte técnico, citando a chegada de parceiros e a atuação de Joniferson na coordenação como divisores de águas no processo de expansão.

“O trabalho cresceu muito de 2018 para cá. A chegada do Joniferson somou demais, porque é diferente você ser apenas o professor de educação física ou o técnico querendo abraçar tudo sozinho. Ninguém consegue nada só. Você precisa de pessoas que venham para somar, ajudar e multiplicar. Ele chegou realmente para multiplicar e nos possibilitou trazer novas modalidades para as Paralimpíadas Escolares. O Amazonas fará, com certeza, uma representação memorável em São Paulo”, finalizou Joaquim Filho.

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: A Crítica.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

Polícia Hotel onde mulher morreu ao cair do 7º andar é multado no Maranhão
A Crítica
Início Polícia Polícia Fiscalização do Corpo de Bombeiros em São Luís apontou falta de certificado de aprovaç…
Educação Enem: candidato pode saber local de prova por telefone
A Crítica
Os 5,05 milhões de candidatos confirmados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 têm à disposição um c…
Educação Enem: descanso deve ser prioridade nas horas que antecedem a prova
A Crítica
Com a aproximação do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (8), é natural que …
Política Sem posição do Senado, regras sobre Flávio seguem indefinidas
A Crítica
Há dez dias, o Senado Federal mantém silêncio diante dos questionamentos sobre a situação regimental e funcio…
Política Fachin homologa delação de investigado no caso Master
A Crítica
Início Política Política João Carlos Mansur é fundador e ex-presidente da Reag Investimentos Publicado em 06/…
Política Lula defende ajuste fiscal na economia para atrair investimentos
A Crítica
Início Política Política Presidente busca equilibrio nas contas públicas e previsibilidade para investidores …