O Tempo
06/11/2026 20:00

Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude na eleição

Brasília - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu não ter provas de fraude nas eleições presidenciais, mas voltou a questionar o resultado que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (6/11), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que não há explicação para o crescimento da votação de Lula no segundo turno e disse que o assunto é proibido de ser investigado no país.

Saiba mais: Flávio Bolsonaro diz ao 'The New York Times' que fugiu sem ajuda e que levará a rota 'para o túmulo'

"Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto", afirmou. Apesar da falta de evidências, Flávio sustentou que houve manipulação do resultado e disse que nem ele nem Lula podem afirmar com 100% de certeza quem venceu a eleição. A reportagem da Folha, porém, lembra que os dois candidatos ampliaram suas votações no segundo turno: Lula recebeu 10,3 milhões de votos a mais, enquanto Flávio ganhou 3,7 milhões.

O senador afirmou que o Partido Liberal (PL) pretende pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder econômico. A argumentação deve se concentrar em medidas anunciadas ou adotadas pelo governo durante a campanha, como benefícios sociais e programas de transferência de renda. Assim, embora insista em suspeitas de fraude na votação, Flávio admite que a estratégia jurídica será outra.

Na entrevista, concedida em Miami, nos Estados Unidos, o senador retomou o discurso de contestação às instituições e afirmou que o Brasil não vive uma democracia plena. Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estariam aparelhados pelo governo. Flávio justificou sua saída do país como uma forma de não se submeter ao que chamou de "processo ditatorial comandado pelo ministro Alexandre de Moraes".

A crítica ao TSE também ignora que, na data da entrevista, o tribunal era presidido por Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao STF. O vice-presidente era André Mendonça, também escolhido pelo ex-presidente.

Flávio se recusou a explicar como organizou a viagem, quem o ajudou e quem financiou sua saída do Brasil. Questionado sobre uma reportagem que apontou a participação de um ex-agente do Mossad, serviço de inteligência israelense, respondeu apenas que a operação não teve relação com o governo de Israel. Disse que ainda não decidiu onde vai morar nos Estados Unidos e que pretende regularizar sua situação migratória. Afirmou que se mantém com reservas financeiras e que sua principal fonte de renda é a advocacia.

O senador também criticou a decisão do pai de voltar ao Brasil em 2023, após passar três meses nos Estados Unidos. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado e está preso. "Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro", afirmou Flávio, ao justificar por que não pretende retornar ao país nas atuais circunstâncias.

Versões sobre Lula e o STF

Ao comparar sua situação com a do presidente, Flávio afirmou que Lula havia sido condenado em primeira e segunda instâncias, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo STF. A afirmação é falsa: Lula não foi condenado pelo Supremo. As condenações impostas pela Justiça Federal no Paraná foram anuladas pelo STF em 2021, por questões de competência e parcialidade do então juiz Sergio Moro.

O senador também defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes, citando, entre outros motivos, as relações da mulher do ministro com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Questionado sobre Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai ao Supremo e também mencionado em questionamentos relacionados ao banco, Flávio disse que apoiaria o impeachment de qualquer ministro que descumprisse a lei. Afirmou, porém, não ter opinião sobre o caso porque não havia pedido a considerar, embora a própria reportagem registre a existência de pedidos de impeachment contra Kassio.

Disputa de 2030

Flávio também falou sobre a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República. Questionado sobre a intenção do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de concorrer ao Planalto em 2030, afirmou que também pretende se colocar como candidato, desde que tenha o aval do PL.

"Em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar", disse. Na mesma resposta, porém, afirmou não saber se haverá eleição naquele ano, em razão do que chamou de projeto comunista do governo Lula. Caso Jair Bolsonaro recupere os direitos políticos, o senador disse que o pai será seu candidato.

Flávio afirmou ainda que conversou com Tarcísio após as eleições e comunicou ao governador que pretende concorrer caso haja uma nova disputa presidencial. Disse não concordar com o reconhecimento da vitória de Lula feito pelo aliado, mas afirmou que os dois mantêm contato.

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