APURAÇÕES Governo suspende registros de imóveis de Willer Tomaz
BRASÍLIA - A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) suspendeu o registro de quatro imóveis pertencentes a uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado pelos escândalos do INSS e amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Todos os bens estão localizados na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
A decisão do órgão, ligado ao Ministério da Gestão Pública e Inovação, abrange também o terreno disputado entre Tomaz e o jogador de futebol Richarlison, do Tottenham. Segundo a SPU, a medida é temporária, e foi tomada para "restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas".
A suspensão atendeu a uma representação administrativa da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A Secretaria ressalta que ela também decorre de anotações e alterações que constam nas próprias matrículas dos imóveis em cartório, após decisão judicial.
As quatro propriedades estavam registradas em nome da empresa Wt Administração de Imóveis e Bens, de Tomaz. A SPU investiga diversas irregularidades no processo administrativo que permitiu que o advogado ocupasse os terrenos, que ficam à beira da praia, e portanto, pertencem à União.
Relação com Richarlison
Um dos terrenos que teve o registro suspenso foi aquele disputado entre Richarlison e Willer Tomaz. O jogador diz ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre a mansão na Ilha Comprida, em parceria com Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu antigo empresário.
Apesar disso, ele nunca morou no local: Richarlison acusa Willer e Flávio Bolsonaro de terem participado de manobras para obter a posse do imóvel. “Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na justiça”, disse o jogador em vídeo divulgado em outubro.
Willer e Flávio são investigados por suposta lavagem de dinheiro – Willer é suspeito de lavar mais de US$ 1 bilhão por meio de esquema com bets e também tem o nome envolvido no escândalo do INSS, além de ter sido alvo em outra operação da Polícia Federal (PF).
Foi no bojo da investigação sobre a relação de Willer e Flávio que a PF pediu – e foi atendida – a apreensão dos passaportes do filho do parlamentar. Ao contrário do prometido, ele não entregou os documentos e fugiu para os Estados Unidos com a família.
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