Com desabamento de cortiço em BH, sobe para 99 número de desabrigados em MG no período chuvoso Antes da ocorrência desta sexta, estado já contabilizava 67 pessoas desabrigadas
O desabamento de um cortiço no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte, que deixou 32 pessoas afastados ou sem moradia nesta sexta-feira (6/11), elevou para 99 o número de desabrigados em Minas Gerais desde o início do período chuvoso, no mês passado. O recorte considera pessoas que não puderam permanecer em suas casas e precisaram de uma estrutura pública de acolhimento temporário.
Até quinta-feira (5/11), a Defesa Civil Estadual contabilizava 67 pessoas nessa situação, em nove municípios mineiros: Águas Formosas, Alvinópolis, Barra Longa, Coronel Fabriciano, Dom Silvério, Nova Porteirinha, Pavão, Teófilo Otoni e Visconde do Rio Branco. Segundo o boletim diário do órgão, todos os casos que resultaram em desabrigados envolveram vendavais, granizo ou chuvas intensas.
O cálculo de desabrigados considera pessoas que não puderam permanecer em suas casas e precisaram de uma estrutura pública de acolhimento, ainda que temporariamente. A Defesa Civil diferencia esse grupo dos desalojados, que também deixam suas residências, mas conseguem encontrar outro local para ficar, como a casa de parentes ou amigos.
Em Minas, o período chuvoso começou em 1º de outubro deste ano e vai até 31 de março de 2027.
Três mil famílias em alerta máximo
Com a chegada dos meses de maior concentração de precipitações, a preocupação das autoridades não se limita aos estragos provocados durante os temporais. Segundo o diretor de articulação institucional da Defesa Civil de Belo Horizonte, Roger Victor, o risco geológico não depende apenas da intensidade da chuva em determinado momento, mas também do volume acumulado nos dias anteriores.
“Mesmo após a interrupção das chuvas, o solo pode permanecer saturado, mantendo condições favoráveis à ocorrência de deslizamentos. Por isso, orientamos a população, especialmente os moradores de áreas com histórico de instabilidade, a observar atentamente qualquer alteração nas condições dos imóveis e terrenos”, alerta.
O cenário exige atenção principalmente de quem vive próximo a encostas. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estima que pelo menos 3,6 mil pessoas moram em situação de risco geológico alto ou muito alto na cidade. O número foi apresentado pela Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) durante audiência pública na Câmara Municipal em agosto.
A doméstica Cleide Lúcia Amaral, de 58 anos, é uma dessas pessoas. Ela mora com dois netos perto de um barranco no bairro Jardim Alvorada, na região da Pampulha, e diz que as noites de chuva e ventania são um “terror” para a família. “De madrugada, qualquer barulho já acorda a gente”, relata. “O sentimento é de apreensão constante”.
Entretanto, mesmo aqueles que não moram em áreas de risco devem se atentar durante o período chuvoso. Roger aponta sinais que devem ser observados por toda a população: trincas nas paredes, rachaduras no solo, portas e janelas que começam a emperrar, muros estufados, inclinação de árvores e postes, água surgindo na base de barrancos e estalos nas estruturas.
“Não é necessário esperar que ocorra um deslizamento ou desabamento para buscar ajuda. A identificação antecipada dos sinais de risco e a saída preventiva de um imóvel podem salvar vidas. Nossa orientação é clara: ao identificar qualquer um desses sinais, o morador deve sair imediatamente do imóvel”, alerta o diretor da Defesa Civil.
Ao perceber algum desses indícios, a recomendação é procurar um local seguro e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser chamado pelo 193.
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Desabamento de madrugada
O desabamento parcial do cortiço em Belo Horizonte mobilizou equipes de emergência entre a madrugada e a manhã desta sexta-feira. A construção, formada por barracões interligados e distribuídos pelos três andares da edificação, funcionava como um complexo de moradias.
A Defesa Civil vistoriou 13 imóveis nesse complexo. Dois foram totalmente isolados porque sofreram colapso estrutural com o desabamento. Outros 11 acabaram interditados preventivamente devido ao risco de novos colapsos.
Os moradores foram encaminhados à Hospedagem Social BH Além Paraíba, no bairro Bonfim. As 32 pessoas pertencem a aproximadamente 13 grupos familiares. Não houve registro de vítimas.
A queda também espalhou materiais pela calçada e pela rua, levando à interdição preventiva de trechos das ruas Benjamin Fraga e Angelina de Matos, devido ao risco de queda de fragmentos de escombros sobre pedestres e veículos.
O proprietário do imóvel foi notificado e orientado sobre os riscos identificados e a necessidade de adotar medidas de segurança e recuperação da área. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o cortiço já havia sido alvo de ao menos 19 ações de fiscalização, com emissão de 12 notificações por irregularidades e aplicação de sete multas, que totalizam cerca de R$ 65 mil.
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