MAR EM FÚRIAVentos fortes e tempestades: veja o que ameaça embarcações na Baía do Marajó
Os episódios recentes de embarcações enfrentando dificuldades na Baía do Marajó acenderam um alerta para as condições de navegação na região. Em um intervalo de aproximadamente 15 dias, duas balsas que faziam o trajeto entre Belém e Breves afundaram, levantando preocupações sobre a segurança do transporte fluvial no período.
O fenômeno não estaria relacionado apenas às condições específicas de cada embarcação. Segundo o meteorologista José Raimundo Abreu, a região atravessa uma época do ano em que fatores atmosféricos favorecem o aumento da velocidade dos ventos, a formação de tempestades e a agitação das águas, principalmente durante as tardes e noites.
A explicação está relacionada ao aquecimento desigual entre o continente e o oceano. A partir de setembro, quando o Sol cruza a linha do Equador, a incidência de radiação solar contribui para o aquecimento da superfície terrestre. Entretanto, esse processo não acontece de maneira uniforme.
O solo e o asfalto das grandes cidades, por exemplo, aquecem mais rapidamente do que a água do oceano. Já o mar recebe e distribui o calor de maneira mais lenta, fazendo com que a temperatura da superfície e das camadas mais profundas apresente diferenças.
“Há uma diferença de pressão entre o continente e o oceano. A terra aquece mais rápido, o ar quente sobe, enquanto o ar sobre o oceano permanece relativamente mais frio. Isso favorece o deslocamento horizontal do vento”, explica o meteorologista.
Por que os ventos ficam mais fortes na Baía do Marajó?
A configuração geográfica da região também contribui para a intensificação dos ventos. A Baía do Marajó possui uma grande extensão horizontal e está próxima do oceano Atlântico, a aproximadamente 100 a 130 quilômetros em linha reta, conforme a explicação do meteorologista.
Essa proximidade favorece a entrada de ventos oceânicos em direção ao continente. O movimento pode ganhar intensidade ao longo da tarde, justamente quando o aquecimento da superfície terrestre é mais acentuado.
De acordo com José Raimundo Abreu, medições realizadas na região costeira já registraram velocidades de aproximadamente 30 km/h. Em áreas mais abertas e ao longo da baía, a intensidade pode ser maior, dependendo das condições atmosféricas.
Para quem utiliza pequenas embarcações, balsas e outros meios de transporte fluvial, o cenário exige atenção. A velocidade dos ventos influencia diretamente o movimento das águas, favorecendo a formação de ondas e aumentando a instabilidade durante a navegação.
Novembro pode ter tempestades severas e até trombas d’água
Além dos ventos mais intensos, o período também apresenta condições favoráveis à formação de nuvens carregadas e tempestades.
O processo acontece quando o ar quente sobe e encontra camadas mais frias da atmosfera. Com a presença de umidade, ocorre a formação de nuvens que podem provocar chuvas intensas, rajadas de vento e descargas elétricas.
Segundo o meteorologista, esse cenário pode favorecer a ocorrência de tempestades severas ao longo de novembro. Entre os fenômenos possíveis estão pequenos tornados e trombas d’água, que são colunas de ar em rotação sobre a superfície da água.
Esses eventos não significam que haverá necessariamente a ocorrência de tornados ou trombas d’água na Baía do Marajó, mas representam riscos meteorológicos que merecem atenção durante o período.
Tardes e noites exigem atenção redobrada na navegação
A recomendação do meteorologista é que os navegantes tenham atenção especial ao atravessar a Baía do Marajó durante a tarde, quando o aquecimento do continente favorece o aumento da velocidade dos ventos e, consequentemente, a movimentação das ondas.
A combinação de rajadas mais intensas, águas agitadas e possíveis tempestades pode dificultar o controle de embarcações, sobretudo as de menor porte.
O alerta ganha importância diante dos episódios recentes registrados na região, incluindo o afundamento da F/B Taveira Neto, na noite de quinta-feira (5), durante uma viagem entre Belém e Breves. A empresa responsável confirmou o resgate de todos os ocupantes.
Em 21 de outubro, outra balsa, a São Domingos, também afundou nas proximidades de Vila do Conde, em Barcarena, durante uma viagem pela mesma rota.
Embora as condições meteorológicas possam representar um fator de risco para a navegação, ainda não há confirmação de que os ventos ou as ondas tenham provocado os dois acidentes. As causas precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pelas investigações.
Colaborou Emily Beckman
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