Assassinato de médica no Acre pode ter contado com mais participantes, diz delegado

A Polícia Civil investiga a participação de outras pessoas no assassinato da médica Elyse de Assis Nogueira, de 39 anos, morta na noite de segunda-feira (2) em um restaurante no centro de Brasiléia. A informação foi divulgada pelo delegado Alex Danny em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (6).
Segundo o delegado, as investigações indicam que o planejamento do crime envolveu cerca de R$ 40 mil. O valor é superior aos R$ 10 mil que o executor teria recebido, o que levou a polícia a suspeitar que outras pessoas atuaram na organização e na execução do homicídio.
Entre os investigados está o procurador municipal Francisco Valadares Neto. De acordo com Alex Danny, os elementos reunidos até o momento apontam para uma possível participação dele como mandante do assassinato. O delegado afirmou ter elevado grau de convicção sobre essa linha de investigação, mas ressaltou que as apurações ainda precisam avançar para esclarecer o papel de cada envolvido.
O principal suspeito de ter efetuado os disparos é Lucivaldo Lopes de Souza, conhecido como “Pitaca”. Conforme o delegado, ele confessou a autoria dos tiros e relatou ter recebido aproximadamente R$ 10 mil para executar a médica. Com base nisso, Alex Danny avaliou que cerca de 75% do caso está esclarecido e que ainda restam diligências importantes para a conclusão do inquérito.
Lucivaldo foi preso na noite de quinta-feira (5), em uma operação da Polícia Civil na zona rural de Epitaciolândia. A equipe utilizou um drone com câmeras de visão noturna e sensor térmico nas buscas pela região. A identificação do suspeito foi possível após a análise de imagens de câmeras de segurança instaladas em diferentes pontos da cidade, e a Justiça expediu o mandado de prisão.
A médica foi atingida pelas costas em um estabelecimento comercial próximo ao 5º Batalhão da Polícia Militar. Após o crime, equipes da PM e investigadores da Polícia Civil, sob o comando de Alex Danny, iniciaram as buscas. De acordo com informações policiais, o suspeito foi perseguido na parte alta de Brasiléia e disparou contra uma viatura da Polícia Militar antes de fugir durante a noite.
Na coletiva, o delegado também informou que Lucivaldo declarou à polícia ter sido expulso de uma organização criminosa por não aceitar a prática de crimes de pistolagem. A informação será analisada em conjunto com os demais elementos da investigação.
Alex Danny explicou ainda as circunstâncias em que Francisco Valadares Neto foi encontrado desacordado em casa após o assassinato. Segundo o delegado, os policiais foram ao local para verificar a situação do advogado e do equipamento de monitoramento eletrônico, que não registrava movimentação.
No imóvel, ele estava sobre um notebook, próximo a materiais relacionados à cobertura jornalística do crime, a cartelas de medicamentos e a um pó branco cuja natureza não foi confirmada. Ele foi socorrido e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco.
Enquanto a coletiva era realizada, Lucivaldo passava por exame de corpo de delito. A prisão preventiva foi mantida, e ele deve ser transferido para Rio Branco nas próximas horas.
A Polícia Civil segue o trabalho para identificar todos os envolvidos, esclarecer a motivação do crime e reunir provas sobre a participação de outras pessoas. As informações sobre o suposto pagamento, os possíveis mandantes e a motivação são atribuídas à investigação e às declarações do delegado. A responsabilidade criminal dos investigados dependerá da conclusão do inquérito e das decisões judiciais.
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