Poder360 — Geral
07/11/2026 06:24

Como prevenir e comunicar emergências em ambientes escolares

“O Plano de Emergência foi acionado”. Nos últimos anos, ler ou ouvir essa frase ficou cada vez mais comum para professores, funcionários da escola, pais, responsáveis e até mesmo alunos de todas as idades.

Desde a tempestade que atingiu Valência, Espanha, em 2024, a ciência tem trabalhado para definir como agir e o que fazer nessas situações de alto risco. Os centros educacionais, por estarem entre os mais afetados por causa do número e da diversidade de pessoas envolvidas, devem estar no centro das atenções da mídia, da administração e da ciência.

É nesse sentido que em 2025 foi realizado um estudo sobre a Dana (Depressão Isolada em Níveis Altos) de Valência de 2024, um fenômeno meteorológico extremo típico da Espanha marcado por tempestades com chuvas intensas em um curto período de tempo e uma queda brusca das temperaturas. 

O estudo mostra a necessidade de conectar conhecimento científico, alertas e capacitação do público. Isso exige a conversão de informações sobre o perigo em decisões compreensíveis, sem confundir um alerta com uma ordem de evacuação.

CAPACITAÇÃO NA COMUNIDADE LOCAL

O quadro internacional de segurança escolar GADRRRES (2022) combina instalações seguras, gestão de emergências e educação preventiva. Essa perspectiva exige treinamento inicial e contínuo na interpretação de alertas, evacuação e confinamento, primeiros socorros, apoio emocional e comunicação acessível, mas também os recursos para implementá-la. 

Nesse contexto, o corpo docente, a direção, os demais funcionários devem saber quem toma as decisões, quem verifica a presença dos alunos e quem informa as famílias.

O conhecimento da área local (o entorno dos alunos) também é importante. É por isso que outro estudo publicado em 2026 propõe trabalhar a percepção espacial, o que permite associar o risco a locais familiares. 

AÇÕES

As ações devem estar alinhadas com o plano central de emergências e com as instruções dos serviços competentes. 

Durante um terremoto, dentro de casa, você deve se proteger debaixo de uma mesa resistente, cobrir a cabeça e ficar longe de vidros, sem correr para fora enquanto o tremor ainda estiver ocorrendo. Depois, a evacuação deve ser realizada de acordo com o plano e com quaisquer instruções recebidas.

Em caso de enchente, por outro lado, uma evacuação preventiva só é adequada se as condições climáticas e as rotas forem seguras. Se a área externa já estiver alagada, deve-se evitar atravessar a água e procurar abrigo em áreas elevadas designadas, desde que o prédio esteja seguro. 

Em caso de pandemia, as medidas dependem do tipo de infecção e da avaliação de saúde. Por exemplo, se a transmissão for respiratória, a ventilação dos ambientes faz parte da prevenção.

E no caso de um possível surto de intoxicação alimentar em massa, deve-se:

  • prestar atendimento às pessoas afetadas;
  • entrar em contato com os serviços de saúde e de saúde pública;
  • registrar os sintomas e os horários de início deles;
  • informar as famílias sem atribuir uma causa que ainda não tenha sido confirmada.

Ocorrências graves exigem ligar para o os números de emergência.

EXPLIQUE CONFORME A IDADE

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) explica que o estresse pode dificultar a concentração e a memória. Durante uma emergência, é melhor dar instruções breves, específicas e ordenadas, já que explicações longas devem ser reservadas para a preparação ou para o pós-emergência.

O Unicef, por sua vez, recomenda informações verdadeiras e adequadas à idade, além de ouvir as preocupações dos alunos.

Na 1ª infância, isso pode se traduzir em um sinal a cada vez, acompanhado de gestos: “Venha comigo; vamos com o grupo”. No ensino fundamental, pode-se acrescentar uma razão simples, como “vamos ficar aqui porque está molhado lá fora”. 

Nos ensinos médio e de formação profissional, o motivo das decisões deve ser explicado e os alunos devem ser ensinados a verificar quem é o remetente e a data de quaisquer avisos. Já no ensino superior e na formação de adultos, a clareza continua sendo essencial, sem infantilizar nem presumir que o protocolo já seja conhecido.

A idade, porém, não é o único critério. Pictogramas, mensagens escritas e faladas, traduções e apoio pessoal são necessários de acordo com as necessidades individuais. Durante a preparação, a compreensão pode ser verificada perguntando “mostre-me o que você faria”, em vez de simplesmente se contentar com “você entendeu?”. 

Quando alguém está com medo, dizer “eu entendo que você está com medo; estou aqui com você” oferece companhia e apoio sem prometer que nada vai acontecer.

PANDEMIA

Autores observaram perdas de aprendizagem durante o fechamento das escolas na Holanda na pandemia de covid-19, maiores em famílias com níveis educacionais mais baixos.

A lição para o planejamento é que a continuidade não pode se resumir ao envio de atividades digitais. Os planos de emergência devem prever contato com as famílias, alternativas presenciais e apoio, mesmo quando uma enchente impede a frequência à escola.

A comunicação também deve gerenciar mudanças no cenário, sinalizando o que se sabe, o que permanece incerto e por que uma medida está sendo alterada. Assim, reconhecer os limites do conhecimento evita que se ofereçam garantias que o governo ou a escola não possam cumprir.

GESTÃO DE CRISES

As áreas de Educação, Saúde Pública, Defesa Civil e as prefeituras precisam de mensagens coordenadas, não circulares e contraditórias. 

Cada alerta deve identificar o remetente, a data e a hora, os centros afetados, a ação necessária, um contato para incidentes e a próxima atualização, diferenciando as instruções para diretores das escolas daquelas destinadas às famílias. Da mesma forma, os alertas devem abranger as áreas afetadas, independentemente dos limites municipais.

Um exemplo hipotético para uma escola com um abrigo interno seguro seria: “Organização, data, 11h, nome da escola: as vias de acesso estão alagadas. Mantenham os alunos nas áreas seguras previstas no plano. Não autorize saídas pelos pontos de acesso alagados. Informe às famílias para que não se desloquem até a escola. Atualizaremos as instruções ao meio-dia pelo canal (nome do canal). Incidentes: (telefone)”.

A mesma versão deve ser enviada por meio de vários canais, com alternativas caso a conexão falhe. A direção deve confirmar o recebimento e relatar quaisquer impedimentos ao cumprimento das instruções. Também é necessário explicar como será realizado o reencontro seguro com as famílias e, em seguida, analisar quaisquer incidentes e necessidades emocionais.


Este texto foi publicado originalmente pelo The Conversation, em 27 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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