EXPERIÊNCIA GOL ✈ Do encontro das águas à experiência de selva: o que conhecer em uma viagem pelo Amazonas De passeios pelos rios e atrações históricas de Manaus a cachoeiras e experiências em meio à floresta, roteiro apresenta diferentes possibilidades para quem visita o estado
O Amazonas reúne atrações que permitem conhecer diferentes aspectos da região em uma mesma viagem. De fenômenos naturais, como o Encontro das Águas, e construções históricas de Manaus a cachoeiras, cavernas e experiências em meio à floresta, o estado oferece opções que vão além dos passeios tradicionais pela capital.
Esses atrativos fizeram parte de uma viagem de experiência turística promovida pela GOL em parceria com a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur).O roteiro percorreu diferentes destinos amazonenses, incluindo Presidente Figueiredo, Manaus e a região do lago Mamori, no município de Careiro, com atividades ligadas à natureza, à história e ao cotidiano das comunidades ribeirinhas.
Presidente Figueiredo: cavernas, cachoeiras e histórias da floresta
Conhecido como a Terra das Cachoeiras, o município de Presidente Figueiredo foi uma das paradas do roteiro. A programação incluiu visitas à Caverna do Maroaga e à Gruta da Judeia, em um percurso acompanhado por guias da Associação Águias, formada por moradores que trabalham com condução turística na região.
Durante a caminhada, o guia de selva Lucivaldo Batista explicou características geológicas da caverna, cuja formação está relacionada a processos naturais que ocorrem há milhões de anos. Ele chamou a atenção para a transformação das rochas pela erosão e para as mudanças que continuam acontecendo no ambiente.
“Imaginem rochas compactadas e depois erodidas. Isso foi o que aconteceu aqui há milhões de anos e, durante o tempo que nós estamos aqui, está acontecendo ainda. Sendo que tudo é progressivo. Nós vivemos menos de 100 anos e nada se nota”, explicou.
Lucivaldo também destacou a presença de diferentes espécies de morcegos no interior da caverna e explicou as características do solo. Segundo ele, enquanto a parte inicial do percurso apresenta solo de barro, em trechos mais profundos é possível encontrar areia. “Basicamente, nada se acaba, tudo se transforma”, resumiu o guia ao falar sobre os processos naturais que modificam a paisagem ao longo do tempo.
A visita também apresenta a história do turismo comunitário na região. Lucivaldo contou que o trabalho começou com moradores que acompanhavam visitantes e compartilhavam conhecimentos sobre a floresta. Com o passar do tempo, esse hábito deu origem à Associação de Guias de Selva Águias, que atualmente possui concessão para prestar serviços de condução turística na área.
“A pessoa queria fazer estudos e pegava alguém da comunidade. Isso virou tradição. Essa tradição virou uma associação um dia. E essa associação hoje tem uma concessão do meio ambiente. Vocês nunca pagam pelo local, porque tudo é da União. O que vocês pagam é pelo serviço ou acesso. Pela concessão de uso, nós temos esse direito de cobrar pelo serviço que vamos prestar a vocês”, explicou Lucivaldo.
Ao chegar na Gruta do Maroaga, um momento foi dedicado à história contada na região. Segundo a tradição, a imensa caverna de arenito localizada era usada pelo líder indígena Maroaga e sua tribo da etnia Waimiri-Atroari como um refúgio estratégico para escapar dos conflitos com militares durante a construção da BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, Roraima, na década de 1970.
"Maroaga, da tribo Waimiri-Atroari,
Florestava e caçava,
Ouvindo o lindo canto do capitão da mata
E vendo a beleza do Rupícola-Rupícola,
O nosso galo-da-serra.
Então, um dia, próximo à ilha de 240,
O combate se iniciou.
Maruoaga e seus guerreiros,
Nas mãos do exército, seu fim encontraram.
Mas até hoje essa história é recontada,
Entre lendas e verdades", recitou o guia.
Além da caverna, o percurso incluiu a Gruta da Judeia, onde uma queda d’água compõe a paisagem em meio à vegetação. O roteiro também passou pela Cachoeira de Iracema, uma das atrações conhecidas do município, e pela Cachoeira do Sucuriju. Nesta última, o aumento do nível da água após as chuvas impediu o banho durante a visita.
Manaus entre rios e história
Em Manaus, o roteiro começou com uma navegação pelo Rio Negro, que incluiu o Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões correm lado a lado por vários quilômetros sem se misturarem imediatamente. A programação também passou por um espaço dedicado à criação de pirarucus e pela aldeia Tuyuka, comunidade indígena estabelecida às margens do Rio Negro, a cerca de 25 quilômetros da capital.
Embora o povo Tuyuka seja originário da região do Alto Rio Negro, na fronteira entre Brasil e Colômbia, parte do grupo vive próximo a Manaus. Após o almoço em um restaurante flutuante, o passeio seguiu pela Ponte Jornalista Phelippe Daou, conhecida como Ponte Rio Negro, e terminou com a observação de botos.
Um passeio pela história de Manaus
No terceiro dia da viagem, a programação foi dedicada ao patrimônio histórico e arquitetônico da capital amazonense. Acompanhado pelo guia Renier Fragoso, da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas – Amazonastur, o grupo percorreu a região do Largo de São Sebastião, onde estão o Teatro Amazonas e a Igreja de São Sebastião, construções que ajudam a contar parte da história da cidade.
O guia explicou que o conjunto reúne três espaços importantes para a memória de Manaus: o teatro, a igreja e a praça. A Igreja de São Sebastião começou a ser construída em 1888, enquanto a praça foi inaugurada em 1889. Um dos detalhes que chamam a atenção é o calçamento de pedras portuguesas, cujo desenho representa o encontro dos rios Negro e Solimões.
“Essas pedrinhas vieram de Portugal e Lisboa e representam o nosso Encontro das Águas, o Rio Negro com o Rio Solimões. Ela é semelhante à calçada de Copacabana, no Rio de Janeiro. Lá, segundo alguns cariocas, o desenho representa as ondas do mar. Aqui, realmente, é o nosso Encontro das Águas”, explicou Renier.
Na praça também está o Monumento à Abertura dos Portos às Nações Amigas, inaugurado em 1900. Segundo o guia, a estrutura representa a chegada de embarcações dos quatro continentes: Ásia, América, Europa e África, que passaram a ter acesso comercial à região.
No Teatro Amazonas, outro detalhe apresentado durante a visita foi a cúpula colorida, que não fazia parte do projeto arquitetônico original. De acordo com Renier, a estrutura foi encontrada em um leilão em Paris por dois vereadores que viajavam pela cidade. Eles solicitaram autorização ao então governador Eduardo Ribeiro para comprá-la e trazê-la a Manaus.
A instalação também tinha uma função simbólica: servir como referência para as embarcações que chegavam à capital. “Quando os navios passavam, vinham lá do Encontro das Águas, eles avistavam a cúpula. Então, tinham a certeza de que estavam chegando à cidade certa. Não era Belém, não era Santarém, não era Parintins, era Manaus”, contou o guia. Na época, as embarcações chegavam em busca da borracha, principal produto da economia amazonense durante o período.
Outro ponto do passeio foi o Palácio Rio Negro, construção encomendada por um comerciante alemão que acumulou riqueza com a comercialização da borracha. Diferentemente do Teatro Amazonas, o imóvel foi construído para atender às atividades comerciais e também servir de residência ao proprietário. Hoje, o local funciona como museu.
Um experiência de selva amazônica
A experiência em meio à floresta amazônica teve como destino o Turtle Lodge, localizado no município de Careiro, no Amazonas, cerca de três horas e meia de Manaus. O acesso ao empreendimento combina deslocamento por estrada e travessia fluvial, com saída de Manaus pelo Porto da Ceasa, navegação pelo Rio Negro e percurso pelas rodovias BR-319 e AM-254, e navegação pelo rio Mamori até a região do lago Tracajá, no rio Mamori.
A chegada ao lodge ocorreu por volta das 11h45, quando começou a etapa da viagem dedicada à vivência na floresta. Após o almoço, o passeio foi conduzido por Chico Cassiano, guia do empreendimento, e percorreu o lago. Durante a navegação, foi possível observar parte do cotidiano das comunidades locais, com passagens por uma escola, uma igreja e outros empreendimentos de hospedagem instalados sobre as águas.
Durante o passeio, Chico compartilhou lembranças da região onde nasceu e cresceu. Segundo o guia, o entorno do lago era tomado por uma vegetação mais fechada e tinha poucos moradores. A paisagem mudou ao longo dos anos, acompanhando também a ocupação da área e o desenvolvimento das atividades turísticas.
“Quando eu nasci, me criei e me conheci, isso aqui era selva. Do lado, isso era quase fechado aqui. […] Só tinha dois moradores nesse lago aqui. Essa era a nossa família, e a família morava bem perto da minha casa”, contou.
À noite, a atividade foi voltada à observação da fauna amazônica. Em um passeio de barco, o grupo percorreu as margens do lago à procura de jacarés. Com o auxílio do guia, foi possível observar os animais próximos à água e acompanhar seus movimentos até mergulharem.
A programação também incluiu uma trilha em uma área de floresta mais fechada, com acesso de barco. Durante a caminhada, o guia apresentou espécies da vegetação amazônica, como a castanha-do-brasil e o bicho-do-coco, larva de besouro conhecida pelo sabor semelhante ao da fruta. O roteiro teve ainda uma atividade de pesca de piranhas e a tentativa de avistar botos no lago Mamori.
A GOL mantém uma operação em Manaus com voos para oito destinos nacionais, entre eles Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Velho, Rio Branco e Santarém. A companhia também oferece voos internacionais para Miami, nos Estados Unidos.
Segundo dados fornecidos pela empresa, são 91 voos semanais na capital amazonense. Entre 2025 e 2026, o número de operações cresceu 8,4%, passando de 5.191 para 5.627. A oferta de assentos aumentou 8,9%, de 965 mil para aproximadamente 1,05 milhão, enquanto a capacidade oferecida, medida pelo indicador ASK, teve alta de 5,9%.
Para os passageiros que saem de Roraima, é importante observar que a ligação direta entre Boa Vista e Manaus foi encerrada em novembro deste ano. A GOL mantém sete voos semanais entre Boa Vista e Brasília, de onde há possibilidades de conexão para outros destinos.
Folha BV
A viagem que serviu de base para este roteiro foi realizada a convite da GOL, em parceria com a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur).
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