ECONOMIAEndividamento chega a 87,7% das famílias em Roraima, aponta pesquisa Estado tem o maior índice da Região Norte e ocupa a terceira posição no ranking nacional
O percentual de famílias endividadas em Roraima chegou a 87,7% em outubro de 2026, uma alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Com o resultado, o estado passou a registrar o maior índice de endividamento da Região Norte e ocupa a terceira posição no ranking nacional, empatado com a Paraíba. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre os consumidores roraimenses. Segundo o levantamento, 80,1% das famílias endividadas utilizam essa forma de pagamento, percentual que representa a terceira alta consecutiva e o maior patamar desde janeiro de 2025. Em outubro do ano passado, o índice era de 73,4%.
O crescimento do endividamento ocorre em um período de aumento das compras, com a proximidade da Black Friday e das festas de fim de ano. Para o economista Fábio Martinez, assessor econômico da Federação do Comércio, o uso do crédito sem planejamento pode comprometer o orçamento das famílias nos meses seguintes.
“Os números mostram que o consumidor continua recorrendo ao crédito, principalmente ao cartão, para realizar suas compras. O alerta está no acúmulo de parcelas, que pode comprometer a capacidade de pagamento nos próximos meses. É importante que as famílias avaliem seu orçamento antes de assumir novos compromissos, considerando também as despesas que chegam no início do próximo ano”, afirmou.
Apesar do avanço no endividamento, a inadimplência apresentou queda pelo quarto mês consecutivo. Em outubro, o percentual de famílias com contas em atraso recuou para 27,2%, abaixo da média nacional, de 29,3%. Conforme a pesquisa, Roraima tem aproximadamente 127,7 mil famílias endividadas, das quais 39,6 mil estão com pagamentos atrasados.
O levantamento também mostra mudanças nas modalidades de crédito utilizadas pelos consumidores. Enquanto o cartão de crédito ganhou participação, os carnês de lojas registraram queda, passando de 50,9% para 47,1% entre as famílias endividadas. Esse é o menor percentual desde fevereiro de 2024.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac-IFPD em Roraima, Ademir dos Santos, os números reforçam a necessidade de conciliar o aumento das vendas no fim do ano com informações claras sobre as condições de pagamento.
“Esse é um período importante para o comércio, que encontra na Black Friday e nas compras de fim de ano oportunidades para ampliar as vendas e movimentar a economia. Ao mesmo tempo, é fundamental que o consumidor tenha acesso a informações claras sobre preços e condições de pagamento. Um consumo consciente contribui para relações comerciais mais equilibradas e para a sustentabilidade dos negócios”, declarou.
Os dados indicam que, embora parte dos consumidores esteja conseguindo regularizar compromissos financeiros, o uso do crédito voltou a crescer. O desafio para os próximos meses será manter o consumo sem ampliar o comprometimento da renda das famílias.
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