DA PAZ PARA O MUNDOTheatro da Paz entra para a lista dos patrimônios mais importantes do mundo Theatro da Paz, em Belém, recebeu o título de Patrimônio Mundial da Unesco em candidatura conjunta com o Teatro Amazonas, sob a denominação Teatros da Amazônia.
Título da Unesco reconhece Theatro da Paz e Teatro Amazonas
Cerimônia em Belém marca o reconhecimento
O Theatro da Paz, em Belém, recebeu oficialmente, nesta sexta-feira (6), o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A cerimônia marcou o reconhecimento internacional do espaço, em uma candidatura conjunta com o Teatro Amazonas, de Manaus, que passou a integrar a lista de patrimônios mundiais sob a denominação de “Teatros da Amazônia”.
O reconhecimento foi aprovado durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul. Os dois teatros foram construídos durante o ciclo da borracha e representam um período de transformações econômicas, sociais e culturais na Amazônia. A cerimônia em Belém contou com representantes dos governos estadual e municipal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Unesco.
Cooperação entre Pará e Amazonas
Para o secretário de Cultura do Pará, Bruno Chagas, a conquista vai além da valorização arquitetônica dos prédios. “O Theatro da Paz e o Teatro Amazonas têm uma característica muito peculiar. Eles estão na maior floresta tropical do mundo, em um lugar muito reconhecido pela floresta em pé, mas muitas vezes é esquecido tudo o que existe entre a copa das árvores e o solo, que somos nós, o povo que forma a Amazônia. Esses teatros são a reunião de toda a essência cultural da nossa região”, destacou.
O secretário também ressaltou a cooperação entre Pará e Amazonas para alcançar o reconhecimento. Desde 2019, os dois teatros mantêm um acordo de intercâmbio cultural denominado Corredor Lírico do Norte, que permite a circulação de espetáculos, artistas e produções entre as duas capitais. “Isso nos deu a capacidade de que os nossos dois festivais de ópera pudessem ter um intercâmbio das suas obras, mas não somente da produção, também dos artistas. Espetáculos que foram apresentados aqui foram apresentados lá, e os de lá foram apresentados aqui. Esse intercâmbio das duas casas é importantíssimo”, afirmou Bruno Chagas.
A entrega do certificado ao Teatro Amazonas ocorreu no último dia 3, em Manaus. Já em Belém, a programação incluiu apresentação da Amazônia Jazz Band, com participações das bandas Warilou e Sayonara, além de Gigi Furtado e do Grupo Parafolclórico Flor da Amazônia.
Impactos e responsabilidades do título
Turismo e conservação na visão das autoridades
O secretário municipal de Cultura de Belém, Michell Durans, avaliou que o título reforça a responsabilidade dos órgãos públicos na conservação dos monumentos. “É um ganho muito importante para a Amazônia ter o reconhecimento mundial tanto do Theatro da Paz quanto do Teatro Amazonas. Isso traz uma alegria muito grande, mas carrega também uma responsabilidade, porque temos a missão, junto com o mundo, de cuidar e proteger esses espaços”, afirmou.
Para Durans, o reconhecimento também pode fortalecer o turismo e a economia das duas capitais. “Hoje, esses espaços estão no roteiro de turismo do mundo, no roteiro econômico do mundo. É uma importância não só imaterial, mas também material, para que possamos usufruir desse grande momento que estamos vivendo”, acrescentou.
Trajetória histórica e valor excepcional
A superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, destacou que a candidatura conjunta valorizou a trajetória histórica dos dois teatros, construídos em momentos diferentes do ciclo da borracha. O Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, enquanto o Teatro Amazonas surgiu 18 anos depois. “O que na época era para alguns, hoje está para todos. No palco do Theatro da Paz, você não tem só uma orquestra. Hoje tem a cultura popular, os artistas, as escolas e a sociedade civil fazendo cultura e arte aqui dentro”, ressaltou.
A coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Isabel de Paula, explicou que o reconhecimento considerou a permanência de atividades artísticas que mantêm os teatros em funcionamento. “A candidatura dos Teatros da Amazônia foi recebida pela Unesco por considerar que é um bem de valor excepcional e único. Tem seu valor pela beleza arquitetônica, pelo fator histórico, que compreende uma fase importante da economia do país, o ciclo da borracha, e também por serem teatros que demonstram a cultura da Amazônia”, explicou.
Com a inclusão na lista mundial, os responsáveis pelos teatros deverão manter medidas de preservação e acompanhar as condições de conservação dos monumentos. Entre as exigências estão a criação de um comitê de acompanhamento, com participação da sociedade, e a apresentação periódica de relatórios à Unesco.
“É muito importante que ambos os teatros sejam conservados, preservados e tenham medidas de proteção. Isso significa que esses dois teatros vão ter cada vez mais olhos voltados para a conservação, para que não percam as características originais que foram fundamentais para o reconhecimento como Patrimônio Mundial”, concluiu Isabel.
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