Desvio de dinheiro Caso Banco Master: Fachin autoriza delação de ex-dono da Reag
BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, homologou a proposta de delação premiada de João Carlos Mansur, fundador da empresa Reag. A companhia foi liquidada pelo Banco Central e foi alvo de duas operações ligadas às investigações do Banco Master.
A homologação foi apurada pela colunista Natalia Portinari, do Uol, e confirmada por O TEMPO Brasília. Na proposta de delação, Mansur se comprometeu a pagar R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao total que recebeu enquanto trabalhou na Reag. O empresário também apresentou 17 anexos detalhando diferentes crimes financeiros de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A proposta de delação também cita dois políticos baianos: o senador Jacques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União-BA).
No final de outubro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um ofício a Fachin pedindo que a proposta de delação de Mansur fosse analisada com urgência. Inicialmente, o caso era relatado pelo ministro André Mendonça, mas foi avocado pela presidência do STF após a crise na Corte.
O que consta na proposta
De acordo com a proposta de delação, a Reag prestava serviços ao Banco Master desde 2019, ano em que Daniel Vorcaro assumiu a instituição. Os fundos da empresa teriam sido utilizados para desviar dinheiro do Master por meio de laranjas e de contas bancárias no exterior. Mansur também teria apresentado diversos documentos que comprovam a existência de transações irregulares.
Também são citados os nomes de Jacques Wagner e ACM Neto. O primeiro teria sido presenteado com ingressos para um show da cantora Taylor Swift, avaliados em aproximadamente R$ 63 mil. Mansur teria comprado os bilhetes para o senador, a pedido do ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima.
Em agosto deste ano, Wagner afirmou não conhecer Mansur, e nem ter relações com a Reag. De acordo com o parlamentar, ele apenas pediu a um amigo que o ajudasse a conseguir os ingressos.
Já ACM Neto é dono do fundo de investimentos Seattle 95, que era administrado pela Reag até meados de 2025. Ele também teria realizado um investimento em outro fundo de empréstimos consignados do Banco Master.
Ao UOL, o ex-prefeito admitiu ser cotista do Seattle 95, mas destacou que esse fundo foi criado "por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita".
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