Setor de saúde é resiliente à economia, diz CEO do Fleury
O Grupo Fleury registrou lucro líquido de R$ 264,3 milhões no terceiro trimestre de 2025, resultado que representa uma alta de 42,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os números acima do esperado pelo mercado reforçam o desempenho consistente da companhia no setor de medicina diagnóstica.
Em entrevista à CNN Money, Jeane Tsutsui, CEO do grupo, atribuiu os resultados positivos ao crescimento em todas as linhas de negócio, aliado a uma rigorosa disciplina em custos e despesas.
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“Nós crescemos a receita bruta em 13,3% e é importante destacar que esse crescimento vem em todas as linhas de negócio”, afirmou.
O EBITDA do grupo somou R$ 672,2 milhões no trimestre, com crescimento de 12,2% ano a ano, enquanto a receita bruta atingiu R$ 2,7 bilhões, alta de 13,3%.
A marca Fleury, que em 2026 completa 100 anos, registrou incremento de 8,9% na receita no período e acumula crescimento de 11% nos nove primeiros meses do ano.
O grupo expandiu sua presença de forma orgânica nos três principais mercados — São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — e também por meio de aquisições.
No segmento B2B, o serviço Lab2Lab, que conecta o grupo a mais de 9.300 laboratórios, cresceu 12,7% no terceiro trimestre.
Tsutsui destacou que esse desempenho é fruto de investimentos contínuos em novas áreas técnicas, que permitiram maior competitividade, melhor tempo de liberação de exames e a conquista de novos clientes.
Resiliência do setor de saúde e apostas para o futuro
Questionada sobre o cenário macroeconômico, marcado por taxas de juros elevadas, Tsutsui foi categórica: “Saúde é um setor resiliente.”
Segundo ela, a crescente conscientização da população em relação à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento de doenças crônicas sustenta a demanda pelos serviços do grupo.
Ela reconheceu que o ambiente macro pode impactar o nível de emprego e o acesso à saúde suplementar, mas ressaltou que o Fleury segue crescendo de forma orgânica e inorgânica.
O grupo encerrou o trimestre com índice de dívida líquida por EBITDA em uma vez, patamar considerado adequado pela companhia diante do atual custo de capital elevado. “Nós mantemos uma forte disciplina em termos de alocação de capital e também uma forte geração de caixa”, disse Tsutsui.
Para os próximos períodos, o grupo aposta na transformação digital como um dos principais vetores de crescimento. O agendamento digital já foi implementado em várias marcas do portfólio e deve ter sua disponibilidade ampliada no próximo ano.
Outra frente de inovação é a genômica, com testes que permitem o diagnóstico precoce de diversas doenças e o direcionamento de tratamentos personalizados — área que a companhia denomina de medicina de precisão.
No campo das aquisições, Tsutsui revelou que o grupo concluiu a operação de compra do FEMI e anunciou, em outubro, a aquisição do Unileb, ativo de medicina diagnóstica localizado na região de Atibaia.
Desde 2017, o grupo realizou 23 aquisições, incluindo a combinação de negócios com o Pardini, em 2023. A executiva sinalizou que novas aquisições podem ocorrer, desde que atendam aos critérios estratégicos, culturais e econômico-financeiros da companhia.
A oncologia também foi apontada como área de atenção crescente, diante do envelhecimento da população brasileira e da demanda por diagnósticos completos nessa especialidade.
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