Empresário é encontrado morto em Cabo Frio após família ser extorquida
Uma investigação conduzida pela Delegacia Antissequestro da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (DAS/RJ), em cooperação com a Polícia Civil do Espírito Santo, desvendou o desaparecimento do empresário capixaba Christiano Deorce Benedito, de 54 anos. O corpo da vítima, que atuava no ramo de madeira, foi localizado enterrado em uma cova rasa no bairro Unamar, no segundo distrito de Cabo Frio, na Região dos Lagos, na madrugada desta sexta-feira (06/11).
Inicialmente apurado como extorsão mediante sequestro, o caso foi reclassificado pelos investigadores como latrocínio (roubo seguido de morte). De acordo com a DAS, o empresário foi atraído e morto por integrantes do tráfico de drogas local por motivações patrimoniais, mas os criminosos continuaram simulando que a vítima estava em cativeiro para extorquir familiares e conhecidos via PIX.
Christiano Deorce Benedito chegou a Cabo Frio em 20 de outubro para realizar entregas comerciais e hospedou-se em um hotel no bairro Aquarius. No dia seguinte (21/10), ele foi atraído e entregue a traficantes da região, sendo assassinado no mesmo dia para evitar que denunciasse o assalto às autoridades.
Apesar da execução sumária, a quadrilha manteve a farsa do sequestro para exigir transferências bancárias de pessoas próximas à vítima. O desaparecimento foi registrado pela família no dia 22 de outubro. Já no dia 23, os agentes rastrearam movimentações financeiras vinculadas a uma mulher, que acabou presa e responderá por extorsão.
A apuração revelou que os criminosos buscavam arrecadar R$ 4 mil por meio de transferências via PIX e planejavam vender a caminhonete da vítima por cerca de R$ 40 mil. Parte desse valor seria repassada aos intermediários que cederam contas bancárias para o esquema. Para justificar a execução do empresário perante a comunidade local, o grupo espalhou a falsa acusação de que a vítima seria estupradora.
"Então, a gente elucidou esse caso, que a princípio se tratava de sequestro, mas, ao final, a gente descobre se tratar de um latrocínio, onde roubaram a vítima e depois a mataram para que ela, talvez, pudesse não delatar esses criminosos à Polícia Civil", explicou o delegado titular da DAS/RJ, William Pena Júnior.
Desfecho policial e prisões
A operação para capturar os responsáveis se desdobrou em etapas ao longo dos últimos dias:
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27 de Outubro: Policiais localizaram Wallace Santos de Oliveira, o "WL", apontado como gerente do tráfico em Unamar e executor do crime. Ao receber voz de prisão, ele reagiu e trocou tiros com a equipe. Atingido, caiu em um rio e teve o corpo resgatado pelo Corpo de Bombeiros. Duas mulheres já haviam sido presas por participação nas transações financeiras.
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5 de Novembro: Lucas Reis Lima de Freitas, de 20 anos, foi localizado e preso em um hotel em Saquarema. Durante o depoimento, ele indicou o local exato do sepultamento clandestino.
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6 de Novembro: Na madrugada, os agentes desenterraram o corpo de Christiano em Unamar e recuperaram a caminhonete da vítima nas proximidades.
Manifestação da defesa
Em nota oficial, a defesa de Lucas Reis Lima de Freitas informou que o jovem nega ter cometido o homicídio e que se entregou voluntariamente à polícia assim que soube que era procurado, colaborando com as investigações.
Os advogados ressaltaram que a prisão tem caráter provisório, inexistindo condenação até o momento, e que os elementos de defesa serão apresentados na etapa processual adequada, pedindo o respeito à presunção de inocência.
Com informações do G1.
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