Após confrontos, ex-presidente do Paraguai é transferido para unidade militar

Cidadã paraguaia em Assunção pede a prisão do presidente Santiago Peña, envolvido no escândalo do Ueno Bank (Foto: Juan Pablo Pino/EFE)
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido, na madrugada deste sábado (7), para uma unidade militar em Assunção, capital do país, após manifestantes entrarem em confronto com policiais em frente à residência onde ele cumpria prisão domiciliar. Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade especial das Forças Armadas paraguaias responsável pela proteção de autoridades, incluindo o presidente, o vice-presidente e ex-presidentes.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a transferência ocorreu minutos antes da meia-noite de sexta-feira (6), em uma operação que envolveu pelo menos quatro caminhonetes. O ex-presidente estava em um dos veículos. A mudança foi realizada por razões de segurança, diante do aumento da tensão e da pressão popular para que o político fosse encaminhado a uma penitenciária.
Durante a saída do comboio da residência, localizada no bairro Mbocayaty, moradores que acompanhavam a movimentação arremessaram ovos contra os veículos e gritaram insultos a Peña.
A transferência ocorreu depois de uma noite de tensão nas proximidades da residência de Peña. Manifestantes se concentraram no local para exigir que ele fosse encaminhado à Penitenciária Nacional de Tacumbú, principal complexo prisional do país, em vez de permanecer em prisão domiciliar.
Os protestos terminaram em confrontos com as forças policiais. Um agente foi ferido após ser atingido por um objeto lançado pelos manifestantes.
Penã prestará depoimento sobre Ueno Bank
Peña deve deixar o regimento neste sábado, às 11h (horário local), para comparecer à sede do Ministério Público paraguaio para prestar depoimento no âmbito das investigações sobre o Ueno Bank, instituição financeira que teve suas atividades encerradas após o Banco Central do Paraguai identificar problemas nos indicadores de solvência e irregularidades relacionadas a empréstimos.
O banco, pertencente ao Grupo Vázquez, tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social paraguaio. O fechamento da instituição provocou o bloqueio de contas e investimentos, além de uma onda de indignação popular.
A quebra do Ueno Bank também levou à prisão preventiva de antigos dirigentes da instituição, incluindo seu fundador, Miguel Vázquez, e desencadeou manifestações populares contra o governo.
Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. O ex-presidente é investigado por suspeitas de lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. A oposição também o acusa de conflito de interesses, manipulação regulatória e favorecimento de empresas ligadas ao grupo.
A crise culminou no afastamento de Peña da Presidência. Na sexta-feira (6), o Senado paraguaio aprovou por unanimidade seu impeachment, com 44 votos favoráveis. A votação ocorreu apesar de o então presidente ter anunciado sua renúncia pouco antes da decisão, alegando que pretendia evitar maiores danos ao país e contribuir para o restabelecimento da estabilidade política.
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