Mancha verde de 30 km invade rio no Pará, mata peixes e deixa indígenas sem água potável

Uma gigantesca mancha verde de aproximadamente 30 quilômetros está tomando conta do Rio Bacajá, no Pará, provocando a morte de peixes e deixando indígenas e ribeirinhos sem acesso à água potável. O fenômeno atinge comunidades de Anapu e Senador José Porfírio, incluindo três territórios indígenas.
Exames do Laboratório Central do Pará (Lacen), concluídos na quinta-feira (5), confirmaram que a alteração é causada pela proliferação descontrolada de cianobactérias. Em alguns pontos, a concentração chegou a 213.520 células por mililitro, mais de quatro vezes o limite de 50 mil estabelecido pelo Conama.
Uma das amostras apresentou concentração tão elevada que não pôde ser mensurada pelo laboratório. O problema foi identificado em 27 de outubro por pesquisadores do MATI-VGX.
A contaminação ameaça diretamente os povos Xikrin, da Terra Indígena Trincheira Bacajá, os Arara, da Terra Indígena Arara da Volta Grande, além de diversas comunidades ribeirinhas.
O alerta é ainda mais grave porque métodos tradicionais, como coar a água em panos ou utilizar filtros de barro, não eliminam as toxinas produzidas pelas cianobactérias.
Diante da gravidade da situação, o Ministério Público Federal (MPF) em Altamira informou que encaminhou pedidos de providências urgentes às autoridades.
Em nota, a Norte Energia negou relação entre o fenômeno e a operação da Usina Hidrelétrica Belo Monte. A empresa afirmou que mantém os monitoramentos ambientais previstos no licenciamento e se colocou à disposição para dialogar com autoridades e lideranças locais.
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