Fenabrave: Agências de veículos pedem adiamento da reforma tributária
A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) manifestou apoio à reforma tributária, mas pediu o adiamento de sua implementação, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de janeiro.
Em entrevista ao CNN Money, Arcelio Junior, presidente da federação, destacou que ainda existem muitas dúvidas sobre pontos fundamentais da reforma e que o setor precisa de mais tempo para se adequar.
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Arcelio Junior afirmou que a entidade apoia integralmente a reforma tributária e reconhece sua importância para o país. “A Fenabrave apoia totalmente a reforma tributária, acredita que ela é muito importante para o país”, disse.
No entanto, ele ressaltou que a magnitude da mudança — descrita como a maior reforma tributária da história do Brasil — gerou incertezas que ainda não foram completamente esclarecidas pelo governo federal e pela Receita Federal.
Entre as principais preocupações do setor, Arcelio Junior apontou o impacto da transição sobre o fluxo de caixa das concessionárias.
Segundo ele, a regulamentação atual prevê que, ao final do ano, as empresas deverão fazer um balanço e creditar alguns tipos de impostos em dozeavos, o que geraria um desencaixe financeiro significativo.
“Nós teremos um desencaixe no fluxo de caixa das empresas que é muito significativo e nos preocupa”, afirmou. Ele acrescentou que esse problema não se restringe às concessionárias, mas afeta vários segmentos da economia.
Arcelio Junior também chamou atenção para os impactos sobre as micro e pequenas empresas que integram a cadeia automotiva. Ele lembrou que as concessionárias representam 388 mil empregos diretos no país, estão presentes em 952 municípios e somam 8.625 unidades em operação.
“Existem regiões diferentes, necessidades diferentes num país continental como o nosso”, ponderou, destacando que muitos parceiros de menor porte estão tendo dificuldades para se adequar às novas exigências.
Diante desse cenário, a Fenabrave iniciou conversas com o governo federal para solicitar formalmente o adiamento da implementação da reforma.
“O que nós estamos solicitando ao governo e nós acreditamos que é importante para o país é um adiamento da reforma tributária por algum período, até que todas essas dúvidas sejam sanadas”, explicou Arcelio Junior.
Ele foi enfático ao diferenciar o pedido de adiamento de qualquer intenção de cancelamento da reforma.
Mercado de veículos registra crescimento expressivo em 2026
A entrevista também abordou o desempenho do mercado automotivo. A Fenabrave revisou para cima sua projeção de crescimento das vendas de veículos em 2026, de 7,9% para 15,3%.
Se confirmada a expectativa, o setor deve comercializar 3,1 milhões de veículos no ano, o que representaria o maior volume em 12 anos.
Em outubro, as vendas de veículos zero quilômetro somaram 265.600 unidades, alta de quase 2% na comparação anual, e no acumulado do ano foram registradas 2,52 milhões de unidades vendidas, crescimento de 16,1%.
Segundo Arcelio Junior, o crescimento do mercado em 2026 está apoiado em um tripé: o programa Move Brasil, o programa do carro sustentável — que reduziu alíquotas de impostos para veículos com menor emissão de poluentes — e o aumento da concorrência com a chegada de novos fabricantes ao país, que pressionou preços para baixo e ofereceu condições de financiamento mais acessíveis.
Já o mercado de veículos usados registrou leve queda de cerca de 4% no acumulado do ano, influenciada, em parte, pela redução nos preços dos zero quilômetro.
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