Quanto foi gasto e quem financiou os candidatos ao Senado no Ceará em 2026
As prestações de contas finais das candidaturas ao Senado pelo Ceará mostram que os cinco candidatos analisados movimentaram milhões de reais durante a campanha eleitoral de 2026
Por Marcelo Bloc
Notícia
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Publicado às 08:00, 07/11/2026
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Resumo
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Alcides Fernandes (PL) declarou R$ 5,24 milhões em despesas, incluindo quase R$ 2 milhões em impulsionamento no Facebook e no Kwai.
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Capitão Wagner (União Brasil) recebeu R$ 3,7 milhões do diretório nacional do partido, responsável por 87,77% da arrecadação.
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Cid Gomes (PSB) recebeu quatro doações individuais de R$ 500 mil e destinou R$ 922 mil a outras candidaturas do partido, entre elas a da irmã Lia Gomes.
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Luizianne Lins (Rede) declarou R$ 3,95 milhões em despesas, cerca de R$ 1,3 milhão acima das receitas.
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Guilherme Theophilo (Novo) teve a menor movimentação financeira, com R$ 53,5 mil arrecadados.
As prestações de contas finais das candidaturas ao Senado pelo Ceará mostram que os cinco candidatos analisados movimentaram milhões de reais durante a campanha eleitoral de 2026. Alcides Fernandes (PL), que não foi eleito, teve a maior arrecadação e também declarou o maior volume de despesas. Já os dois candidatos eleitos, Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), apresentaram estratégias distintas de financiamento e utilização dos recursos.
Os dados enviados à Justiça Eleitoral permitem identificar quem financiou as campanhas, quais empresas receberam os maiores pagamentos e como os candidatos distribuíram os recursos. Os números também atualizam o levantamento publicado pelo O POVO em 2 de outubro, quando as campanhas ainda estavam em andamento.
Entre os cinco candidatos, Alcides Fernandes declarou R$ 4,58 milhões em receitas e R$ 5,24 milhões em despesas. Capitão Wagner (União Brasil), também não eleito, recebeu R$ 4,21 milhões e gastou R$ 3,92 milhões.
Cid Gomes arrecadou R$ 4,09 milhões e declarou R$ 3,13 milhões em despesas. Luizianne Lins recebeu R$ 2,64 milhões, mas registrou gastos de R$ 3,95 milhões. Guilherme Theophilo (Novo), que também não conseguiu se eleger, teve uma campanha de dimensão financeira bem menor, com R$ 53,5 mil em receitas e R$ 52 mil em despesas.
Alcides Fernandes gastou quase R$ 2 milhões em impulsionamento
O deputado estadual Alcides Fernandes terminou a campanha como o candidato ao Senado com maior volume de recursos movimentados entre os nomes analisados. Dos R$ 4,58 milhões recebidos, R$ 4,44 milhões vieram da direção nacional do PL, o equivalente a 96,82% da arrecadação.
A participação de outros doadores foi pequena. O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) destinou R$ 139,7 mil à campanha, enquanto o empresário Rodrigo Higino Farias Paz contribuiu com R$ 6 mil.
Nas despesas, o candidato declarou R$ 5,24 milhões, valor superior à arrecadação registrada. Um dos principais destaques é o investimento em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, que chegou a aproximadamente R$ 1,9 milhão.
De onde veio o dinheiro:
- Direção Nacional do PL: R$ 4,44 milhões (96,82%);
- Ciro Gomes: R$ 139,7 mil (3,05%);
- Rodrigo Higino Farias Paz: R$ 6 mil (0,13%).
Para onde foi o dinheiro:
- Santana & Associados Marketing e Propaganda: R$ 1,8 milhão;
- Dlocal Brasil, para impulsionamento no Facebook: R$ 1,674 milhão;
- Contservice Contabilidade e Serviços: R$ 470 mil;
- Pedro Teixeira Cavalcante Neto Advocacia: R$ 300 mil;
- Facebook Serviços Online do Brasil: R$ 193 mil;
- Joyo Tecnologia Brasil, para impulsionamento no Kwai: R$ 40 mil.
A soma dos pagamentos relacionados às plataformas digitais, incluindo Facebook e Kwai, chega a R$ 1,907 milhão. O investimento na rede social de vídeos curtos é uma particularidade da prestação de contas de Alcides entre as candidaturas analisadas.
Capitão Wagner concentrou gastos em marketing
Capitão Wagner arrecadou R$ 4,21 milhões, dos quais R$ 3,7 milhões foram transferidos pela direção nacional do União Brasil. A participação do partido correspondeu a 87,77% do total recebido.
Entre os doadores individuais, aparecem o empresário Beto Studart Gomes e Prisco Rodrigues Bezerra (irmão de Roberto Cláudio), que contribuíram com R$ 100 mil cada. O próprio Capitão Wagner também destinou R$ 30 mil à candidatura.
Prisco era o primeiro suplente de Wagner na candidatura.
De onde veio o dinheiro:
- Direção Nacional do União Brasil: R$ 3,7 milhões (87,77%);
- Ciro Gomes: R$ 258,2 mil (6,13%);
- Beto Studart: R$ 100 mil;
- Prisco Rodrigues Bezerra: R$ 100 mil;
- Capitão Wagner: R$ 30 mil.
Para onde foi o dinheiro:
- Santana & Associados Marketing e Propaganda: R$ 2 milhões (51%);
- Ebanx Pagamentos, para impulsionamento: R$ 532 mil;
- Facebook Serviços Online do Brasil: R$ 285 mil;
- Qualigraf Editora e Gráfica: R$ 281,7 mil;
- Master Tag Rótulos, Etiquetas e Comunicação Visual: R$ 264,4 mil.
Mais da metade das despesas da campanha foi destinada à Santana & Associados, responsável pelo planejamento estratégico e pela gravação dos programas e comerciais de rádio e televisão.
Cid destinou mais de R$ 900 mil a outras candidaturas do PSB
Reeleito para o Senado, Cid Gomes declarou R$ 4,09 milhões em receitas. O diretório nacional do PSB foi responsável pela maior transferência individual, com R$ 1,13 milhão (27,71%).
A campanha também recebeu quatro doações individuais de R$ 500 mil, feitas por Alexandre Grendene Bartelle e Pedro Grendene Bartelle (Grendene), além de Maria Consuelo Saraiva Leão Dias Branco (M. Dias Branco) e Rose Aline Matos Ferreira de Freitas Guimarães (Aço Cearense).
De onde veio o dinheiro:
- Direção Nacional do PSB: R$ 1,13 milhão (27,71%);
- Alexandre Grendene Bartelle: R$ 500 mil;
- Pedro Grendene Bartelle: R$ 500 mil;
- Maria Consuelo Saraiva Leão Dias Branco: R$ 500 mil;
- Rose Aline Matos Ferreira de Freitas Guimarães: R$ 500 mil;
- Julio Ventura Neto: R$ 390 mil.
Nas despesas, Cid declarou R$ 3,13 milhões. O maior pagamento foi destinado à Contacto Relações Públicas, que recebeu R$ 1 milhão (32%).
Um dos destaques da prestação de contas é a destinação de recursos a outras candidaturas do PSB, partido que Cid lidera no Ceará. Ao todo, foram R$ 922 mil em doações financeiras a candidatos a deputado estadual e federal.
Entre os beneficiados estão nomes que disputaram as eleições pelo próprio partido, incluindo a irmã do senador eleito, Lia Gomes, reeleita deputada estadual.
Para onde foi o dinheiro:
- Contacto Relações Públicas: R$ 1 milhão;
- RH8 Serviços e Terceirizações: R$ 366,4 mil;
- Manoela Siqueira Pimenta Mendes (deputada estadual): R$ 300 mil;
- Lucilvio Girão Sales (deputado estadual): R$ 250 mil;
- Executive Air Taxi Aéreo: R$ 224,8 mil;
- Facebook Serviços Online do Brasil: R$ 200 mil;
- Easy Taxi Aéreo: R$ 150 mil;
- Lia Ferreira Gomes (deputada estadual): R$ 139 mil;
- Ana Paula Braga Veras (deputada estadual): R$ 100 mil;
- Roger Neves Aguiar (deputado federal): R$ 100 mil;
- Maria Valdenice Pinto Lima (deputada estadual): R$ 33 mil.
A campanha também declarou mais de R$ 426 mil em despesas com fretamento de aeronaves, distribuídos entre três empresas. O impulsionamento de conteúdo no Facebook custou outros R$ 200 mil.
Luizianne gastou mais do que arrecadou
Também eleita senadora, Luizianne Lins declarou R$ 2,64 milhões em receitas. A direção nacional da Rede foi responsável por R$ 2,2 milhões, o equivalente a 83,12% do total.
Entre as contribuições individuais, o maior valor veio de Eunício Oliveira (MDB), deputado federal e pai de Rodrigo Oliveira, segundo suplente da chapa de Luizianne, que destinou R$ 315,1 mil à campanha.
De onde veio o dinheiro:
- Direção Nacional da Rede: R$ 2,2 milhões (83,12%);
- Eunício Oliveira: R$ 315,1 mil (11,91%);
- Wander Jean Matos Ferreira: R$ 100 mil (3,78%);
- Wellington Rocha Leitão Filho: R$ 20 mil;
- Financiamento coletivo: R$ 7,9 mil.
Nas despesas, a senadora eleita declarou R$ 3,95 milhões, aproximadamente R$ 1,3 milhão acima do volume de receitas informado.
Para onde foi o dinheiro:
- Facebook Serviços Online do Brasil, para impulsionamento: R$ 1,027 milhão;
- Contacto Relações Públicas: R$ 1 milhão;
- RH8 Serviços e Terceirizações, para militância e mobilização de rua: R$ 642,5 mil;
- Adventseven, também para mobilização de rua: R$ 239,9 mil;
- Executive Air Taxi Aéreo: R$ 235 mil;
- Jaymes Alves Ferreira, material de campanha: R$ 216,8 mil;
- Printcolor Gráfica e Editora: R$ 124,3 mil;
- Solution Assessoria, Planejamento e Serviços: R$ 100 mil.
Guilherme Theophilo teve campanha de R$ 53 mil
Entre os candidatos analisados, Guilherme Theophilo teve a menor movimentação financeira. O candidato do Novo declarou R$ 53,5 mil em receitas, sendo R$ 50 mil provenientes da direção nacional do partido.
De onde veio o dinheiro:
- Direção Nacional do Novo: R$ 50 mil (93,3%);
- Financiamento coletivo: R$ 2.010;
- Direção estadual do Novo no Ceará: R$ 1.578.
As despesas somaram R$ 52 mil. O maior pagamento foi destinado a Guilherme Gomes de Lira, por serviços de consultoria administrativa de campanha, no valor de R$ 11 mil.
Para onde foi o dinheiro:
- Guilherme Gomes de Lira, consultoria administrativa: R$ 11 mil;
- Facebook Serviços Online do Brasil, impulsionamento: R$ 7 mil;
- Vinicius Souza das Chagas, coordenação jurídica: R$ 6.193;
- Essent Inovação Contábil: R$ 5 mil;
- Manoel Wellington de Araújo Rodrigues, coordenação de voluntários: R$ 5 mil;
- José Clairton Moura dos Santos, apoio operacional: R$ 5 mil;
- Edison Luis Paulus Junior Sociedade Individual de Advocacia: R$ 5 mil.
Os valores correspondem às prestações de contas declaradas pelos candidatos à Justiça Eleitoral.
Quanto arrecadaram e gastaram os candidatos ao Senado no Ceará
Candidato - Receitas - Despesas (em milhões)
- Alcides Fernandes - 4.59 - 5.25
- Capitão Wagner - 4.22 - 3.93
- Cid Gomes - 4.1 - 3.14
- Luizianne Lins - 2.65 - 3.96
- Guilherme Theophilo - 0.054 - 0.052
Valores declarados à Justiça Eleitoral, em milhões de reais.
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