Ex-presidente do Paraguai é levado para unidade militar após protestos
Santiago Peña estava em prisão domiciliar. Transferência ocorreu depois de confrontos entre manifestantes e policiais em frente à residência dele
Por Marcelo Bloc
Notícia
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Publicado às 11:00, 07/11/2026
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Resumo
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Santiago Peña foi transferido da prisão domiciliar para uma unidade militar em Assunção, na madrugada deste sábado (7).u2028A mudança ocorreu após confrontos entre manifestantes e policiais em frente à residência do ex-presidente.u2028Peña é investigado por suspeitas de crimes relacionados à crise do Banco Ueno.u2028O Senado aprovou seu impeachment na sexta-feira (6), e o vice Pedro Alliana assumiu a Presidência.u2028
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido de sua residência, em Assunção, para uma unidade militar na madrugada deste sábado, 7, após uma série de protestos contra sua permanência em prisão domiciliar. A mudança ocorreu por razões de segurança, depois de confrontos entre manifestantes e policiais nas proximidades do imóvel.
A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color. Peña foi levado para o Regimento de Escolta Presidencial, instalação militar responsável pela proteção do presidente do país, de seus familiares, de ex-presidentes e de autoridades estrangeiras em visita oficial.
A transferência ocorreu pouco antes da meia-noite. Pelo menos quatro caminhonetes participaram da operação, com o ex-presidente em um dos veículos. Durante a saída do comboio, moradores da região atiraram ovos contra os veículos e gritaram insultos direcionados a Peña.
Os manifestantes exigiam que o político fosse encaminhado a uma unidade prisional, em vez de permanecer em prisão domiciliar. Durante os confrontos, um comissário de polícia ficou ferido por um projétil. As autoridades também alertaram para a possível presença de infiltrados entre os participantes do protesto.
Investigação envolve crise do Banco Ueno
Peña estava em prisão domiciliar por determinação do Ministério Público paraguaio, no âmbito de uma investigação sobre supostos crimes relacionados ao Banco Ueno. O processo apura suspeitas de abuso de confiança, entre outras possíveis irregularidades.
A crise envolvendo a instituição financeira provocou uma grave turbulência política e econômica no Paraguai. O Banco Central iniciou o processo de liquidação do Ueno após identificar problemas nos índices de solvência da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
O banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do sistema previdenciário paraguaio.
Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025. A oposição o acusou de conflito de interesses e de interferência na fiscalização do banco, além de apontar possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos.
Destituição pelo Senado
A transferência para a unidade militar ocorreu poucas horas depois de o Senado paraguaio aprovar a destituição de Peña da Presidência. A decisão foi tomada na sexta-feira (6), em meio ao agravamento da crise provocada pelo escândalo financeiro.
O processo de impeachment foi aprovado pelos 44 senadores presentes, sem votos contrários. Peña havia apresentado uma renúncia na quinta-feira, 5, mas o Congresso rejeitou a saída voluntária e deu prosseguimento à destituição.
Com a decisão, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país e ficará responsável por completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.
O ex-presidente também foi intimado a comparecer ao Ministério Público neste sábado, 7, para prestar esclarecimentos sobre as suspeitas investigadas. Até o momento, não foram divulgadas as condições em que ele permanecerá na instalação militar nem confirmada a autorização judicial ou da Promotoria para a transferência.
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