4ª Bienal Black reúne 125 artistas e ocupa espaços culturais do Recife a partir deste sábado (7)
O Recife recebe, a partir deste sábado (7), a quarta edição da Bienal Black Brazil Art, iniciativa voltada à valorização e à difusão da produção artística negra, afro-diaspórica e decolonial. A abertura acontece às 15h, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), na Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, com a exposição coletiva “As Cinco Peles: corpo, território, mundo”. A programação segue até 7 de março de 2027 e também ocupará o Centro Cultural Cais do Sertão, além de outros espaços da capital pernambucana. Todas as atividades têm entrada gratuita.
Com trabalhos de 125 artistas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, a mostra reúne produções em diversas linguagens, como fotografia, pintura, escultura, instalação, arte têxtil, videoarte e performance. A proposta desta edição é promover reflexões sobre as relações entre corpo, identidade, território e mundo, considerando as experiências individuais e coletivas que atravessam a existência humana.
No MAMAM, a exposição ficará em cartaz de 7 de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, ocupando os três andares do museu. A programação de abertura inclui a performance Escuto Antes de Mover, da artista Andrea Müller (SP), e a oficina “Apitos Sonoros”, ministrada por Rodrigo Novack (SC).
Outro destaque é a realização presencial do Artistas (em) Conversação, iniciativa que integra a programação online da Bienal. O encontro reunirá seis artistas pernambucanos e a curadora da mostra para uma troca sobre processos criativos e produção artística contemporânea.
A segunda etapa da Bienal no Recife será realizada no Centro Cultural Cais do Sertão, com abertura marcada para 7 de dezembro, às 18h, no Auditório É do Povo, localizado no segundo andar do equipamento cultural. A cerimônia contará com apresentações musicais, performance ao vivo, exibição de vídeos e premiação. Nesse espaço, a exposição poderá ser visitada até 7 de março de 2027.
A programação também se estenderá a outros equipamentos e instituições da cidade, entre eles a Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre, o Museu da Abolição e o Laberer, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A seleção reúne artistas de todas as regiões brasileiras, com maior participação do Sudeste, que conta com 57 representantes, seguido pelo Nordeste, com 40. O Sul aparece com 11 artistas, enquanto o Centro-Oeste tem cinco e o Norte, quatro. Entre os participantes nordestinos, Bahia e Pernambuco se destacam, com 14 e 11 artistas, respectivamente.
A dimensão internacional também está presente, com trabalhos de artistas da Alemanha, Canadá, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Porto Rico e Portugal. A exposição incorpora ainda criações de estudantes da Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre. Ao todo, a convocatória pública realizada no início do ano recebeu 338 inscrições.
Criada em 2019 pela curadora e museóloga Patrícia Brito, a Bienal Black Brazil Art tem como característica a circulação por diferentes territórios e instituições culturais. A iniciativa busca ampliar a visibilidade de artistas negros e fortalecer espaços de diálogo e reconhecimento da produção artística afro-diaspórica.
“Nossa quarta edição nasce da compreensão de que a arte contemporânea afrodiaspórica é construída em movimento”, explica a organizadora Patricia Brito. Segundo ela, a proposta vai além da apresentação de obras e busca estimular encontros e a construção de conhecimento. “Nesta edição, o tema As Cinco Peles: corpo, território, mundo propõe uma reflexão sobre as diferentes camadas que constituem a experiência humana e coletiva”, acrescenta.
A 4ª Bienal Black Brazil Art é realizada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio do Banco BV, parceria de divulgação do Portal SoteroPreta, de Salvador (BA), e produção da Black Brazil Art.
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