Rondônia ao Vivo
07/11/2026 12:31

Lenir Costa transforma experiência em projeto com histórias de 30 mulheres

A ideia de reunir histórias de mulheres em um livro coletivo nasceu de uma descoberta pessoal

A ideia de reunir histórias de mulheres em um livro coletivo nasceu de uma descoberta pessoal. Em 2022, ao receber o convite para escrever sobre sua própria trajetória, Lenir Costa acreditava que não tinha uma história interessante para contar. A experiência, porém, mudou sua maneira de enxergar a própria caminhada e despertou o desejo de proporcionar a outras mulheres a mesma oportunidade. Assim surgiu o projeto “Despertar – A Minha História Tem Valor”, que reúne 30 escritoras de diferentes localidades.

Em entrevista ao Rondônia ao Vivo, Lenir explicou que a iniciativa é resultado de sua trajetória pessoal, de sua atuação com o desenvolvimento humano e da convivência com mulheres que, apesar de suas conquistas, muitas vezes não reconhecem a importância das próprias experiências.

Paranaense, ela chegou a Rondônia aos seis anos e cresceu em Cabixi. Aos 19 anos, mudou-se para Ariquemes para estudar e, em 1997, chegou a Vilhena, onde construiu sua família ao lado do marido, Gediones Vieira, e dos filhos Moroni e Rafael.

Formada em Ciências Contábeis e Matemática, Lenir conta que passou por uma transformação importante a partir de 2020. Naquele período, enfrentava dificuldades emocionais e decidiu procurar ajuda. Foi quando conheceu o desenvolvimento pessoal e encontrou na metodologia da gratidão ferramentas que mudaram sua forma de compreender a vida.

Ela continuou estudando e se especializando e atualmente atua como coach, palestrante, terapeuta e treinadora comportamental. O desenvolvimento de mulheres passou a ocupar um espaço importante em sua trajetória profissional.

Quando escrever a própria história muda a forma de se enxergar

O convite para participar como coautora do livro “Histórias Memoráveis – Pessoas que Decidiram Triunfar”, em 2022, foi um divisor de águas. A publicação foi lançada em Alphaville, São Paulo, e reuniu 30 escritores do Brasil e do exterior.

Lenir lembra que sua primeira reação foi questionar se realmente teria algo relevante para compartilhar. Apesar da insegurança, decidiu aceitar o desafio. Ao escrever sobre a própria vida, percebeu que uma trajetória não precisa ser marcada por fama ou grandes títulos para ter significado.

A experiência fortaleceu sua autoestima e autoconfiança e fez com que passasse a olhar para suas vivências de outra maneira.

Mais tarde, durante o trabalho com mulheres, começou a observar que muitas, mesmo tendo alcançado objetivos profissionais e pessoais, ainda demonstravam dificuldade para reconhecer suas conquistas e se sentir realizadas.

A percepção se conectou à experiência que havia vivido como escritora e deu origem ao projeto Despertar.

A construção de uma obra coletiva

A ideia começou a tomar forma durante encontros e rodas de conversa que Lenir promovia com mulheres. Ela já participava de eventos junto ao Sebrae e de movimentos ligados ao empreendedorismo feminino. Também se tornou vice-presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) de Vilhena.

Em uma dessas conversas, surgiu a proposta de convidar as participantes a registrar suas histórias em uma publicação coletiva. O interesse demonstrado por várias mulheres levou Lenir a contratar uma editora e iniciar a organização do livro.

O projeto ganhou forma em agosto, com lançamento previsto para novembro. A data escolhida também tem um significado especial para a idealizadora: em 10 de novembro, ela completa 50 anos e desejava marcar essa etapa da vida com a realização de um sonho que pudesse contribuir para a vida de outras pessoas.

A publicação reúne 30 mulheres, em sua maioria com 40 anos ou mais, mas também conta com participantes mais jovens. A formação do grupo aconteceu por meio de convites, indicações e conexões estabelecidas ao longo do processo.

Lenir conta que duas das participantes são suas irmãs. Outras chegaram por indicação de familiares ou por contatos que inicialmente tinham objetivos diferentes, mas acabaram aproximando as escritoras da proposta.

Participantes de diferentes localidades

Embora tenha sido idealizado em Vilhena, o projeto alcançou outras cidades e até outros países. Entre as participantes estão mulheres de municípios rondonienses como Rolim de Moura, Ji-Paraná, Cabixi e Cerejeiras, além de uma escritora de São Paulo e outra que mora nos Estados Unidos.

O livro terá alcance internacional e será publicado em cinco idiomas, ampliando a possibilidade de que as histórias das participantes cheguem a leitores de diferentes países.

Para Lenir, a diversidade de experiências é um dos pontos importantes da publicação. As autoras têm diferentes profissões, idades e histórias familiares, mas decidiram compartilhar aspectos de suas vidas que podem provocar identificação em outras pessoas.

Os relatos abordam conquistas, perdas, dificuldades, mudanças e aprendizados. A idealizadora afirma que conhecer o que existe por trás da imagem que cada mulher apresenta no cotidiano foi uma das experiências mais marcantes durante a organização do livro.

Segundo ela, muitas carregam histórias profundas que nem sempre têm oportunidade de contar. Ao escrever, conseguem organizar lembranças, rever experiências e reconhecer o próprio amadurecimento.

A proposta é reconhecer o próprio valor

O objetivo central do Despertar é incentivar as leitoras a olharem para suas histórias com mais respeito e gratidão. Lenir ressalta que isso não significa romantizar situações dolorosas, mas compreender o que foi vivido, reconhecer os aprendizados possíveis e buscar caminhos diferentes para o presente e o futuro.

Ela acredita que o contato com experiências reais pode ajudar mulheres que enfrentam dificuldades emocionais, familiares ou profissionais. Ao encontrar uma trajetória semelhante à sua, a leitora pode perceber que não está sozinha e encontrar motivação para buscar ajuda, fortalecer a autoestima ou tomar decisões importantes.

Outro ponto destacado por Lenir é a necessidade de evitar comparações. Para ela, cada mulher tem uma caminhada própria, e conhecer histórias diferentes ajuda a compreender que as conquistas e os desafios não podem ser avaliados por uma única medida.

Durante a organização da obra, algumas histórias a emocionaram e também provocaram reflexões sobre sua própria vida. Lenir, no entanto, evita escolher um relato como o mais importante, por considerar que cada participante tem uma contribuição particular para o conjunto.

Novos projetos e continuidade

A idealizadora já trabalha na possibilidade de um segundo volume. Dessa vez, pretende abrir espaço também para homens, por entender que eles igualmente possuem experiências, vulnerabilidades e histórias que merecem ser compartilhadas.

A continuidade do projeto poderá incluir novas publicações, encontros, rodas de conversa, palestras e outras atividades relacionadas ao desenvolvimento pessoal. A intenção é ampliar as conexões e levar a proposta a mais pessoas.

Para Lenir, o principal resultado não está apenas na publicação ou no evento de lançamento, mas na possibilidade de uma história alcançar alguém e provocar uma mudança. Ela espera que a leitura ajude pessoas a reconhecerem suas capacidades e a perceberem que ainda podem construir novos caminhos.

Ao falar diretamente com mulheres que não conseguem enxergar valor em suas próprias trajetórias, Lenir aconselha que não diminuam suas experiências nem se comparem com outras pessoas. Ela lembra que não é preciso ser famosa, possuir títulos ou ter grandes conquistas para inspirar alguém.

“Você não pode mudar os capítulos que já escreveu, mas pode escolher como deseja escrever os próximos”, afirma.

O lançamento de “Despertar – A Minha História Tem Valor” será realizado em 14 de novembro de 2026, às 19h, no Hotel Portinari, em Vilhena. O livro reúne os relatos de 30 mulheres de diferentes localidades e será publicado em cinco idiomas (português, inglês, Francês, Italiano e Espanhol) com proposta de alcance internacional.

A mensagem que Lenir deseja deixar ao público está sintetizada no próprio nome da obra: toda história tem valor, e reconhecer isso pode ser o primeiro passo para despertar novas possibilidades.

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