Petróleo em alta impactou produção da Suzano, diz CFO
A Suzano registrou lucro líquido de R$ 2,08 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a companhia havia apurado R$ 1,9 bilhão.
Os resultados foram apresentados em teleconferência, na qual executivos da empresa detalharam os principais fatores que influenciaram o desempenho no período.
Em entrevista ao CNN Money, Marcos Assumpção, CFO da Suzano, destacou que a alta no preço do petróleo foi o principal elemento responsável pela revisão para cima do custo caixa médio de produção de celulose.
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“O maior impacto para a gente subir a nossa expectativa de custo para o ano, sem dúvida nenhuma, é o preço do petróleo”, afirmou Assumpção.
Segundo ele, a estimativa inicial considerava um preço médio de US$ 84 por barril, valor que foi atualizado para US$ 94, impactando diretamente os custos de energia, logística e insumos químicos derivados do petróleo.
No terceiro trimestre, a Suzano vendeu cerca de 3,2 milhões de toneladas de celulose. Assumpção explicou que a demanda aquecida vinda da China contribuiu significativamente para o resultado.
“A gente viu, ao longo do terceiro trimestre, os estoques na China em patamares bem baixos”, disse o executivo.
Ele acrescentou que o aumento do custo da madeira no Sudeste Asiático elevou o custo de produção local na China, reduzindo produções domésticas e ampliando a demanda por produtos importados, o que beneficiou as vendas da Suzano.
Além disso, o atraso na entrada em operação de um novo projeto de celulose na Indonésia — postergado do quarto trimestre de 2026 para o primeiro trimestre de 2027 — levou clientes a antecipar compras junto a produtores como a Suzano.
Repasse de preços e desalavancagem
Também na teleconferência, Leonardo Grimaldi afirmou que os anúncios de aumento de preços para a celulose foram plenamente implementados pela companhia ao longo do mês de outubro.
Assumpção confirmou que a empresa tem obtido êxito no repasse desses reajustes e informou que um novo aumento de preço foi anunciado para novembro nas regiões da Europa e dos Estados Unidos.
O preço médio da celulose da Suzano ficou próximo a US$ 590 por tonelada no terceiro trimestre, e a expectativa é de que se mantenha nesse patamar ou suba levemente no quarto trimestre.
No que se refere à dívida, a companhia encerrou o trimestre com cerca de US$ 14,7 bilhões e tem como meta reduzir esse valor para abaixo de US$ 14 bilhões até o fim do ano.
Assumpção demonstrou confiança na geração de pelo menos US$ 700 milhões no quarto trimestre, período que sazonalmente é o mais forte do ano.
“A combinação de uma boa receita com custos controlados é que deve fazer essa geração de caixa ficar mais alta, garantindo uma desalavancagem forte para o nosso balanço no quarto trimestre”, concluiu o executivo.
O custo caixa de produção de celulose recuou de R$ 843 por tonelada no segundo trimestre para R$ 825 no terceiro, mesmo diante das pressões relacionadas ao petróleo.
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