Trabalhadores relatam momentos de terror após desabamento de prédio no Brás, em São Paulo
Trabalhadores que estavam em um comércio atingido pelo desabamento de um prédio de quatro andares, na noite de sexta-feira (6), no Brás, região central de São Paulo, relataram momentos de pânico durante o acidente. Segundo testemunhas, cerca de 30 funcionários estavam no interior do imóvel quando parte da estrutura cedeu. Para escapar, algumas pessoas precisaram passar pelo telhado e atravessar os destroços.
O acidente aconteceu enquanto trabalhadores descarregavam tecidos no estabelecimento. De acordo com a capitã Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o desabamento atingiu a área do mezanino, com aproximadamente 900 metros quadrados. Uma câmera de segurança registrou o momento em que a estrutura cedeu e provocou correria entre as pessoas que estavam no local.
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 18h38. A informação inicial era de que havia 35 funcionários no imóvel. Ao todo, 27 pessoas foram retiradas pelas equipes de resgate, enquanto as demais conseguiram deixar o estabelecimento antes da chegada dos socorristas.
Quatro pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca. Segundo a corporação, elas apresentavam escoriações e lesões nos braços e nas pernas, mas estavam em estado estável e sem risco de morte.
Relatos de quem conseguiu escapar
Um dos trabalhadores, Vando de Jesus Bispo, que atua há seis anos no carregamento de tecidos, descreveu o desabamento como uma experiência traumática. Ele contou que aproximadamente 30 pessoas estavam no interior do estabelecimento e precisaram se ajudar para conseguir sair.
"Foi apavorante, amigo. Foi um milagre de Deus. Tinha umas 30 pessoas lá dentro. Ficamos todos presos lá dentro. A minha alma saiu e voltou pro corpo de novo. Foi triste", relatou.
Segundo Vando, três colegas ficaram feridos com maior gravidade. Entre eles estava o carregador Wesley Aureliano, que sofreu hematomas nas costas. O trabalhador também mencionou a grande quantidade de mercadorias armazenadas no imóvel e levantou a possibilidade de que o excesso de peso tenha contribuído para o acidente.
Outro funcionário, identificado como Felipe, contou que estava no último andar quando começou o colapso. Ele havia acabado de deixar tecidos no local e precisou agir rapidamente para escapar.
"Como eu consegui sair? Sendo astuto. Se o cara não for mais louco que um louco no meio de tudo aquilo desmoronando em cima de você, o cara ia ficar por lá mesmo. Se eu não saio empurrando o que tá na minha frente, eu ia morrer lá", afirmou.
Rosilene Oliveira, que estava sentada do lado de fora do comércio, também presenciou o acidente. Segundo ela, o marido havia acabado de entrar no estabelecimento quando a estrutura desabou.
"Eu estava sentada lá e meu marido tinha acabado de entrar quando aconteceu. Foi de repente", contou.
Uma vizinha, Claudneia, relatou que inicialmente pensou que um caminhão tivesse atingido o local. Ao perceber a fumaça e a destruição, entendeu que o prédio havia desabado.
Bombeiros fizeram buscas entre os escombros
Apesar de não haver registro de pessoas desaparecidas, equipes do Corpo de Bombeiros utilizaram cães farejadores para verificar se ainda havia alguém preso sob os destroços.
A proprietária do estabelecimento informou aos socorristas que 35 funcionários estavam no imóvel no momento do acidente. Segundo a capitã Karoline, todos haviam sido contabilizados, mas as buscas continuaram como medida preventiva.
"Não tem nenhuma pessoa faltante. Então, nós estamos passando o cão por desencargo de consciência para a gente zerar, para a gente não ter dúvidas de que não tem vítimas no interior desse estabelecimento", explicou.
Durante o atendimento, os bombeiros também utilizaram o método START, protocolo de triagem empregado em situações com múltiplas vítimas. O procedimento classifica os feridos de acordo com a gravidade dos quadros, utilizando quatro cores: verde para casos leves, amarelo para ferimentos moderados, vermelho para atendimento imediato e preto ou cinza para vítimas sem possibilidade de recuperação ou já falecidas.
Causas do desabamento serão investigadas
Até o momento, não há confirmação sobre o que provocou o colapso da estrutura. A perícia deverá analisar as condições do imóvel e verificar se fatores como excesso de peso ou problemas estruturais contribuíram para o acidente.
Questionada sobre a possibilidade de a quantidade de tecidos armazenada ter influenciado no desabamento, a porta-voz afirmou que essa avaliação caberá aos peritos, já que a prioridade dos bombeiros era localizar possíveis vítimas.
A corporação também verificava se o estabelecimento possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A Defesa Civil foi acionada, e um engenheiro iniciou uma avaliação das condições dos imóveis vizinhos para identificar possíveis riscos de novos desabamentos.
Segundo Karoline, os prédios próximos poderiam ser interditados caso fossem constatados riscos estruturais. Até aquele momento, os imóveis permaneciam isolados preventivamente durante o atendimento da ocorrência.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também realizou bloqueios nas vias próximas ao local, incluindo trechos das ruas Maria Joaquina, Joli, Mendes Júnior, Xavantes e Oriente.
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