PT quer excluir PL do bloco de apoio à reeleição de Motta na Câmara
O PT tenta impedir a entrada do PL no bloco de apoio à reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em uma disputa que envolve a distribuição de cargos na Mesa Diretora e o comando das comissões permanentes da Casa.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse ao Poder360 que considera “incompatível” a participação do PL no grupo de apoio a Motta. A presença da sigla, que elegeu 121 deputados, poderia alterar as negociações por espaços estratégicos, especialmente a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). Segundo o petista, porém, Motta afirmou que a eventual inclusão de novas siglas será decidida coletivamente.
O apoio do PT à recondução de Motta envolve um acordo para garantir espaços estratégicos na Mesa Diretora. Segundo as articulações em andamento, a 1ª Secretaria ficará com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto uma das vice-presidências deverá ser destinada ao Centrão, e não ao PL.
Além dos cargos na Mesa, a composição do bloco, cujos partidos elegeram 361 deputados, terá impacto nas negociações para a distribuição das presidências das comissões permanentes, especialmente da CCJ, considerada uma das mais importantes da Câmara. O colegiado analisa a constitucionalidade, a legalidade e a adequação regimental das propostas antes que avancem na Casa. Se considerar um texto inconstitucional, pode barrar sua tramitação.
Pelas regras de proporcionalidade partidária, o tamanho dos blocos e das bancadas influencia a distribuição de vagas nas comissões. Os partidos podem, porém, negociar trocas e acordos para definir as presidências.
Motta já reúne o apoio declarado de 361 deputados, 104 a mais do que os 257 votos necessários para vencer a eleição. Nesse cenário, o PT teria prioridade na escolha das comissões dentro do bloco de apoio a Motta, por reunir 70 deputados.
Caso o PL seja incorporado ao grupo, porém, a tendência é de que o partido passasse a ter a preferência, já que conta com 121 congressistas e tem a maior bancada da Câmara. Isso não significa, porém, que terá preferência automática pelo comando da CCJ, cuja distribuição dependerá dos acordos entre as legendas.

A decisão sobre a composição do bloco, portanto, pode alterar a disputa pelo comando da CCJ e de outros colegiados estratégicos. O PT declarou apoio a Motta, enquanto o PL ainda não definiu se participará do grupo ou se lançará candidatura própria à presidência da Câmara. A decisão deverá ser tomada depois de uma reunião da bancada, na 4ª feira (11.nov.2026).
Se ficar de fora do bloco, o PL terá de negociar separadamente os espaços nas comissões ou buscar acordos com outras bancadas para ampliar sua influência na distribuição dos colegiados.
O PL reconhece a força do presidente da Câmara e mantém conversas para preservar sua participação nas comissões e demonstrar o peso político da bancada. Integrantes do Centrão, porém, avaliam que não há necessidade de incorporar a sigla ao bloco, uma vez que Motta já tem votos suficientes para ser reeleito.
Isolamento do PL
Políticos do Centrão avaliam que o PL contribuiu para o próprio isolamento nas articulações do Congresso ao anunciar, depois da vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno, que não apoiaria as reeleições de Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Para esses políticos, a possibilidade de o partido declarar apoio ao deputado paraibano é remota.
A tentativa do PL de reivindicar o comando das duas Casas também foi criticada por integrantes do Centrão. Um dirigente do bloco afirmou que a estratégia seria inadequada mesmo se Flávio tivesse sido eleito.
“Partido do presidente não pode querer presidência da Câmara e do Senado, é uma decisão burra, chega a ser amadora”, declarou um dos dirigentes do Centrão.
Apesar das críticas, Uczai afirmou que o PT não pretende necessariamente excluir o PL das articulações em torno da Câmara. Segundo ele, o isolamento da sigla deverá ocorrer nas votações, a depender das propostas que apresentar.
“O que vai isolar com o PL vai ser a pauta legislativa, os retrocessos, as pautas reacionárias, as pautas deles que podem ser isolados no processo de votação”, afirmou o líder petista.
Resistência do PL a Motta
Dentro do PL, a aproximação com Motta também enfrenta resistência. Integrantes da legenda avaliam que a relação ficou mais difícil depois que o presidente da Câmara declarou apoio à reeleição de Lula.
“Essa decisão do Motta de pular para dentro da campanha do Lula pode ter prejudicado a possibilidade de aproximação. Acabou causando um afastamento. Ele aprovou tudo que o Lula pediu nesses anos”, disse um dos políticos do partido.
Congressistas do PL também afirmam que Motta não cumpriu acordos firmados com a sigla.
“Nesses últimos 4 anos, a gente esteve em várias comissões, foram aprovados vários projetos do PL, mas nenhum deles foi levado a plenário. Então, às vezes a gente começa a se perguntar se compensa fazer parte de comissão. Tudo decidido na urgência, na canetada. Então, a gente vai conversar sobre isso”, afirmou.
A definição sobre o apoio à reeleição de Motta deverá levar em conta a posição dos deputados eleitos em 2026. Integrantes do PL afirmam, porém, que a maioria dos congressistas defende o lançamento de uma candidatura própria.
“O presidente da Câmara apoiou o PT, então ficou uma situação muito desconfortável para o partido, obviamente, apoiar. Porém, tem outros parlamentares, que são a minoria, que justamente se preocupam com a questão das comissões, de um espaço dentro da Câmara para fazer oposição. Mas a maioria tá querendo lançar uma candidatura própria”, declarou um integrante da sigla.
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