Quem é Amrita Jones, artista cearense que une música, dança e astronomia
Cearense transita entre cinema, música e dança em uma pesquisa artística que aproxima frequências sonoras, corpo e astronomia
Por Carolina Passos
Notícia
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Atualizado às 14:44, 07/11/2026 | Publicado às 11:00, 07/11/2026
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Resumo
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Natural de Fortaleza, Amrita Jones desenvolve trabalhos que transitam entre música, cinema, artes sonoras e visuais, dança e performance.
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Com 15 anos de experiência no audiovisual, a artista passou a se dedicar também à dança contemporânea e à pesquisa sobre frequências sonoras.
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Lançado em 2026, o primeiro álbum, “Na Velocidade da Alma", reúne composições iniciadas em 2016 e reflete experiências pessoais e processos de autoconhecimento.
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Entre os próximos projetos estão novas músicas, apresentações do Soft Fúria e pesquisas que aproximam dança, astronomia e ondas eletromagnéticas.
Antes de chegar à música, Amrita Jones aprendeu a escutar o mundo. Pelas ruas de Fortaleza, entre o barulho do trânsito, o canto dos pássaros e o som do mar, a artista encontrou matéria para uma investigação que atravessa diferentes momentos de sua trajetória.
O som, que durante 15 anos esteve ligado ao seu trabalho no cinema, tornou-se também um caminho para experimentar o corpo, a dança e outras possibilidades de criação.
Leia também | Sandy&Junior anunciam data de divulgação de nova turnê; entenda Em 2026, esse percurso ganhou um novo capítulo com o lançamento de "Na Velocidade da Alma", seu primeiro álbum autoral.
Nascida e criada em Fortaleza, Amrita estudou Cinema na Vila das Artes e construiu uma carreira no audiovisual, trabalhando com som direto, edição, mixagem, trilhas sonoras e instalações sonoras.
Embora a música estivesse presente desde a adolescência, foi nesse ambiente que começou a desenvolver profissionalmente sua relação com a arte.
A investigação sonora também a levou a observar a paisagem da Cidade de outra maneira. Em caminhadas que chama de derivas sonoras, registrava os ruídos do cotidiano e deixava que os próprios sons conduzissem seus percursos.
Muitas vezes, o trajeto entre o ambiente urbano e a paisagem marítima terminava diante do mar, espaço que reconhece como um lugar de encontro consigo mesma.
"Fiz algumas derivas sonoras captando sons por Fortaleza e o entorno sonoro sempre influenciou meu trabalho. O foco no som dos pássaros junto ao som do trânsito. Nas derivas, me deixava ser guiada por sonoridades e, saindo do som do caos urbano, sempre acabava chegando ao som do mar. O grande ruído branco do planeta Terra", conta.
Quando o som encontra o corpo
A dança entrou de maneira mais intensa em sua trajetória em 2023, quando começou a estudar a vertente contemporânea.
A experiência provocou mudanças na rotina e na própria maneira de compreender sua produção artística. Entre jornadas de trabalho no cinema e aulas no Theatro José de Alencar, Amrita passou a dedicar cada vez mais espaço ao movimento. Em 2025, decidiu fazer uma pausa na carreira como sound designer para se concentrar na dança.
A aproximação entre som e corpo, no entanto, já vinha de outras experiências. Em 2019, durante um período pessoal desafiador, criou a instalação "Cratera Lunar", trabalho que reuniu imagens da Lua, sons dos quatro elementos da natureza e instrumentos terapêuticos.
Foi durante essa pesquisa que conheceu a frequência de 432 hertz, que passou a integrar suas experimentações.
"Naquele momento, eu estava buscando minha própria cura interna, pois estava passando por um momento bem desafiador na minha vida pessoal", diz.
"Na pesquisa dessa instalação, descobri sobre a frequência 432 hertz, a frequência que vibra na natureza. Assim, captei sons dos quatro elementos da natureza: água, terra, ar e fogo, e criei um desenho sonoro mesclando esses sons aos instrumentos terapêuticos", explica.
Mais tarde, durante a pandemia, criou com Jaguar o projeto Soft Fúria, no qual investigou como frequências sonoras poderiam despertar movimentos e sensações.
A proposta aproximou a pesquisa sonora da dança vogue, buscando novas possibilidades de expressão corporal.
A astronomia também ocupa espaço nesse universo criativo. Apaixonada pela observação do céu desde jovem, Amrita encontra nas constelações, nas galáxias e nos movimentos dos astros inspiração para suas pesquisas.
Uma das experiências que marcaram esse interesse foi dançar ao som do gongo enquanto imaginava Andrômeda, explorando os movimentos que aquela frequência poderia despertar em seu corpo.
Entre os projetos que deseja desenvolver está Vênus Dança, investigação que pretende reunir registros do planeta e de suas ondas eletromagnéticas para transformá-los em material de pesquisa corporal e artística.
"Tenho um projeto de pesquisa sobre as ondas de rádio eletromagnéticas emitidas pelos astros e quero investigar as ondas de Vênus, porque é o planeta que rege o amor. Para mim, uma superfonte de força para existir vem das manifestações de amor. O projeto se chama Vênus Dança e vou filmar diariamente seu ciclo de nove meses ao redor do Sol", adianta.
A música como encontro consigo mesma
O primeiro álbum, Na Velocidade da Alma, começou a ganhar forma em 2016, quando Amrita compôs a primeira canção durante uma corrida pelas ruas. Estava atrasada, mas interrompeu o percurso para anotar a letra que havia surgido.
A melodia veio pouco depois. As gravações, porém, só começaram em 2024, durante uma temporada em Nova York, onde participou de um curso de dança moderna na escola de Martha Graham.
No último dia da formação, gravou os pianos que integram o disco. As demais faixas foram produzidas no Brasil, com sua banda, no estúdio Casa Sônica.
Ao longo dos dois anos de produção, o trabalho também foi atravessado por experiências pessoais.
A artista quebrou o braço durante o processo, e a recuperação acabou incorporada à narrativa do álbum, inclusive no clipe da música que dá nome ao projeto.
Mais do que reunir composições antigas, o disco representa um momento de exposição e reconhecimento da própria identidade. Amrita conta que, por muito tempo, cantar foi uma experiência íntima.
Sendo a primeira e única artista da família, também enfrentou dificuldades para expressar suas escolhas e compreender seu lugar no ambiente familiar.
"Sinto que foi um grande processo de cura e de liberação emocional partilhar esse álbum com o mundo. O autoconhecimento foi uma grande motivação, porque estava buscando esse encontro comigo mesma, com o meu ser. Sou a primeira e única artista da minha família e sempre me senti incompreendida no meu âmbito familiar, mesmo minha família tendo sua forma de me apoiar", relata.
A dança, nesse sentido, abriu espaço para que as músicas guardadas encontrassem o mundo. O álbum reúne referências da MPB, do rock, do pop e do jazz, com influências de artistas como Gal Costa, Gilberto Gil, Elis Regina, Ney Matogrosso, Kate Bush e Madonna.
Cada pessoa tem seu próprio tempo
O título do álbum também traduz uma das ideias que orientam a produção da artista. Para Amrita, cada pessoa tem um tempo particular para descobrir e manifestar sua existência.
Por isso, não espera que as canções sejam recebidas de uma única maneira. A experiência de escuta depende da relação que cada indivíduo estabelece com a música.
A intenção é estimular uma conexão com a própria essência, entendendo que esse reconhecimento também pode reverberar na coletividade.
A artista aproxima essa ideia das frequências sonoras: diferentes vibrações que, quando se encontram, formam novas possibilidades.
"Sinto que o significado principal é de que cada pessoa tem seu próprio tempo em manifestar o que veio fazer aqui nesse plano físico material. E sinto que existe uma intenção no que canto em minhas canções ou como toco os pianos; e como vai chegar ao público é muito particular de cada ume. O que espero do público é que parem para sentir a vibração", afirma.
Depois do primeiro álbum, Amrita pretende aprofundar a integração entre música e dança. Já trabalha em novas composições, com sonoridades mais dançantes, e deseja ampliar as apresentações do Soft Fúria.
Também estão entre seus trabalhos recentes o clipe de Great Mystery e os próximos lançamentos audiovisuais de Adaggio en lá menor e Amor ligeiro.
Entre o cinema, a música, a dança e a observação do universo, a artista segue construindo uma produção que não se limita a uma única linguagem. O som continua sendo o ponto de partida, mas é no encontro com o corpo e com as experiências da vida que Amrita encontra novas formas de transformar suas inquietações em arte.
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