Saúde e Bem-estarTerra Yanomami não registra óbitos por malária no primeiro semestre de 2026 Dados do Ministério da Saúde apontam redução de 27,2% no total de mortes em comparação com 2023; casos de malária caíram 50,8% no território indígena, localizado entre Roraima e Amazonas
A Terra Indígena Yanomami, que abrange áreas de Roraima e do Amazonas, não registrou mortes por malária no primeiro semestre de 2026. O período também foi marcado pela redução de 27,2% no número total de óbitos e pela queda de 73,5% nas mortes por desnutrição, em comparação com os primeiros seis meses de 2023, quando foi declarada Emergência em Saúde Pública no território.
Os dados fazem parte do Informe 10 da Missão Yanomami, divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (4), com o balanço dos indicadores de saúde e das ações realizadas entre janeiro e junho deste ano.
De acordo com o levantamento, o número total de mortes caiu de 217, no primeiro semestre de 2023, para 158 no mesmo período de 2026. Depois da redução registrada em 2024, quando foram contabilizados 159 óbitos, os números permaneceram relativamente estáveis: 157 em 2025 e 158 em 2026.
Outro resultado destacado foi a redução de 40,8% nas mortes provocadas por infecções respiratórias agudas.
Casos de malária caem pela metade
No primeiro semestre de 2026, foram registrados 6.891 casos de malária na Terra Indígena Yanomami, uma redução de 50,8% em relação aos 14.018 casos notificados no mesmo período de 2023.
A queda ocorreu mesmo com o aumento da capacidade de diagnóstico. Foram realizados 145.715 exames para detectar a doença nos primeiros seis meses deste ano, crescimento de 85% em comparação com 2023, quando foram contabilizados 78.777 exames.
Entre as estratégias de enfrentamento estão a ampliação da testagem, a busca ativa de pacientes e o início oportuno do tratamento. Também houve incorporação da tafenoquina e da versão pediátrica do medicamento, administradas em dose única para pacientes elegíveis com malária causada pelo Plasmodium vivax.
Vacinação infantil apresenta avanço
A vacinação também apresentou crescimento no território. O número de doses aplicadas passou de 16.845, no primeiro semestre de 2023, para 34.817 em 2026, um aumento de 106,7%.
Entre as crianças menores de um ano, a proporção com esquema vacinal completo subiu de 32,2% para 56,2%. Já entre as crianças menores de cinco anos, a cobertura passou de 53,5% para 78,4% no mesmo intervalo.
Na área nutricional, o acompanhamento infantil aumentou de 63,4% para 85,1%. O percentual de crianças com muito baixo peso também diminuiu, passando de 23,8% para 17,4%.
Atendimentos respiratórios aumentaram
O relatório também aponta crescimento expressivo na assistência a pacientes com infecções respiratórias agudas (IRAs). Foram registrados 14.491 atendimentos no primeiro semestre de 2026, contra 3.100 no mesmo período de 2023, um aumento de 367%.
Apesar da ampliação dos registros, a letalidade por essas infecções caiu de 1,58% para 0,20%, indicando redução da proporção de mortes entre os casos atendidos.
Estrutura de saúde foi ampliada
A assistência no território também recebeu reforço na estrutura e no número de profissionais. O efetivo passou de 690 trabalhadores, em 2023, para 2.107 em 2026, crescimento de 205%.
Sete polos-base foram reabertos. Atualmente, os 37 polos-base e as 40 Unidades Básicas de Saúde Indígena do território estão em funcionamento. Entre 2023 e junho de 2026, foram concluídas 34 construções e nove reformas de estabelecimentos de saúde.
Outro destaque é o Centro de Referência em Saúde Indígena de Surucucu, entregue em setembro de 2025. Até junho de 2026, a unidade havia realizado 6.128 atendimentos ambulatoriais e 2.536 exames laboratoriais.
No mesmo período, 82,9% das remoções de pacientes da região foram direcionadas ao centro, ampliando a capacidade de atendimento dentro do próprio território indígena.
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