Campo Grande News
Fios soltos pioram combo de problemas dos bairros periféricos ao Centro
Fios soltos, furtos de cabos, árvores com galhos presos à rede elétrica e ruas esburacadas formam um combo de problemas que afeta moradores de diferentes regiões de Campo Grande. Do Bairro Colibri I ao Eparque, passando pela região central, os relatos mostram que a fiação abandonada se tornou motivo de preocupação e, em alguns casos, se mistura a problemas de infraestrutura e segurança. As denúncias chegaram ao Campo Grande News neste sábado (7), em resposta à campanha que o portal realiza para identificar cabos soltos e cobrar providências dos responsáveis. A campanha Tem fio solto na sua rua? começou na quinta-feira (5) e já recebeu registros de diferentes bairros. São imagens e relatos de fios pendurados, caídos nas calçadas ou emaranhados nos postes. A iniciativa busca dar visibilidade aos riscos e reunir informações para cobrar soluções das concessionárias de serviços delegados, operadoras de telecomunicações e do Poder Público. Galhos e cabos - No Bairro Colibri I, a vendedora Cleófas Oliveira, de 66 anos, convive há oito anos com problemas na Rua Manoel Alexandre da Silva, entre as ruas Mainá e Eduardo Razuk Jorge. Ela relata que fios ficam pendurados nos postes e se misturam aos galhos de árvores antigas e de grande porte, que representam outro risco para os moradores. Segundo Cleófas, durante os vendavais, galhos se quebram e ficam presos à fiação. Na esquina de sua casa, um galho seco de grandes proporções permanece enganchado nos cabos. A moradora conta que, no ano passado, uma árvore caiu durante uma chuva acompanhada de vento. A queda não atingiu casas nem veículos, mas deixou a rua interditada até que a Prefeitura retirasse os restos da árvore. Outra preocupação são os fios que ela acredita terem sido abandonados por operadoras de internet. Cleófas afirma que, durante a instalação de novos serviços, cabos antigos podem permanecer pendurados ou caídos. Em uma ocasião, encontrou um fio tão baixo na entrada de sua garagem que não conseguia passar com o carro. Sem saber a quem recorrer, pediu a um vizinho que cortasse e enrolasse o cabo. "A gente que é leiga não dá para entender se é fio de energia ou de internet que fica frouxo", comenta. Para ela, as empresas deveriam identificar os cabos sem utilização e providenciar a retirada, enquanto os órgãos responsáveis precisariam avaliar as árvores que oferecem risco. Prejuízo no asfalto - Os problemas no Colibri I não se limitam à fiação. Cleófas reclama que as ruas do bairro estão tomadas por buracos, que dificultam a circulação de veículos e provocam prejuízos aos motoristas. Ela mesma teve o carro danificado ao passar sobre uma pedra colocada dentro de um buraco na Rua Manoel Alexandre da Silva. O objeto havia sido deixado no local, aparentemente, na tentativa de amenizar o problema. "Estava andando à noite e não vi a pedra, enroscando por baixo do carro e me dando prejuízo", relata. A vendedora afirma que desviar dos buracos se tornou uma tarefa difícil. "Quando desvia de um buraco, cai em outro", resume. Além dos transtornos, a moradora critica a dificuldade de conseguir atendimento para resolver os problemas. Segundo ela, os moradores ficam sem saber a quem cobrar providências. "Se for na Prefeitura cobrar sobre as árvores, eles falam que é papel da Energisa. Se falar com a Energisa, eles falam que a Prefeitura é responsável", reclama. A moradora também cobra manutenção nos bairros, não apenas nas regiões mais movimentadas da cidade. "Pago imposto de IPTU todo ano e exijo que minha rua seja bem cuidada", afirma. Escuro - No E-parque, residencial vizinho ao Portal Caiobá, o problema envolve o furto de fios da rede elétrica. Segundo a moradora, parte dos cabos da rede foi furtada, comprometendo a iluminação pública. "A gente chega cheia de esperanças. Mas quando anoitece vem a primeira frustração", relata. Ela pede providências para recuperar a iluminação das ruas, comprometida, segundo seu relato, pelo furto dos fios. Problema antigo - Na região central, a situação é diferente, mas a reclamação também envolve a falta de manutenção da fiação. Um morador da esquina das ruas Amazonas e Brasil, que enviou informações ao Campo Grande News, afirma conviver há oito anos com cabos soltos e emaranhados nos postes. Segundo ele, os fios frequentemente ficam espalhados pelo chão. Quando alguém aparece para resolver o problema, a solução costuma ser improvisada e não dura muito tempo. "Os fios sempre estão pelo chão. Pessoal vem ali, faz uma gambiarra, amarra de qualquer jeito. Depois cai de novo", relata. O morador descreve a quantidade de cabos como um emaranhado que compromete a aparência da esquina e causa preocupação. "É um emaranhado de fio, uma emboleira, coisa mais horrível do mundo", define. Para ele, é necessário fazer uma vistoria para identificar quais cabos ainda estão em funcionamento e quais foram abandonados pelas empresas responsáveis. "A solução é fazer realmente uma avaliação e ver sobre a necessidade desses fios, porque, ao que parece, muitos ali estão soltos, sem ligação na rede. Fazer a limpeza dos fios em desuso e manutenção dos que estão ligados à rede", sugere. O morador elogia a iniciativa do Campo Grande News de reunir as denúncias e dar visibilidade às situações encontradas pela população. "Muito importante essa visibilidade por parte da mídia. Isso faz com que chegue com mais força aos responsáveis por encontrarem uma solução", avalia. O Campo Grande News lançou a campanha "Tem fio solto na sua rua? " para reunir denúncias de cabos abandonados e cobrar soluções. Em menos de dois dias, além dos casos citados acima, o portal recebeu registros de bairros como Tiradentes, Jardim Colúmbia, Jardim dos Estados, Vila Dr. Albuquerque e Arnaldo Estevão de Figueiredo, além de ruas da região central. A iniciativa surgiu diante da repetição de situações de risco envolvendo fios soltos. Em setembro, um motociclista sofreu ferimentos no pescoço ao ser atingido por um cabo de telefonia na Avenida Nosso Senhor do Bonfim, na região do Parque Novos Estados. Os registros mostram que o problema não se restringe às regiões mais afastadas. Há cabos pendurados em avenidas movimentadas, fios espalhados pelas calçadas e emaranhados presos a árvores e postes. A identificação dos responsáveis é uma das dificuldades enfrentadas pelos moradores. Sem conhecimento técnico, não é possível distinguir com segurança os fios da rede elétrica daqueles pertencentes às operadoras de telefonia e internet. Por isso, a orientação é não tocar, cortar ou tentar retirar cabos caídos, mesmo quando aparentam estar desligados. Em situações de risco imediato, a distribuidora de energia deve ser acionada. Se forem cabos de telefonia e internet, a operadora responsável deve ser acionada, o que acaba dificultando a vida do cidadão, pois há uma variedade enorme de empresas atuando. Caso a pessoa tenha conseguido identificar a empresa, fazer a solicitação e não for atendida, pode acionar a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A campanha continua recebendo fotos, vídeos e relatos pelo WhatsApp do Direto das Ruas, no número (67) 99669-9563. Os moradores devem informar a rua, o bairro e um ponto de referência para ajudar na localização. Orientação - Em relação aos buracos, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou que, em 2026, a Operação Tapa-Buraco fez 273.016 reparos na malha viária das sete regiões urbanas da Capital. A população pode solicitar serviços de manutenção viária e de iluminação pública pelo telefone 156 ou pelo aplicativo +CG, informou a Prefeitura.
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