O Diário de SP
07/11/2026 16:30

Lula planeja 40 ministérios para 2027 e pode bater recorde histórico de Dilma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia iniciar seu quarto mandato, em janeiro de 2027, com até 40 ministérios, o maior número desde a redemocratização do país. A ampliação da estrutura federal, que atualmente reúne 38 pastas, envolve propostas de criação de ministérios para Segurança Pública e políticas voltadas à população idosa, além de negociações com partidos aliados para a formação da nova equipe de governo. Caso a mudança seja concretizada, Lula ultrapassará o recorde de 39 ministérios registrado durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O planejamento ocorre menos de duas semanas após a reeleição presidencial de 25 de outubro e integra as articulações para a composição do governo que assumirá em 2027. Além de definir os titulares das principais áreas da administração federal, Lula precisará negociar apoio político em um Congresso com presença expressiva de partidos de centro e de oposição.

A previsão de alcançar 40 ministérios representa a continuidade da expansão promovida durante o terceiro mandato. Em janeiro de 2023, Lula iniciou sua gestão com 37 pastas. O número subiu para 38 após mudanças administrativas realizadas naquele ano, incluindo a criação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.

O histórico mostra uma variação significativa na organização dos governos federais desde 1985. Fernando Collor iniciou seu mandato, em 1990, com 16 ministérios. Fernando Henrique Cardoso chegou a 30, enquanto Michel Temer contou com até 29 e Jair Bolsonaro, com 23. Dilma Rousseff alcançou 39 pastas em seu segundo governo, marca que poderá ser superada por Lula.

Esses números consideram os períodos de maior estrutura ministerial de cada administração, conforme o critério do levantamento histórico. Por essa razão, não correspondem necessariamente à quantidade existente no primeiro dia de cada mandato.

Uma das mudanças mais avançadas é a proposta de criação do Ministério da Segurança Pública, que seria separado do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública. O presidente já havia defendido a formação de uma estrutura própria para o setor, com o objetivo de ampliar a coordenação federal das políticas de enfrentamento à criminalidade.

A iniciativa ganhou força após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025 pelo Senado, na terça-feira (3). O texto recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários, e segue para promulgação.

A proposta amplia a integração entre os órgãos de segurança, fortalece a atuação federal contra organizações criminosas e inclui novas disposições sobre o Sistema Único de Segurança Pública. Também estabelece mecanismos de cooperação entre União, estados e municípios, além de medidas para ampliar o financiamento do setor.

A aprovação da PEC, entretanto, não cria automaticamente o novo ministério. A reorganização da estrutura administrativa federal depende de medidas específicas do Poder Executivo e dos procedimentos legislativos aplicáveis.

Com o desmembramento da Justiça, o governo passaria dos atuais 38 para 39 ministérios, igualando a marca registrada durante a administração Dilma.

A possibilidade de alcançar 40 pastas depende de outra proposta em discussão no Palácio do Planalto: a criação do Ministério do Idoso.

A ideia está em estágio preliminar e busca estabelecer uma estrutura dedicada à formulação e à coordenação de políticas públicas relacionadas ao envelhecimento da população brasileira. Entre os possíveis campos de atuação estão a proteção de direitos, a articulação de políticas de saúde e assistência social e a melhoria dos serviços destinados à terceira idade.

Até o momento, não há anúncio formal sobre a criação da pasta, definição de competências ou indicação de um possível titular.

Uma terceira possibilidade envolve a área de Comunicação Digital, discutida para acompanhar temas relacionados às plataformas digitais e à comunicação do governo. A proposta, porém, está em uma etapa ainda mais inicial e poderá resultar em uma estrutura subordinada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, sem necessariamente representar a criação de outro ministério.

Além das mudanças administrativas, a reformulação ministerial está diretamente ligada à negociação por apoio político no Congresso Nacional.

O presidente do PT, Edinho Silva, iniciou conversas com dirigentes de partidos como MDB, PSD, PSB e União Brasil para discutir a composição do próximo governo. As tratativas envolvem propostas de atuação para os ministérios e estimativas de apoio parlamentar que cada legenda poderá oferecer à administração federal.

A busca por uma base de sustentação será determinante para a aprovação de medidas econômicas, alterações legislativas e projetos prioritários do Executivo. Nesse cenário, a distribuição de ministérios pode funcionar como instrumento de negociação política, embora a definição dos ocupantes dependa da decisão final do presidente.

Segundo informações divulgadas sobre as articulações, Lula pretende avaliar pessoalmente as indicações partidárias e exigir propostas de gestão dos nomes apresentados. A expectativa de aliados é que a formação do primeiro escalão esteja encaminhada até 20 de dezembro.

A reorganização também envolve mudanças em postos estratégicos da administração federal, especialmente na área econômica.

Entre os nomes mencionados nas articulações está o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), considerado uma possibilidade para o Ministério da Fazenda. O senador Camilo Santana (PT-CE) também aparece nas discussões para a Casa Civil, enquanto Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento, é apontado como um nome de confiança de Lula.

O presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, voltou a ser lembrado para a Fazenda. O executivo já havia sido convidado por Dilma Rousseff em 2014 para integrar o governo, mas recusou a proposta.

Fernando Haddad, que comandou a Fazenda durante o terceiro mandato de Lula, também aparece nas conversas sobre a formação do novo governo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é mencionado em especulações envolvendo as pastas da Fazenda e da Defesa.

Nenhuma dessas possibilidades representa uma nomeação confirmada, e não há anúncio formal conhecido de convites aos nomes citados.

O aumento do número de ministérios também deverá ampliar a discussão sobre os custos da administração federal e os impactos da reforma no Orçamento de 2027.

A criação de uma pasta pode envolver novos gabinetes, equipes administrativas, cargos de direção, estruturas de apoio e despesas operacionais. Entretanto, o impacto financeiro depende do modelo adotado e da possibilidade de aproveitar servidores, instalações e recursos já existentes em outros órgãos.

Integrantes do governo defendem que a separação entre Justiça e Segurança Pública poderia ser realizada sem aumento significativo dos gastos com pessoal, além da criação do cargo de ministro.

Essa projeção ainda precisa ser confrontada com os atos de reorganização administrativa e seus respectivos demonstrativos orçamentários.

A quantidade de ministérios, isoladamente, não permite determinar o custo total de um governo ou sua eficiência administrativa. Para avaliar o impacto fiscal da expansão, será necessário verificar os cargos efetivamente criados, as despesas adicionais, os recursos remanejados e as mudanças nas atribuições de cada órgão.

Lula já defendeu publicamente uma estrutura ministerial mais ampla, argumentando que a divisão de responsabilidades permite maior especialização na condução das políticas públicas.

Em janeiro de 2026, o presidente afirmou que a redução excessiva do número de ministérios poderia comprometer a capacidade de atuação do governo, associando a existência de pastas específicas à necessidade de atender diferentes áreas da administração.

A posição contrasta com a defesa de estruturas mais enxutas, geralmente associada ao argumento de redução de despesas e simplificação da gestão pública.

O debate sobre o tamanho da Esplanada, contudo, ultrapassa a comparação numérica entre governos. A definição de novas pastas envolve decisões sobre prioridades administrativas, distribuição de recursos públicos e capacidade de coordenação das políticas federais.

Com o início do quarto mandato previsto para janeiro de 2027, Lula terá de conciliar a promessa de ampliar a atenção a áreas como segurança pública e envelhecimento populacional com as negociações políticas e as limitações fiscais previstas para o próximo ano.

A confirmação de 40 ministérios dependerá da aprovação das mudanças administrativas necessárias e da decisão final do presidente sobre a estrutura de seu novo governo.

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