Tribuna do Norte
07/11/2026 17:30

RN07 de novembro de 2026Acari Cidade da Moda prepara seleção de empresas para ocupar galpões

Redação Tribuna do Norte • 07 de novembro de 2026 • 17h00

Cada galpão pode comportar 80 trabalhadores no chão de fábrica. Com os sete já construídos, a estimativa é de 560 pessoas diretamente na produção. Foto: Jobel Araújo

Anthony Medeiros
Colaborador no Seridó

O projeto Acari Cidade da Moda, no Seridó potiguar, começa a entrar em uma etapa decisiva para deixar de ser apenas uma estrutura física em construção e passar a funcionar como um ambiente de produção e comercialização de roupas no Seridó potiguar. Com sete galpões industriais concluídos, o empreendimento trabalha com a perspectiva de gerar até 800 empregos diretos quando os dez espaços previstos estiverem ocupados e em plena atividade. Antes disso, a Prefeitura de Acari precisa concluir os procedimentos para selecionar as empresas que terão direito de utilizar os equipamentos.

A discussão sobre o funcionamento do complexo ganhou um novo capítulo na quarta-feira (4), quando foi realizada a primeira reunião do Comitê Executivo do Cidade da Moda, no auditório da Prefeitura de Acari. O encontro reuniu representantes da administração municipal, do Sebrae, do Senac, da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), da Fecomércio, da Câmara de Dirigentes Lojistas local (CDL) e da Associação Seridoense de Confecções (Asconf), entre outras instituições ligadas ao setor produtivo.

A criação do comitê busca estabelecer uma atuação conjunta na condução do projeto. Na reunião, foram discutidos aspectos relacionados à governança, à modelagem de negócios e às formas de apoiar os empreendedores interessados em ocupar os galpões. A participação de instituições ligadas à indústria, ao comércio e à qualificação profissional também pretende aproximar o empreendimento das necessidades reais do mercado.

Um dos principais desafios agora é definir como as empresas vão se instalar e desenvolver suas atividades. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Acari, Diogo Bezerra, os sete primeiros galpões estão fisicamente concluídos, mas a utilização dos espaços depende da publicação de um edital de licitação. O documento está em fase final de elaboração e precisa contemplar os critérios que serão exigidos dos interessados.

“Entre as condições previstas está a exigência de que as empresas tenham marca própria, ainda que a produção também seja destinada à prestação de serviços para outras marcas. A ideia é evitar que o complexo funcione exclusivamente como um conjunto de oficinas terceirizadas e estimular o desenvolvimento de produtos com identidade comercial própria”, afirma Diogo Bezerra, vereador licenciado e secretário municipal de desenvolvimento econômico e turismo.

Outro critério discutido é a limitação de até dois galpões por empresa, de modo a permitir a participação de mais empreendedores. A previsão de geração de empregos considera a capacidade de ocupação dos espaços. Segundo o secretário, cada galpão pode comportar aproximadamente 80 trabalhadores no chão de fábrica. Com os sete já construídos, a estimativa é de cerca de 560 pessoas diretamente na produção. Quando considerados setores administrativos e outras funções de apoio, esse número pode se aproximar de 600 postos de trabalho nessa primeira etapa.

A expectativa para os dez galpões é chegar a até 800 empregos diretos. O secretário ressalta, no entanto, que os números dependem do perfil das empresas selecionadas e da utilização que cada uma fará da estrutura. Os números também representam uma revisão em relação às primeiras projeções do projeto. Estudos realizados entre 2019 e 2020 estimavam que os dez galpões poderiam gerar também aproximadamente três mil empregos indiretos.

Diogo explica que o cenário do setor mudou desde então, principalmente com o crescimento do comércio eletrônico e as transformações provocadas pela pandemia. Por isso, a gestão pretende solicitar um novo estudo para dimensionar o impacto do empreendimento sobre o mercado de trabalho.

Diogo Bezerra, secretário de Desenvolvimento: “Empresas devem ter marca própria”. Foto: Reprodução

Empresas estão animadas com espaço

A aposta no Cidade da Moda parte de uma atividade que já tem presença significativa na economia de Acari. Segundo dados apresentados por Diogo Bezerra, o município chegou a registrar aproximadamente 500 pessoas empregadas formalmente nas oficinas de costura, número que atualmente permanece próximo de 500 trabalhadores, embora parte deles esteja fora da formalidade. Mais de 400 continuam com vínculo formal.
O secretário atribui à expansão do setor, iniciada com maior intensidade a partir de 2021, mudanças também no comércio local. Nesse período, duas redes de supermercados chegaram ao município, gerando cerca de 80 empregos, enquanto outros segmentos, como bares, sorveterias, salões de beleza e barbearias, também registraram crescimento.

Esse movimento também desperta o interesse de empresas de outros estados. Um dos exemplos é a Jana Jour, indústria cearense com mais de 30 anos de atuação no mercado e aproximadamente mil funcionários. A empresa começou a operar no Rio Grande do Norte há pouco mais de dois anos, inicialmente por meio da contratação de oficinas locais, e depois passou a investir em unidades próprias.

Atualmente, a Jana Jour mantém uma oficina em Acari, com 35 funcionários, e outra em Florânia, com 45 trabalhadores. Representante da empresa, Abel Bezerra, coordenador administrativo, afirma que o empreendimento despertou o interesse dos proprietários desde os primeiros contatos com a região. Para ele, a estrutura do Cidade da Moda poderá facilitar a aproximação com outras marcas e ampliar as possibilidades de negócios.

“Se tivesse como produzir o dobro, a gente iria. Lançou o edital, estaremos lá no dia seguinte”, afirmou Abel, ao manifestar o interesse da Jana Jour em participar da seleção dos galpões.

Na avaliação do representante, a região já possui uma capacidade produtiva consolidada, com trabalhadores e oficinas que atendem às exigências de qualidade e entrega do mercado. O desafio, segundo ele, está em ampliar as oportunidades comerciais e aproveitar a infraestrutura para estabelecer novas relações com empresas do segmento têxtil.

A expectativa da empresa é que a instalação no complexo também permita ampliar o número de trabalhadores e diversificar suas atividades. A ideia é aproveitar a disponibilidade de mão de obra de Acari e dos municípios próximos, incluindo funções na produção, administração, inspeção de qualidade e conferência de mercadorias.
Representantes do Senac, durante a reunião do comitê, apontaram a necessidade de desenvolver um planejamento comercial para o complexo. A instituição trabalha com a perspectiva de contribuir em diferentes etapas da cadeia da moda, desde o design até a produção e a comercialização.

A proposta do Cidade da Moda, portanto, envolve uma mudança gradual no perfil da atividade econômica local. A prestação de serviços de costura continuará tendo espaço, mas a gestão pretende estimular a criação de marcas próprias, a ampliação dos canais de venda e a realização de eventos comerciais. A ocupação dos galpões será o primeiro passo para testar esse modelo e avaliar a capacidade do empreendimento de atrair novos investimentos para Acari e o Seridó.

Edital vai selecionar as empresas

O processo de ocupação também tem um cronograma próprio. Após a publicação, o edital deverá permanecer aberto por pelo menos 30 dias. Em seguida, serão analisadas as propostas apresentadas pelas empresas. De acordo com o secretário, um procedimento dessa natureza costuma ser concluído entre 60 e 75 dias, podendo chegar a 90 dias em situações que envolvam questionamentos ou disputas entre os participantes.

A utilização dos espaços será feita por meio de cessão onerosa, modalidade em que uma empresa recebe autorização para utilizar um bem público mediante pagamento. A intenção da Prefeitura é estabelecer valores acessíveis, sem transformar o custo de ocupação em uma barreira para os empreendedores. Os recursos arrecadados deverão ser destinados à manutenção e ao reinvestimento no próprio complexo.

Além dos dez galpões, o local também contará com um centro de eventos, áreas de convivência e lojas que também serão ocupadas por empresas interessadas em trabalhar o comércio dos produtos produzidos no complexo ou em outras oficinas.

Sobre o espaço de eventos, a capacidade será de até 300 pessoas sentadas em parte de sua área, além de um espaço aberto destinado a desfiles, convenções e outras atividades. Na parte frontal do complexo também estão previstas dez lojas.

A expectativa é que a entrada em funcionamento dos primeiros galpões permita iniciar uma nova fase do projeto, enquanto as demais estruturas avançam. A entrega parcial, que havia sido prevista para setembro, não ocorreu no período inicialmente anunciado. Segundo o secretário Diogo Bezerra, a decisão de não antecipar a disponibilização dos galpões está relacionada à necessidade de concluir os procedimentos administrativos e definir adequadamente as regras de ocupação.

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