CV cobrava R$ 1,50 por garrafão vendido em comunidades de Fortaleza
Cinco suspeitos de extorquir e ameaçar comerciantes em comunidades do bairro Parque Dois Irmãos foram presos pela Polícia Civil nesta sexta-feira, 6
Por Lucas Barbosa
Notícia
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Atualizado às 17:06, 07/11/2026 | Publicado às 17:05, 07/11/2026
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Resumo
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Polícia Civil prendeu 5 suspeitos de integrar o CV e extorquir comerciantes de água em Fortaleza.
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A facção cobrava R$ 1,50 por cada garrafão de água vendido em comunidades do bairro Parque Dois Irmãos.
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Daniel Trator e Mikael Mixaria foram apontados como chefes do esquema e executores das ameaças.
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A Justiça decretou a prisão preventiva dos cinco autuados durante a audiência de custódia no sábado.
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Suspeitos alegaram tortura policial na prisão; laudo confirmou lesões em um dos acusados.
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Segundo a apuração policial, as extorsões praticadas pelos criminosos se concentravam nas comunidades da Rosalina, Riacho Doce e Jardim União I e II.
De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante (APF), desde segunda-feira, 2, os faccionados estavam condicionando a comercialização de água mineral ao pagamento aos "frentes" da facção no chamado Complexo da Rosalina.
Mikael Melo Moreira, conhecido como "Mixaria", e um outro homem identificado apenas como "Baixinho" foram apontados como os autores das ameaças aos comerciantes, que ocorriam tanto por meio de mensagens e telefonemas, quanto presencialmente.
Já Daniel Oliveira da Silva, o "Daniel Trator", seria o chefe do CV na região e teria "arrendado" aos outros dois suspeitos o controle da área. Daniel já integrou a lista dos Mais Procurados do Ceará, mas foi solto mediante monitoramento por tornzeleira eletrônica.
Nesta sexta-feira, policiais da Draco montaram campana nas imediações de uma distribuidora do bairro Parangaba após uma testemunha informar que faccionados buscariam uma carga de garrafões de água mineral para distribuir no Parque Dois Irmãos.
Os policiais flagraram o carro descrito pela fonte, modelo Volkswagen Polo, transportando 90 garrafões em um reboque. O veículo foi abordado na avenida Bernardo Manuel, ocasião em que foram presos Mikael e outros três homens: Wesley Ferreira Gomes, Francisco Emídio de Araújo e Antônio Ebervan Santos da Silva.
Paralelamente, em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, policiais foram até uma casa no bairro Mal Cozinhado e efetuaram a prisão de Daniel Trator.
Suspeitos negam o crime
Ainda conforme o APF, todos os autuados negaram envolvimento com o Comando Vermelho. Mikael afirmou que estava em casa no momento da abordagem, que o veículo no qual os suspeitos trafegavam pertence à sua companheira e que o seu cunhado utilizou o automóvel para comprar água.
Ele também afirmou que tem um comércio na Rosalina, onde revende garrafões. Francisco Emídio disse ser comerciante desde 2019 e que acompanhava Mikael na compra da água. O suspeito também contou que Antônio Ebervan e Wesley são seus empregados.
Já Daniel negou ser conhecido como "Daniel Trator", disse trabalhar em obras e afirmou que não conhecia os demais presos.
Suspeitos têm prisão preventiva decretada
Os cinco suspeitos presos em flagrante tiveram a prisão preventiva decretada em audiência de custódia realizada neste sábado, 7. Entre os indícios de vinculação dos autuados com o CV, a juíza Giselli Lima de Sousa Tavares destacou que, já em um inquérito policial de 2018, Mikael era apontado como "segurança" de Daniel.
"A existência do crime e os indícios de autoria decorrem das circunstâncias da prisão (autuados surpreendidos, após vigilância e acompanhamento policial em cumprimento a ordem de missão, transportando carga de água mineral no veículo e na rota previamente indicados por testemunha, no contexto do alegado controle do comércio de água pela facção), (...) e dos depoimentos de três testemunhas sigilosas, uma delas policial militar com atuação na região, que apontam MIKAEL MELO MOREIRA como responsável pela execução das cobranças e pelo controle da distribuição de água na Rosalina, atuando sob as ordens de DANIEL OLIVEIRA DA SILVA, este indicado como liderança do Comando Vermelho na localidade", afirmou a juíza na decisão.
Há indicativos de que, por meio de ameaças a comerciantes, a facção passou a decidir quem pode vender água mineral em comunidades inteiras, a que preço e de qual fornecedor, apropriando-se do acesso da população a um bem essencial à vida, em contexto estadual no qual a mesma prática levou à suspensão de entregas em bairros desta Capital e em municípios do interior, chegando-se, em Banabuiú, à necessidade de escolta policial para a venda de água
Juíza Giselli Lima de Sousa Tavares em decisão de audiência de custódia
Durante a audiência de custódia, os suspeitos presos afirmaram ter sido agredidos pelos policiais civis. Mikael afirmou que foi sufocado com um saco plástico, enquanto Daniel disse que "apanhou".
"Diversamente, o Laudo Pericial nº 2026.0707008 constatou em DANIEL OLIVEIRA DA SILVA edema e equimose na região periorbital esquerda, equimose na região cervical lateral direita e equimoses nos punhos, produzidos por ação contundente, constando ainda do auto de apresentação e apreensão que um de seus aparelhos celulares foi 'quebrado durante a abordagem'", escreveu a juíza na decisão, determinando a apuração das denúncias.
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