O que as fezes indicam sobre a sua saúde
Apesar de ser um assunto frequentemente evitado por vergonha, saber identificar o formato e a consistência do coco ajuda a responder a dúvidas médicas importantes e a reconhecer sinais que exigem atenção
Por Victor Marvyo
Notícia
Usada para todas matérias e reportagens que retratem fatos ou descrevam situações. Matéria baseada em fatos observados e verificados pelo repórter com fontes diversas. Notícias não possuem a opinião do repórter. Quando há análise, deve haver as duas definições: notícia e análise.
Publicado às 08:00, 07/11/2026
Compartilhe esse conteúdo!
Compartilhe também nas redes sociais:
Resumo
-
Observar as fezes antes de dar a descarga é um hábito simples que fornece informações valiosas sobre o funcionamento do sistema digestivo.
-
O padrão considerado saudável possui coloração amarronzada, formato cilíndrico e evacuação sem dor, embora pequenas variações diárias sejam normais.
-
A cor e a consistência podem ser alteradas temporariamente por alimentos como beterraba e espinafre, além do uso de suplementos de ferro ou medicamentos.
-
Sinais de alerta como sangue nas fezes, fezes muito claras ou pretas, diarreia por mais de três semanas e perda involuntária de peso exigem avaliação médica.
-
O bom funcionamento do intestino depende da combinação diária entre consumo de fibras, hidratação adequada e prática de atividades físicas.
Você já esteve em uma consulta médica em que o profissional perguntou sobre a forma ou a consistência das suas fezes e você não soube o que responder? Embora seja um tema pouco debatido no cotidiano por constrangimento, observar o vaso sanitário antes de dar a descarga é um hábito simples que pode fornecer informações valiosas sobre o sistema digestivo e a saúde.
O POVO conversou com especialistas que desmentiram os principais mitos e esclareceram dúvidas sobre o assunto, entre elas a de que as fezes precisam ter exatamente o mesmo formato e aspecto todos os dias.
LEIA MAIS | Prefeitura e ICC vão usar IA para rastrear pacientes com predisposição ao câncer
Desmistificando a "perfeição" intestinal
A médica gastroenterologista Rafaelle Marques Cavalcante explica que o padrão considerado saudável envolve fezes de coloração amarronzada, formato cilíndrico, consistência firme e superfície lisa, eliminadas sem dor ou esforço excessivo.
"Costuma ser um tabu para algumas pessoas observar as fezes. Tenho pacientes que se envergonham quando entro nesse questionamento, mas as fezes são o produto final da nossa digestão e podem dar pistas valiosas na investigação de doenças gastrointestinais", destaca.
Já a nutricionista Iule Almeida Barroso afirma que a alimentação influencia diretamente a consistência e a coloração das fezes. "A quantidade de fibras, de líquidos e o tipo de alimento que a pessoa consome interferem diretamente nisso. E sim, algumas variações são completamente normais. As fezes não precisam ser exatamente iguais todos os dias", afirma.
"Alguns alimentos realmente podem 'tingir' as fezes. Beterraba, por exemplo, pode deixá-las avermelhadas; alimentos verdes, como espinafre e couve, podem deixá-las esverdeadas; e alimentos com corantes também podem mudar bastante a coloração. Mirtilos, por exemplo, podem deixar as fezes bem escuras", exemplifica a nutricionista.
Além da alimentação, suplementos e medicamentos também podem provocar alterações visíveis. O uso de suplementos de ferro pode tornar as fezes mais escuras ou esverdeadas, enquanto medicamentos para proteger o estômago à base de bismuto podem deixá-las pretas.
LEIA MAIS | Como preservar a saúde cardiovascular em 5 passos, segundo especialistas
Quando a alteração acende o sinal de alerta?
Para diferenciar uma alteração inofensiva de um possível problema de saúde, o segredo está em observar o contexto. Se a pessoa ingeriu um alimento capaz de explicar a mudança e a coloração retorna ao habitual em seguida, em geral não há motivo para preocupação.
Contudo, algumas características exigem avaliação médica. "Fezes pretas como piche ou com sangue vermelho, principalmente quando isso não pode ser explicado pela alimentação, merecem avaliação. Fezes muito claras, esbranquiçadas ou cor de argila também não devem ser ignoradas", alerta a nutricionista.
Encontrar fragmentos de alimentos no vaso sanitário é uma dúvida frequente e pode gerar conclusões equivocadas sobre a capacidade digestiva. Na realidade, vegetais ricos em fibras contêm estruturas que o organismo humano não consegue quebrar ou digerir completamente. Comer muito rápido ou mastigar pouco também favorece o aparecimento desses pedaços, esclarece a especialista.
Conforme a gastroenterologista Rafaelle Cavalcante, mudanças temporárias no hábito intestinal podem surgir por gastroenterites virais ou bacterianas e intolerâncias alimentares, como a intolerância à lactose, cujos sintomas podem aparecer até duas horas após a refeição. Mudanças na rotina, como viagens, também podem provocar prisão de ventre temporariamente.
Entretanto, alterações persistentes exigem investigação. A diarreia que dura mais de três a quatro semanas, por exemplo, passa a ser considerada crônica.
"Olhar as fezes antes de dar descarga faz parte de conhecer o funcionamento do próprio corpo. Não precisamos entrar em paranoia, mas a dica é observar qual o seu padrão e identificar quando houver mudanças persistentes", orienta Rafaelle.
A gastroenterologista reforça que a busca por atendimento médico deve ser imediata diante de sinais de alarme, como "perda de peso involuntária, sangue nas fezes — seja vermelho vivo, indicando origem baixa ou hemorroidas, ou escuro — e massas abdominais palpáveis".
Fibras e hidratação
Saber identificar a consistência das fezes também ajuda a perceber se há consumo insuficiente de água ou fibras no dia a dia. A ingestão inadequada desses elementos pode levar ao ressecamento e endurecimento das fezes, além de dificultar a evacuação.
"Eu gosto de pensar que fibra e água trabalham juntas. As fibras ajudam a formar e dar volume às fezes, enquanto uma boa hidratação ajuda a deixá-las mais macias e fáceis de eliminar", explica a nutricionista Iule Barroso. Por isso, aumentar o consumo de fibras sem ingerir água suficiente pode não resolver o problema.
Fatores da rotina, como sedentarismo, viagens, baixa hidratação e o hábito de reter a evacuação, também podem alterar o funcionamento intestinal.
Hábitos simples para o bem-estar digestivo
A especialista enfatiza ainda que os resultados vêm da constância de hábitos saudáveis, e não de soluções milagrosas. "Não existe um alimento mágico para fazer o intestino funcionar. O que faz diferença é o conjunto dos hábitos", reforça.
As recomendações incluem consumir frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais regularmente, manter uma boa hidratação, praticar atividades físicas e não ignorar a vontade de evacuar.
"Não precisa fazer uma mudança radical de uma hora para outra. Pequenas mudanças sustentáveis na alimentação e na rotina costumam ser muito mais interessantes do que sair de uma alimentação com pouca fibra para uma quantidade enorme de fibras de uma vez", conclui.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
