FIVB se pronuncia após clubes e atletas se posicionarem contra novo calendário do vôlei
A Federação Internacional de Voleibol (FIVB) se pronunciou neste sábado (7/11), após clubes, atletas e entidades da modalidade se manifestarem contra o novo calendário mundial do vôlei masculino e feminino. A reformulação, prevista para o ciclo 2028, tem provocado críticas, principalmente pela possibilidade de interrupção dos campeonatos nacionais durante a temporada para a realização de competições de seleções.
Em nota, a FIVB informou que, após receber as manifestações dos diferentes setores da modalidade, prepara uma segunda versão da proposta.
“Após ter se reunido e analisado o feedback recebido de todo o ecossistema do voleibol, está sendo desenvolvida uma segunda versão do calendário, que será compartilhada com nossos parceiros antes de ser apresentada ao Conselho de Administração da FIVB para aprovação final”, informou a entidade.
FIVB descarta aprovação do novo calendário em novembro
Diante das manifestações, a FIVB esclareceu que a proposta não será submetida à aprovação durante o Congresso Mundial da entidade, previsto para este mês. A expectativa é concluir o novo documento até o fim do ano, embora a federação ressalte que não pretende acelerar o processo sem considerar as preocupações apresentadas pelos clubes e entidades.
“Para maior clareza, e como já foi dito, nenhuma proposta de calendário será apresentada para aprovação no Congresso Mundial da FIVB em novembro de 2026. Esperamos finalizar a proposta de calendário até o final do ano, mas nossa prioridade é garantir que a proposta esteja correta”, destacou.
A entidade reconheceu ainda que dificilmente conseguirá atender a todas as reivindicações, mas afirmou estar confiante de que a nova versão poderá contemplar as principais preocupações dos envolvidos.
“Reconhecemos que não será possível satisfazer todas as perspectivas. No entanto, estamos confiantes de que nossa proposta abordará as principais preocupações levantadas pelos diferentes grupos de partes interessadas e ajudará a estabelecer o melhor equilíbrio possível para o esporte.”
Por fim, a FIVB reforçou que eventuais mudanças deverão considerar os interesses de atletas, clubes, ligas e federações nacionais. A entidade também reafirmou o compromisso de manter o diálogo com os diferentes setores da modalidade e adaptar a proposta para alcançar uma solução sustentável a longo prazo.
“Entendemos a importância de proteger os interesses dos atletas, das federações nacionais, dos clubes, das ligas e de todo o ecossistema do voleibol. Sendo assim, quaisquer mudanças só serão implementadas se forem do melhor interesse do voleibol em nível global”, finaliza.
Clubes e atletas se opõem à proposta de novo calendário do vôlei
A proposta de reformulação do calendário foi apresentada aos clubes em reuniões realizadas em agosto. O Perugia, da Itália, foi o primeiro clube a levantar publicamente a discussão e iniciou uma mobilização contra as mudanças sob o lema #NoClubsNoVolley (Sem clubes, não há vôlei). Em seguida, o Sada Cruzeiro, maior campeão do Mundial de Clubes, com cinco títulos, ao lado do italiano Trentino, também se posicionou contra a proposta e manifestou preocupação com os impactos sobre as competições nacionais, os investimentos e a relação dos torcedores com os clubes.
“A interrupção da temporada é uma das nossas principais preocupações. Você começa uma competição, o torcedor passa a acompanhar as equipes, os resultados e a evolução do campeonato e, justamente quando esse interesse está crescendo, precisa parar. Significa tirar valor econômico, prestígio e público daqueles que mantêm o movimento”, afirmou André Vargas, presidente do Sada Cruzeiro, em entrevista a O TEMPO Sports.
A mobilização ganhou força na última sexta (6), com a adesão de atletas, das principais ligas italianas e da associação de jogadores do país. Um dos pontos que ganhou destaque nas críticas é o desgaste físico dos atletas, diante do risco de sobrecarga para conciliar as competições de clubes e seleções.
Entre as atletas que aderiram estão duas referências da seleção brasileira. Gabi Guimarães, ponteira do Conegliano, da Itália, é capitã do Brasil e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio e de bronze em Paris. Julia Bergmann, que defende o Scandicci, também da Itália, é medalhista de bronze em Paris e uma das principais ponteiras da nova geração brasileira.
A mobilização reúne ainda outras jogadoras, como a sérvia Maja Ognjenović, levantadora do Scandicci, bicampeã mundial e medalhista olímpica; a sueca Isabelle Haak, oposta do Conegliano e uma das principais atacantes do vôlei internacional; a polonesa Joanna Wołosz, levantadora multicampeã pelo Conegliano; e a italiana Ekaterina Antropova, oposta do Scandicci e campeã olímpica com a seleção da Itália em Paris 2024.
No masculino, também se manifestaram Simone Giannelli, levantador do Perugia e capitão da seleção italiana; Alessandro Michieletto, ponteiro do Trentino e destaque do título mundial da Itália em 2025; Micah Christenson, levantador norte-americano e medalhista olímpico; Ferre Reggers, oposto da seleção belga; Agustín Loser, central argentino medalhista de bronze em Tóquio; e Mattia Bottolo, ponteiro italiano campeão mundial com sua seleção.
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