Ueno Bank patrocinou evento com Eduardo Bolsonaro nos EUA
O Ueno Bank, instituição financeira digital do Paraguai que enfrenta uma crise e foi alvo de intervenção do Banco Central do país, financiou um evento da direita latino-americana realizado em fevereiro de 2026 nos Estados Unidos. O encontro teve a participação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que esteve entre os palestrantes.
O patrocínio foi destinado à categoria Diamond do Hispanic Prosperity Gala (Gala da Prosperidade Hispânica), realizado em 10 de fevereiro no Mar-a-Lago Club, resort de propriedade do presidente norte-americano Donald Trump, na Flórida.
O evento reuniu políticos e personalidades alinhados à direita e apoiadores de Trump. O presidente argentino Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) estava entre os palestrantes, mas não compareceu presencialmente e participou por vídeo.
O evento tinha como objetivo declarado fortalecer parcerias estratégicas de negócios e finanças entre os Estados Unidos e a América Latina.

CRISE NO UENO BANK
Em 2 de novembro, o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar um procedimento de resolução da instituição financeira. A medida foi adotada depois que o órgão identificou que o índice de solvência do banco havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
A fiscalização também identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição. Segundo o Banco Central, as operações contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez e exigiram a constituição de provisões adicionais.
Com o procedimento, as operações do banco foram suspensas e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis. A crise atingiu milhões de clientes e provocou manifestações de correntistas e aposentados nas ruas de Assunção.
Santiago Peña (Partido Colorado, direita) assumiu o governo do Paraguai em 2023, mesmo ano em que o Ueno Bank ganhou espaço no mercado paraguaio após sua transformação de financeira em banco. O ex-presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025.
A oposição ao governo Peña fala em conflito de interesses e questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez –afirmando que os montantes ultrapassaram os limites regulatórios.
Congressistas afirmam que o governo manipulou regras e contou com o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai, presidido por Carlos Carvallo. Ele foi presidente do Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para presidir o BC paraguaio.
A oposição também diz que Peña promoveu mudanças na lei de conflitos de interesses e permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank. Entenda a crise bancária nesta reportagem.
Eis as suspeitas sobre Santiago Peña, elencadas no processo que originou o impeachment do ex-presidente, de acordo com o jornal ABC Color:
- conflito de interesses e cooptação do Estado;
- manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS;
- exceder os limites de crédito no Ueno Bank e encobrimento institucional do Banco Central;
- benefício patrimonial indevido e indícios de enriquecimento ilícito;
- afeção da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistêmico.
IMPEACHMENT
O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, na 6ª feira (6.nov.2026), o impeachment contra Peña –44 dos 45 senadores estavam presentes e votaram a favor. A votação foi realizada 1 dia depois de o impeachment ser aprovado na Câmara de Deputados, mesmo depois de Peña apresentar um pedido de renúncia.
A análise do Senado começou ainda na 5ª feira (5.nov), logo depois de Peña se manifestar no X dizendo que apresentaria sua defesa no processo. Na 6ª feira (6.nov), a sessão na Casa Alta começou com a apresentação da defesa por parte dos advogados. Peña não apareceu.
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