ATAQUE BRUTALVítima de lutador de jiu-jítsu na Tijuca relata terror: 'Ele falava só em matar' Com um osso do rosto fraturado, moradora conta que o agressor ordenou que ela se ajoelhasse e tentou aplicar um 'mata-leão'
Vítima de uma agressão cometida pelo lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes em um condomínio na Tijuca, Zona Norte carioca, uma das mulheres relatou ter pensado que não escaparia com vida daquela situação. Em entrevista à GloboNews, ela, que teve um osso do rosto fraturado e ainda sente dores, contou que o agressor repetia ameaças de morte aos moradores ao mesmo tempo em que espancava as vítimas.
‘Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de matar alguém. Ele falava o tempo todo só em matar’, relatou a mulher agredida.
Conforme ela contou, o episódio teve início com uma exigência. O lutador teria mandado que ela ficasse de joelhos; como houve recusa, veio a violência física.
‘Eu não imaginava que iria me atacar daquela forma porque eu não fiz nada. Ele começou mandando eu ajoelhar para me agredir. Eu pensei que ele estivesse de brincadeira, mas não. Ele falou: Ajoelha, ajoelha. Eu não ajoelhei e ele começou a me espancar’, relatou ela.
‘Eu estava ficando sufocada’
A moradora narrou ter levado socos na cabeça e descreveu o momento em que o agressor tentou imobilizá-la com o golpe conhecido como ‘mata-leão’. Perto de desmaiar, ela chegou a temer que não resistisse.
Segundo ela, ‘Quando ele tentou me dar um mata-leão, eu quase desmaiei, mas consegui reagir. Foi aí que clamei por Deus. Pensei: Meu Deus, será que eu vou morrer? Eu estava ficando sufocada’, relembrou.
Para a vítima, algo ficou evidente: havia outros homens no prédio, mas foi contra as mulheres que o agressor dirigiu a violência. ‘Só agrediu mulheres. O problema dele era com mulher, não sei por quê. Ele só agrediu as mulheres e tentou invadir apartamento onde tinha mulher’, afirmou ela.
Residente do prédio há seis anos, ela afirmou que jamais havia encontrado Lucas antes daquela noite. Foi apenas no hospital que tomou conhecimento de que uma idosa também sofrera agressão e necessitou de atendimento médico.
No meio do tumulto, conforme o relato, o homem teria forçado a abertura de portas de apartamentos. Com as ameaças que não paravam, a vítima passou a crer que o vizinho portava uma arma.
Segundo ela, ‘Do jeito que ele estava agindo, pensei que ele tivesse uma arma e fosse matar todo mundo. Era só isso que ele falava. Repetia que ia matar todo mundo’.
Fratura no rosto e medo de voltar pra casa
Após ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao hospital, a mulher teve como diagnóstico a fratura de um osso facial. A possibilidade de cirurgia não está descartada, e ela permanece com dores em diferentes regiões do corpo.
Em seu relato, ela descreveu a situação: ‘Eu fraturei um osso no rosto. Talvez tenha que fazer uma cirurgia. Ainda sinto muita dor na cabeça, no braço, na barriga, no abdômen. Estou tomando medicação, mas tenho que retornar para refazer os exames’.
Para além dos danos físicos, a vítima conta que convive com o receio de permanecer no condomínio e de se deparar novamente com o agressor. O que mais pesa, no relato dela, é o lado emocional.
‘Apesar das dores do corpo, eu acho que a dor da alma é pior. A do corpo a gente cuida, mas agora a da alma já é complicado’, desabafou.
Preocupada com a possibilidade de novos ataques, ela receia que o episódio termine em morte. ‘Ele poderia ter tirado a vida de alguém, igual à senhorinha que ficou desacordada no chão. A minha também. Ou até mesmo de uma criança. É muito assustador, porque, se ele fez isso comigo, vai fazer com outras pessoas, outras mulheres, até chegar ao ponto de matar alguém’, afirmou.
Segundo a moradora, só cogita seguir morando no prédio caso receba garantias de proteção: ‘Se ele voltar para cá, já não sei como vai ser. É uma pessoa que passa medo. Não dá para conviver.’
Defesa pede medidas protetivas
Responsável por defender as mulheres agredidas, a advogada criminalista Marisa Dreys afirmou que o pedido de medidas protetivas já foi feito. Segundo ela, o papel da equipe jurídica envolve acolher as vítimas, garantir a proteção delas e juntar provas pra investigação.
A profissional ressaltou que apenas um recorte da violência foi captado pelas câmeras do condomínio.
‘Essas imagens mostram a violência do ato, mas elas não mostram o medo, a dor e as consequências que essas mulheres terão daqui para frente’, afirmou.
Ao tratar de como o caso vem sendo conduzido, a criminalista explicou que o foco está ‘no sentido de acolhimento em primeiro lugar, das medidas protetivas que já foram solicitadas e da coleta de provas para facilitar a instrução criminal da melhor maneira’. O trabalho da polícia também recebeu elogios de Marisa: ‘É preciso destacar o excelente trabalho da polícia, porque, ainda que haja leis, se elas não forem bem aplicadas, isso não adianta nada.’
Como foi a sequência de agressões
Após ter atacado no mínimo duas mulheres no prédio da Tijuca, Lucas Portela Fontana Gomes, 32 anos, terminou detido na quinta-feira (05/11). Uma câmera no elevador registrou uma das agressões.
O tumulto teria se iniciado em torno de 1h, de acordo com a apuração: o lutador teria entrado à força no apartamento de uma vizinha do terceiro andar, onde agrediu uma idosa. Parentes da vítima conseguiram fugir e foram até a portaria pedir socorro.
Outra moradora, ao escutar os gritos, subiu para checar o que ocorria e se deparou com Lucas próximo ao elevador. As imagens mostram o homem sem camisa e descalço ordenando que a mulher se ajoelhasse, logo antes de avançar contra ela.
Já pela manhã, foram acionados agentes da Guarda Municipal e policiais militares do 6º BPM (Tijuca). Segundo o registro da ocorrência, ao ser abordado, Lucas reagiu e tentou arrancar a arma de um dos policiais.
Mesmo baleado nas pernas pelos agentes, ele continuou resistindo e procurou escapar pela escada, sendo imobilizado apenas com o uso de uma arma de choque. A prisão em flagrante por tentativa de feminicídio foi depois convertida em preventiva, e ele acabou encaminhado ao Presídio de Benfica.
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