Gazeta do Povo
07/11/2026 22:21

Opositor de Netanyahu é escolhido para organizar novo governo em Israel

Gadi Eisenkot, opositor de Netanyahu, terá 18 dias para montar novo governo em Israel.

Gadi Eisenkot, opositor de Netanyahu, terá 18 dias para montar novo governo em Israel. (Foto: ATEF SAFADI/EFE/EPA)

O presidente de Israel, Isaac Herzog, designou oficialmente neste sábado (7) o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa e líder oposicionista Gadi Eisenkot para liderar as negociações destinadas a formar um novo governo no país.

A decisão ocorre na esteira de um pleito legislativo que deixou o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sem a maioria parlamentar necessária para assegurar a continuidade de seu mandato.

A formalização da indicação ocorrerá em cerimônia prevista para as 17h deste domingo (8) no horário local, ao meio dia pelo horário de Brasília.

A partir do ato oficial, Eisenkot terá um prazo legal de 28 dias para consolidar acordos partidários e estruturar um gabinete viável perante o Knesset, o Parlamento unicameral israelense.

Caso o impasse persista ao final desse intervalo, a legislação faculta a Herzog a possibilidade de prorrogar o prazo por mais 14 dias antes de devolver a decisão ao plenário ou convocar novas eleições.

Logo após a comunicação da presidência, Eisenkot declarou em suas redes sociais que atuará pela união institucional em um momento delicado para a segurança nacional.

“Este é o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que estejamos à altura da responsabilidade”, afirmou o dirigente do partido Yashar no X.

Apoio de legendas árabes e xadrez parlamentar

A escolha de Herzog foi viabilizada após uma reviravolta nas consultas políticas, concluídas na sexta-feira (6), quando as principais forças árabes-israelenses decidiram recomendar o nome do ex-militar ao chefe de Estado.

O movimento garantiu a Eisenkot o suporte declarado de 67 dos 120 deputados do Parlamento — superando o piso mínimo de 61 cadeiras exigido para a aprovação de um novo governo.

O pleito legislativo realizado em 27 de outubro aprofundou a fragmentação partidária do país.

O Likud, sigla liderada por Netanyahu, foi a legenda mais votada individualmente e elegeu 27 deputados. Contudo, a coalizão formada por partidos da direita tradicional, sionistas religiosos e agremiações ultraortodoxas somou apenas 53 assentos, volume insuficiente para reter o poder. O bloco direto de oposição comandado por Eisenkot havia obtido 48 vagas.

O equilíbrio de forças foi alterado pelo desempenho sem precedentes dos partidos que representam os cidadãos árabes-israelenses — contingente que compõe cerca de 21% da população do país.

Embaladas por um comparecimento recorde às urnas, as agremiações conquistaram 19 assentos: 11 pela Lista Conjunta e 8 pela legenda islâmica moderada Ra'am.

Embora o endosso dos 19 congressistas árabes tenha sido determinante para conferir a prerrogativa formal a Eisenkot, a sustentação do futuro governo permanece incerta.

O líder oposicionista já declarou publicamente que não pretende incorporar ministros dos partidos árabes em seu gabinete ministerial, o que exigirá dele composições complexas com legendas de centro e de direita moderada para manter o apoio em votações decisivas.

Perfil militar e histórico de divergências com Netanyahu

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, poderá se tornar o primeiro premiê de Israel pertencente à comunidade mizrahi, segmento de judeus com raízes históricas no Oriente Médio e no Norte da África.

Reconhecido pelo perfil discreto e pouco afeito à exposição midiática, o general da reserva ingressou na atividade político-partidária somente em 2022.

Após os ataques perpetrados pelo grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023, Eisenkot aceitou integrar o gabinete especial de guerra comandado por Netanyahu, mas deixou a estrutura meses depois para retomar a oposição.

A condução dos combates na Faixa de Gaza e a estratégia de longo prazo do premiê tornaram-se alvos centrais de suas críticas. O ex-comandante militar também vivenciou o conflito de forma pessoal: seu filho e dois de seus sobrinhos morreram em combate em operações dentro do enclave palestino.

Durante sua carreira nas Forças Armadas, Eisenkot foi o responsável por consolidar a chamada "Doutrina Dahiya", tática militar formulada durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah que prevê o emprego de força assimétrica e contundente contra centros operacionais adversários.

Na arena civil, todavia, o líder do Yashar tem sustentado posições duras contra episódios de violência de colonos israelenses na Cisjordânia e manifestado firme oposição aos aliados radicais de Netanyahu, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, cujos discursos geraram atritos diplomáticos com parceiros ocidentais.

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