Governo de Santa Catarina projeta sistema aquaviário na Grande Florianópolis

Governo de SC articula com prefeituras um projeto-piloto de transporte aquaviário entre o continente e a ilha; início das viagens ainda não tem data definida. (Foto: Rafael Mattos/Governo de SC)
O governo catarinense e as prefeituras da Grande Florianópolis articulam um projeto-piloto de transporte aquaviário para ligar o continente à Ilha de Santa Catarina. A proposta prevê rotas saindo de Palhoça e Biguaçu com destino ao centro da capital, podendo incluir uma parada em São José. O objetivo é criar uma alternativa de mobilidade para pedestres e ciclistas com subsídio estadual.
Como funcionará o sistema de transporte e quem poderá utilizar as embarcações?
Nesta fase inicial de testes, as embarcações serão destinadas exclusivamente ao transporte de passageiros a pé e ciclistas, não havendo espaço para automóveis. A ideia da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias é atrair tanto usuários habituais do sistema de ônibus quanto pessoas que utilizam outros meios de locomoção. O projeto deve durar pelo menos 12 meses para que o estado consiga observar as variações de demanda ao longo das estações do ano e a viabilidade financeira da operação, que contará com recursos públicos para manter o valor da passagem acessível ao cidadão.
Quais são as rotas planejadas para as viagens entre o continente e a ilha?
O planejamento prevê duas trajetórias principais. A rota sul partirá de Palhoça em direção ao centro de Florianópolis, enquanto a rota norte sairá de Biguaçu com o mesmo destino. Em ambos os casos, existe a possibilidade técnica de incluir uma parada intermediária no município de São José. As viagens devem percorrer distâncias entre 11 e 20 quilômetros, com uma duração estimada de 20 a 35 minutos. Esse tempo já considera as manobras de atracação e o embarque dos passageiros, com saídas previstas para ocorrer a cada 30 minutos nos horários de maior movimento.
Quais os principais desafios para tornar o transporte pelo mar atrativo?
Para especialistas em sistemas de transporte, o grande desafio é provar que o barco é mais vantajoso que o trajeto por terra. É preciso considerar o tempo total da jornada, o que inclui o deslocamento até o terminal, o tempo de espera e o trajeto final após o desembarque. Além disso, a integração tarifária é crucial; defende-se que o custo combinado de ônibus e barco não ultrapasse o valor pago atualmente apenas pelo ônibus. Outro ponto difícil é atrair quem usa carro, já que o transporte coletivo oferece menos flexibilidade para tarefas cotidianas, como paradas em mercados ou escolas.
O que ainda resta para o projeto-piloto sair do papel e começar a operar?
Antes do início das operações, o governo estadual precisa concluir uma série de etapas técnicas e burocráticas fundamentais. Isso inclui a verificação detalhada das condições de navegação, a obtenção de licenças ambientais e a execução de obras para reformar ou construir novos terminais. Além disso, é necessário definir protocolos de segurança para dias de mau tempo, estabelecendo limites de vento e ondas que podem suspender as saídas. Somente após a validação dessas estruturas e regras é que o estado lançará a licitação para contratar a empresa que operará o serviço.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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