Catarata: Kalil e especialistas explicam sintomas e avanços da cirurgia
A cirurgia de catarata é um dos procedimentos oftalmológicos mais bem estabelecidos da medicina moderna, com taxa de sucesso superior a 98%. No CNN Sinais Vitais do último sábado (7), os oftalmologistas Rubens Belfort Jr. e Tatiana Nahas explicaram os principais aspectos da doença, da cirurgia e da recuperação dos pacientes.
Belfort Jr. descreveu a catarata com uma metáfora ilustrativa: “Catarata é o parabrisa do automóvel ficando embaçado. Começa aos pouquinhos, alguma coisa que não está bom, aí de repente vem o farol do automóvel, a luz atrapalha, o fuscamento, aí o parabrisa vai embaçando e embaçando.”
Segundo ele, não existe tratamento clínico para a condição. “Não tem colírio, não tem vitamina, não tem vacina. Quando estiver incomodando, troca a lente por uma lente mais adequada”, afirmou.
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Como é realizada a cirurgia
Nahas detalhou o procedimento cirúrgico, destacando que ele é seguro e pouco invasivo.
“A cirurgia da catarata é feita com colírio anestésico ou uma sedação, então o paciente dorme, não vê nada, não sente nada. Ela dura em torno de 15 a 30 minutos e, logo nos primeiros dias, o paciente já percebe um resultado bom da visão, nas primeiras 24 a 72 horas”, explicou.
Ela acrescentou que a técnica evoluiu tanto que hoje nem pontos são necessários no procedimento.
Tatiana também explicou o mecanismo da doença: o cristalino, que é a lente natural do olho, passa a ficar embaçado com o tempo, sendo necessário retirá-lo e substituí-lo por uma lente artificial.
Entre os riscos do procedimento, ela citou a possibilidade de infecção, inflamação ocular e, em casos mais específicos, a dificuldade de posicionar a lente no local correto após a remoção do cristalino.
Operar antes da catarata se instalar
Outro ponto relevante discutido pelos especialistas foi a mudança de paradigma em relação ao momento ideal para a cirurgia, que antes era feita quando a catarata já estivesse “madura” no olho do paciente.
“A gente prefere que a catarata esteja no seu início. Devido às novas técnicas, a gente quer que a energia gasta seja pequena para não causar alguns problemas, como um descolamento de retina ou uma inflamação mais importante dentro do olho”, disse Tatiana.
Belfort Jr. foi além e sinalizou uma tendência futura: “Eu acredito que em 10, 15 anos a gente vai estar operando catarata antes da catarata acontecer, ao redor de 50 anos de idade, para devolver a visão boa.”
Ele próprio relatou ter operado o olho esquerdo e destacou que o procedimento proporciona grande independência visual. Tatiana complementou que, uma vez bem-sucedida, a cirurgia é feita uma única vez ao longo da vida.
“É uma tendência dos pacientes quererem realizar essa cirurgia um pouco mais cedo para ter uma maior liberdade e independência dos óculos“, concluiu.
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