Liberdade e autocobrança: o estilo Peu para levar Minas ao título da Superliga
O Itambé Minas começou a Superliga Masculina de vôlei 2026/2027 embalado pelo título mineiro e disposto a encerrar um jejum que já dura quase 20 anos. Sem conquistar a competição nacional desde a temporada 2006/2007, o time da Rua da Bahia venceu os dois primeiros jogos e ocupa a vice-liderança, com seis pontos. Agora, a equipe comandada por Peu Uehara recebe o Monte Carmelo na segunda-feira (9/11), às 18h30, na Arena UniBH, em Belo Horizonte, em busca da terceira vitória consecutiva.
E o estilo Peu à beira da quadra é uma das principais apostas da equipe da Rua da Bahia para voltar a erguer o troféu. Adepto a um modo de treinamento mais moderno e baseado na liberdade, o treinador de 49 anos tenta transformar as partidas e os treinos em algo mais leve, mas com muita entrega e comprometimento. “Eu nunca vou tirar a liberdade individual e a criatividade do atleta, mas o vôlei é um esporte muito coletivo. Então, queira ou não, todo mundo precisa saber o que vai acontecer no time. Está tudo meio que combinado. No sistema ofensivo, o levantador assume mais essa responsabilidade, mas tem liberdade com os centrais e os atacantes. No sistema defensivo, os centrais assumem mais responsabilidade, mas todo mundo tem que trabalhar”, explica Peu, em entrevista exclusiva a O TEMPO Sports.
O treinador vai além. “Eu tento trabalhar de um jeito que não tenha que dar bronca, porque os atletas sabem o que estava acontecendo. Eles combinaram, eles falaram que iam fazer aquilo. Se algum cara não faz, não sou eu que me estresso, são os próprios caras do lado. Isso simplifica muito o trabalho e o entendimento dentro da quadra”, completa Peu.
Na hora de corrigir os erros, o treinador prefere conversar e entender o que está acontecendo. Peu considera que as cobranças mais duras devem ficar para os treinamentos e reconhece que uma dificuldade técnica ou tática durante a partida também pode ser consequência da preparação feita pela comissão técnica.
“Eu acho que a bronca tem que acontecer no treino. Porque, na hora do jogo, tenho certeza absoluta de que ninguém está fazendo cagada e errando porque quer. O cara está com alguma dificuldade. Se essa dificuldade é técnica ou tática, talvez tenha muito mais a ver com o meu trabalho, de não ter conseguido preparar bem o cara”, avalia.
Peu falou também sobre o desafio de recolocar o Minas no topo da Superliga e destacou o equilíbrio da competição, que exige atenção mesmo das equipes que começaram bem a temporada.
“Não tem mais jogo fácil na Superliga. A gente tem que estar preparado para jogar bem em todos os jogos, porque o campeonato está muito equilibrado e as equipes estão muito perigosas. Temos que manter a guarda alta”, alerta o treinador minastenista.
Essa autonomia também exige comprometimento. Como os atletas participam das decisões, Peu espera que eles próprios cobrem o cumprimento do que foi combinado. É uma maneira de dividir responsabilidades e fazer com que o grupo encontre respostas durante os jogos.
Preparação física para enfrentar a maratona da Superliga
Com 22 partidas na primeira fase, além dos playoffs, o Minas também precisa administrar o desgaste físico para chegar em boas condições à reta decisiva. A comissão técnica acompanha a quantidade de saltos, ataques e outras ações realizadas nos treinamentos, ajustando a intensidade das atividades conforme as necessidades de cada jogador.
“A gente monitora tudo para saber se está exagerando na carga ou se está leve demais. Isso nos permite treinar no nosso máximo a cada dia. Tem dia que o máximo são 220 ataques, tem dia que são 80. Isso dá muita tranquilidade para trabalhar forte e com inteligência”, explica.
O acompanhamento envolve ainda a preparação física e a fisioterapia. Segundo Peu, o trabalho integrado tem ajudado a manter o elenco em boas condições, com poucas queixas de tendinite e outros problemas físicos neste início de temporada.
O treinador também sabe que o bom ambiente construído até aqui será testado nos próximos meses. Com a sequência de viagens, treinamentos e jogos, manter os atletas motivados será uma preocupação constante, especialmente quando surgirem os primeiros resultados negativos.
“Ainda está fácil para a gente. Todo mundo está junto, todo mundo está se conhecendo, o clima ainda está leve. Mas vai pesar, vai pesar. Tomara que não com derrotas, mas a gente sabe que pode acontecer. Com viagens, treinamentos, entra um pouco mais na rotina. Acho que o nosso desafio é quebrar essa coisa, deixar os caras motivados o tempo todo no treinamento. Mas é o time entender que a gente cuida do nosso ambiente”, finaliza.
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