ATENÇÃO, CANDIDATO! Enem: psicólogo explica como lidar com a ansiedade e lembra que resultado não define o estudante
O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode representar a realização de um projeto importante, mas não deve ser encarado como uma medida do valor ou da capacidade de um estudante. A avaliação é do psicólogo e professor do curso de Psicologia da Unicesumar, Thales Vianna Coutinho, que alerta para o peso emocional atribuído à prova e a necessidade de compreender que o ingresso na universidade é apenas uma etapa da trajetória de cada pessoa. “A pessoa precisa entender que a vida universitária e o ingresso na universidade são apenas uma parte da vida dela, não algo que a define como um todo. Essa compreensão ajuda a amenizar o medo do fracasso, da falha e de decepcionar outras pessoas”, explica.
A orientação ganha importância diante da pressão enfrentada por muitos candidatos que farão o exame neste domingo (8/11), especialmente aqueles que se preparam há mais tempo. Aluno do Pré-Vestibular Bernoulli Educação, Hugo Diniz está no terceiro ano de cursinho e conta que a expectativa pela aprovação acaba influenciando sua ansiedade. “Sinto uma pressão em ‘como assim ele ainda não passou?’”, relata.
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Apesar disso, ele afirma que procura não deixar a preparação ocupar todos os espaços da vida. “A principal coisa que tenho feito para controlar a ansiedade é não deixar de viver. Continuo saindo com meus amigos, indo à academia, fazendo coisas que gosto… Claro que com tranquilidade e responsabilidade!”, conta.
Para o coordenador pedagógico do Bernoulli Educação, Warley Eustáquio, manter uma rotina equilibrada também é fundamental para chegar ao exame em boas condições. Segundo ele, horas de estudo à custa do sono e dos momentos pode prejudicar o desempenho. O mais importante é aproveitar o tempo disponível, alternando revisões, resolução de questões e análise dos erros.
Descanso também faz parte da preparação
A atenção à saúde emocional não deve começar apenas quando o candidato recebe a prova. Nos dias que antecedem o exame, preservar uma rotina possível de cumprir ajuda a evitar o desgaste físico e mental.
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Thales explica que alterações na rotina são esperadas diante da importância do Enem, mas precisam respeitar limites. O reforço dos estudos pode fazer parte desse período, desde que não se transforme em excesso. “Um dos principais sinais de que o estudante está ultrapassando os limites emocionais são as alterações de memória. Normalmente, quando você estuda alguma coisa, sua memória vai ficando mais consolidada. Então, se começa a ter muitos ‘brancos’, significa que não está havendo eficiência no acúmulo daquela informação”, afirma.
Warley Eustáquio reforça que o descanso não deve ser tratado como tempo perdido. Segundo ele, mudanças pontuais nos hábitos podem ser necessárias, mas precisam ser realistas e sustentáveis. O objetivo é preservar a concentração e a disposição para o dia da avaliação.
Hugo também procura manter esse equilíbrio. Mesmo com a semana organizada para revisar os principais conteúdos, o estudante afirma que não considera necessário abrir mão do sono e dos momentos de descanso. “Não sinto que precisa abdicar de sono nem descanso, aliás, até contraindico tal abdicação, uma vez que é preciso estar descansado para fazer uma boa prova”, afirma.
Além do cuidado emocional, a preparação para as horas de exame também envolve atenção à alimentação e à hidratação. Fazer uma refeição habitual antes de sair de casa e levar água e lanches permitidos pelo edital são cuidados que ajudam a evitar desconfortos durante a avaliação. O ideal é não experimentar alimentos aos quais o candidato não esteja acostumado justamente no dia da prova.
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A orientação geral é chegar ao local com antecedência, organizar os materiais e evitar que imprevistos aumentem a tensão. Mais do que tentar controlar todas as emoções, o estudante precisa reconhecer os próprios limites e concentrar os esforços naquilo que pode fazer naquele momento.
O apoio da família também pode fazer diferença na preparação para o Enem. Para Warley Eustáquio, o acolhimento e a confiança ajudam o estudante a manter uma rotina equilibrada, sem transformar a aprovação em uma cobrança constante. Segundo o coordenador pedagógico, é importante que familiares respeitem os horários de estudo e descanso, demonstrem interesse pela preparação e reconheçam o esforço do jovem.
“A cobrança excessiva pode aumentar a ansiedade e fazer com que o jovem associe seu valor pessoal ao resultado da prova. Mais do que exigir um desempenho específico, é importante reconhecer o esforço, respeitar os limites e lembrar que o Enem é uma etapa importante, mas não define sozinho o futuro do estudante”, afirma.
O que fazer diante de um esquecimento?
Durante a prova, um dos momentos que mais podem comprometer a concentração é o chamado branco, quando o candidato tem dificuldade para recuperar uma informação que estudou. Segundo Thales, esse bloqueio pode estar relacionado a um pico de estresse provocado, por exemplo, por uma questão que o estudante não consegue resolver. “Nesse momento, a estratégia é o controle respiratório, com a técnica 3-3-6. Primeiro, solta todo o ar, inspira contando mentalmente até três, segura a respiração contando até três e, depois, solta o ar contando até seis”, explica o especialista. “Quando você tira o foco da ansiedade para contar mentalmente 3-3-6, alivia o estresse naquele momento”, completa.
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A recomendação é repetir o exercício de três a quatro vezes. Segundo Thales, a prática leva menos de um minuto e pode ajudar o estudante a recuperar a concentração. “Vai levar menos de um minuto e pode ter uma eficiência muito significativa para retomar a prova com menos chance de bloqueio. Não é milagroso, mas ajuda bastante”, pondera.
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