Campo Grande News
Antes do Parque dos Poderes, MS planejou torre de 11 andares para o governo
Antes dos prédios baixos cercados por árvores, o Parque dos Poderes em Campo Grande poderia ter sido uma construção de 11 andares e 33 metros de altura, projetada para concentrar a administração do recém-criado Mato Grosso do Sul. A proposta do arquiteto Sérgio Bernardes surgiu em 1979, durante o governo de Harry Amorim Costa, mas foi deixada de lado por seu sucessor, Pedro Pedrossian, que optou por distribuir as secretarias estaduais em edifícios integrados à paisagem. Com uma estrutura geométrica que se projeta em diferentes direções a partir de um núcleo central, o edifício seria destinado à Governadoria e reuniria as secretarias estaduais. Imagens históricas e uma maquete produzida por estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) ajudam a visualizar a proposta que nunca saiu do papel. Considerado um dos grandes nomes da arquitetura moderna brasileira, Sérgio Bernardes ganhou reconhecimento nacional e internacional por seus projetos inovadores, marcados pela ousadia estrutural e pela experimentação de formas e materiais. O nome do profissional aparece entre os primeiros estudos investigados pelo professor Júlio Botega, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMS. Na época, Mato Grosso do Sul ainda estruturava sua administração. Criado em 1977 e instalado em 1979, o Estado precisava organizar os órgãos públicos e consolidar Campo Grande como Capital e a construção de uma sede administrativa fazia parte desse processo. Segundo Botega, Sérgio Bernardes desenvolveu os estudos iniciais no Rio de Janeiro, sem a realização de concurso. A proposta concentrava a administração estadual em um único edifício, solução diferente da configuração que acabaria sendo adotada. Registros encontrados pela pesquisa mostram uma composição arquitetônica pouco convencional. Vista de cima, a construção apresenta volumes distribuídos simetricamente implantados em uma grande área circular conectada ao sistema viário. Essa configuração foi reproduzida em uma maquete construída por universitários durante a disciplina Construir e Habitar IV, ministrada por Botega. Exposta pela universidade, a peça permite observar a organização geométrica do edifício e recuperar visualmente uma das primeiras propostas para o centro administrativo estadual. Outro nome de projeção nacional e internacional que participou dos primeiros estudos para o novo Estado foi o paisagista Roberto Burle Marx. Referências sobre ele foram identificadas pela equipe de Botega em documentos relacionados ao planejamento e à conservação da área que hoje integra o Parque Estadual do Prosa. Os desenhos originais, entretanto, ainda não foram localizados. Sem esse material, a pesquisa não consegue determinar todos os elementos previstos nem estabelecer quais características da concepção inicial foram incorporadas ao parque. Para Botega, recuperar a participação de Bernardes e Burle Marx é parte do trabalho de reconstrução da história do centro administrativo, cujos primeiros projetos permanecem pouco conhecidos. Outro palácio que ficou no papel - Anos depois da proposta de Sérgio Bernardes, outro projeto de sede do Executivo também deixou de ser construído. O Palácio do Governo, desenvolvido por arquitetos de Mato Grosso do Sul, entre eles Walter Cortez, integrava o planejamento posterior do Parque dos Poderes. Segundo Botega, dos dez edifícios previstos nessa configuração do parque, nove foram construídos: oito secretarias e o Palácio Popular da Cultura, atual Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo. Apenas o Palácio do Governo não se concretizou. Longe do centro - A investigação da UFMS também procura compreender como a construção do Parque dos Poderes alterou a organização de Campo Grande, transformada em Capital com a criação de Mato Grosso do Sul. Na avaliação de Botega, a escolha de uma área afastada da ocupação urbana consolidada, que chegava aproximadamente à Avenida Ceará, seguia uma lógica semelhante à de Brasília, que foi concentrar as instituições públicas em um centro administrativo separado das áreas tradicionais de circulação da população. Ainda em fase inicial, a pesquisa busca documentos e registros que ajudem a reconstruir as decisões tomadas durante a implantação do centro administrativo. Essas questões integram o estudo desenvolvido pela UFMS para subsidiar a discussão sobre o tombamento nacional do Parque dos Poderes. A proposta considera não apenas os edifícios, mas também o traçado das vias, a organização dos espaços e a vegetação preservada.
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