Notícias de SPCorregedoria investiga morte de motorista baleado dez vezes por policiais militares na Zona Leste de SP
A Corregedoria da Polícia Militar investiga a morte de Luiz Rodrigues de Santana Júnior, de 39 anos, durante uma abordagem realizada por policiais do 4º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), na região da Vila Curuçá, Zona Leste de São Paulo. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que os agentes disparam dez vezes contra o motorista de um carro branco. A principal suspeita é de execução.
Além da apuração conduzida pela Corregedoria, a própria Polícia Militar abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias da ocorrência. As armas utilizadas pelos policiais e um revólver calibre 38 com a numeração raspada, supostamente encontrado dentro do automóvel, foram apreendidos.
As gravações mostram Luiz dirigindo por uma avenida quando uma viatura da PM passa no sentido contrário. Pouco depois, os policiais fazem o retorno e começam a acompanhar o veículo.
Em outra imagem, a viatura aparece mais próxima do carro, que posteriormente é estacionado na Rua Ilha dos Remédios. Os agentes desembarcam e se aproximam do motorista. Luiz abre e fecha a porta rapidamente enquanto aparenta conversar com os policiais.
Na sequência, um dos agentes, posicionado do outro lado da porta, dispara sete vezes com um fuzil. Logo depois, outro policial efetua mais três disparos com uma pistola calibre .40.
Após os tiros, um dos PMs leva a mão até a parte interna do colete à prova de balas e faz um movimento em direção ao interior do automóvel, gesto que também será analisado durante a investigação.
Luiz foi socorrido e encaminhado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.
Pai contesta versão apresentada pelos policiais
Em depoimento à Polícia Civil, os agentes afirmaram que o motorista desobedeceu à ordem de sair do veículo e tentou fugir em alta velocidade pelas ruas da região. Segundo a versão dos policiais, Luiz estaria armado e teria motivado os disparos.
Os agentes também declararam que encontraram um revólver calibre 38 com a numeração raspada dentro do carro. O armamento foi apreendido e será submetido à perícia para verificar as circunstâncias em que foi encontrado e se estava relacionado à vítima.
O pai de Luiz, entretanto, contesta o relato dos policiais. Em entrevista à TV Globo, ele afirmou que o filho não ofereceu resistência e acusou os agentes de terem colocado a arma no automóvel.
"O rapaz não reagiu a nada. Não fez nada. Tanto que ele não devia nada. Os policiais fizeram isso. Chegaram e atiraram à queima-roupa e ainda tiveram a coragem de plantar uma arma dentro do carro, que tem os vídeos provando isso", declarou.
Policiais estavam sem câmeras corporais
Outro ponto que será considerado na apuração é a ausência de câmeras corporais nos uniformes dos policiais envolvidos. De acordo com a Polícia Militar, os equipamentos não estavam sendo utilizados devido a um problema técnico.
A investigação também trabalha com a hipótese de que o episódio possa ter relação com uma possível vingança. Luiz teria se envolvido em uma discussão de trânsito quatro dias antes de morrer e, conforme essa linha de apuração, teria ameaçado uma pessoa que seria parente de um policial militar.
A Corregedoria da PM e a Polícia Militar analisam as imagens de segurança, os depoimentos e os resultados dos exames periciais para esclarecer a sequência dos acontecimentos e determinar as responsabilidades pela morte do motorista.
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