Campo Grande News
Jardim vira sala de aula para conhecer a flora pantaneira em Corumbá
Plantas que costumam passar despercebidas no cotidiano são o centro das atenções no Jardim Didático da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Corumbá. Usado em aulas de graduação e visitas de escolas, o espaço permite conhecer espécies do Pantanal e observar detalhes que ajudam a entender como a vegetação se adapta a diferentes ambientes. O jardim, instalado em frente ao Laboratório de Botânica, é composto por cactos, suculentas, plantas aromáticas e espécies aquáticas. Dividido em setores com vegetação adaptada ao sol e à sombra, o local também conta com dois tanques. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, a equipe trabalha atualmente na catalogação dos exemplares. Coordenadora do projeto de extensão, a professora Vanessa Harthman explica que a escolha das espécies considera o uso nas disciplinas de Anatomia, Fisiologia e Sistemática Vegetal, além da valorização da flora pantaneira. Pela proximidade com o laboratório, os estudantes podem observar as plantas no jardim e depois estudar suas estruturas internas com microscópios. Entre as atividades está a comparação de plantas terrestres e aquáticas para compreender como se adaptam a ambientes diferentes. Também são observadas flores, estruturas vegetativas e características que ajudam a identificar as espécies. “É importante que o ensino de Botânica não se restrinja à abordagem teórica, mas proporcione experiências práticas que tornem o aprendizado mais significativo”, afirma Vanessa. Segundo a professora, outro objetivo é enfrentar a chamada impercepção botânica, ou seja, a dificuldade de perceber, reconhecer e valorizar as plantas no cotidiano. Como exemplo, ela cita uma paisagem pantaneira em que onças, araras-azuis e jacarés tendem a chamar mais atenção do que a vegetação, apesar de sua importância para o ecossistema. Conforme a assessoria, estudantes e servidores dividem o trabalho de implantação e manutenção do espaço. Participam da preparação dos canteiros, plantio, podas, retirada de ervas daninhas e compostagem. Os cuidados são semanais e contam com um sistema automatizado de irrigação. Biólogo e servidor da instituição, Marcus Urquiza afirma que o aprendizado começa na organização do jardim, pois os acadêmicos precisam conhecer a classificação das plantas para distribuí-las nos setores adequados. Ele também relata que os participantes passaram a atuar como cuidadores e fiscalizadores do local. Participante do projeto há mais de um ano, Nalanda Duarte ressalta que uma muda retirada pode ser o único exemplar disponível de determinada espécie. “Um dos maiores desafios é fazer com que as pessoas entendam que ele não é só mais um espaço da faculdade com algumas plantas, mas um espaço didático que faz parte de um projeto e precisa ser preservado.” Manter o espaço envolve também outras dificuldades. Estudantes apontam falta de materiais de jardinagem, perda de mudas que não se adaptam ao ambiente, descarte de lixo, pisoteio e retirada de plantas sem autorização. Além das aulas universitárias, as escolas de Corumbá podem procurar a instituição para visitar os laboratórios do curso de Ciências Biológicas. Segundo a equipe, a meta é tornar o jardim uma referência no ensino de Botânica e na educação ambiental, valorizar a biodiversidade regional e aproximar os estudantes da Universidade.
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