DESIGUALDADENegros são 8 em cada 10 trabalhadores no Pará, mas ganham menos Estudo do Dieese/PA mostra que negros são cerca de oito em cada dez ocupados no Pará, mas recebem R$ 1.091 a menos que os não negros e têm mais informalidade.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), por meio do Observatório do Trabalho do Estado do Pará, desenvolvido em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (SEASTER), divulgou estudo sobre a participação da população negra no mercado de trabalho paraense no segundo trimestre de 2026.
O levantamento foi elaborado com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e analisa a participação dos trabalhadores negros na ocupação, a desocupação, os rendimentos e a informalidade, destacando as desigualdades por cor ou raça e sexo.
Desigualdade de renda e informalidade
Os dados apontam que a população negra representa cerca de oito em cada dez pessoas ocupadas no Pará, mas continua recebendo os menores rendimentos e apresentando maior inserção na informalidade. No segundo trimestre de 2026, o rendimento médio mensal do trabalho entre os negros foi de R$ 2.300, enquanto entre os não negros chegou a R$ 3.391, uma diferença de R$ 1.091. Além disso, 58% dos ocupados negros estavam na informalidade, e a mesma proporção recebia até um salário mínimo.
Entre as pessoas ocupadas no Pará, considerando a classificação por cor ou raça, os pardos representavam 69,5%, enquanto os pretos correspondiam a 11,7%. Juntos, esses grupos somavam 81% do total de ocupados.
Desocupação e evolução em dez anos
Em relação à taxa de desocupação, o indicador entre os negros foi de 6,3% no segundo trimestre de 2026, contra 5,8% entre os não negros. A taxa corresponde à proporção de pessoas sem trabalho que procuravam uma ocupação e estavam disponíveis para trabalhar, em relação à força de trabalho de cada grupo. Portanto, não representa um percentual sobre a população total.
Na comparação com o segundo trimestre de 2016, a taxa de desocupação entre os negros caiu de 11,2% para 6,3%, uma redução de 4,9 pontos percentuais. Entre os não negros, o indicador passou de 10,1% para 5,8%, queda de 4,3 pontos percentuais.
Entre os segundos trimestres de 2016 e 2026, o rendimento médio real dos trabalhadores negros passou de aproximadamente R$ 1.899 para R$ 2.300, crescimento de 21,1%. Entre os não negros, o rendimento subiu de R$ 2.819 para R$ 3.391,uma alta de 20,3%. Apesar do crescimento percentual ligeiramente superior entre os negros, o aumento em valores absolutos foi menor, com cerca de R$ 401, diante de R$ 572 entre os não negros.
Recortes por território, sexo e cor ou raça
De acordo com o levantamento, Belém registrou os maiores rendimentos médios e também a maior desigualdade entre os grupos. Na capital paraense, os trabalhadores negros recebiam, em média, R$ 2.885, enquanto os não negros alcançavam R$ 5.103. A diferença era de R$ 2.218 por mês, o que significa um rendimento 43,5% inferior para a população negra.
As desigualdades também se evidenciam quando são considerados, conjuntamente, os recortes de sexo e cor ou raça. No segundo trimestre de 2026, as mulheres negras apresentaram o menor rendimento médio entre os quatro grupos analisados, com R$ 2.185. Entre os homens negros, a média foi de R$ 2.368; entre as mulheres não negras, de R$ 3.139; e entre os homens não negros, de R$ 3.569.
O rendimento das mulheres negras era 38,8% inferior ao dos homens não negros, uma diferença de aproximadamente R$ 1.384 por mês. Os resultados evidenciam a sobreposição das desigualdades raciais e de gênero, embora as médias, isoladamente, não permitam mensurar o efeito de cada um desses fatores.
O estudo mostra ainda que mais da metade dos trabalhadores negros ocupados (58%) recebia até um salário mínimo, percentual superior ao registrado entre os não negros (46%). A diferença era de 12 pontos percentuais. A informalidade também atingia mais intensamente a população negra, com 58% dos ocupados negros nessa condição, contra 49% dos não negros, uma diferençade 9 pontos percentuais.
Avaliação do Dieese/PA e propostas
Na avaliação do Dieese/PA, a expressiva participação da população negra no mercado de trabalho paraense ainda não se traduz em igualdade de renda, qualidade das ocupações e proteção social. Mesmo com a redução da desocupação ao longo do período analisado e a aproximação das taxas entre negros e não negros, persistem diferenças significativas nos rendimentos e na informalidade, com desvantagens ainda mais acentuadas para as mulheres negras.
“Enfrentar esse quadro exige políticas públicas que combinem geração de empregos de qualidade, valorização salarial, qualificação profissional e ampliação da proteção social, acompanhadas de ações de combate ao racismo e à discriminação no trabalho. Para o Pará, reduzir essas desigualdades significa melhorar as condições de vida da maioria dos trabalhadores e distribuir de forma mais justa os resultados do desenvolvimento econômico”, destaca o órgão.
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