MÚSICA Simone volta a Salvador com show inédito no Teatro Castro Alves
Quando a primavera chega e o verão se aproxima, as cigarras anunciam a mudança de estação com seu canto, especialmente nos meses de outubro e novembro. Entre elas, há uma que se destaca.
Conhecida como Cigarra desde 1978, Simone recebeu o apelido depois de pedir a Milton Nascimento uma canção sobre o inseto. A composição, que compara a cantora à cigarra que “arrebenta de tanta luz” e “enche de som o ar”, acabou batizando carinhosamente a artista. Simone escolheu justamente esse período para voltar a Salvador, sua cidade natal, com a turnê Que mulher é essa?.
Tudo sobre Música em primeira mão!Leia Também:
A apresentação acontece no próximo sábado, 14, às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), e apresenta ao público uma artista que, depois de mais de 50 anos de carreira, continua aberta a novas experiências.
Com direção musical e arranjos da cantora, compositora e produtora Ana Frango Elétrico e direção artística e figurinos do estilista Ronaldo Fraga, o espetáculo parte da inquietação de uma artista que nunca demonstrou interesse em permanecer acomodada ao próprio legado.
Em vez de olhar apenas para o caminho percorrido, Simone se permite encontrar outras referências e estabelecer diálogos com profissionais de diferentes gerações.
Sobre a mulher referenciada no título da turnê, a cantora conta que “é uma mulher que continua curiosa, que ainda quer experimentar, aprender e se surpreender. Esse espetáculo nasceu muito desse desejo de sair do lugar conhecido. Eu queria fazer uma coisa diferente, me provocar”.
Para ela, o encontro com Ana e Ronaldo foi determinante para a construção do projeto. “O show fala das mulheres, claro, mas também fala de liberdade, de escolhas e de poder continuar se reinventando”, afirma.
Encontros entre gerações
A parceria com Ana Frango Elétrico, de 28 anos, surgiu justamente da vontade de encontrar uma perspectiva musical diferente. Responsável pelos 20 arranjos do espetáculo, a artista trouxe referências próprias para canções que já faziam parte da trajetória de Simone e para outras que a cantora desejava interpretar havia algum tempo.
O resultado é um repertório que atravessa diferentes épocas e compositores, incluindo nomes como Chico Buarque, Rita Lee e Marina Lima, além de releituras inéditas.
Simone conta que pediu à jovem musicista que a provocasse artisticamente. Algumas escolhas chegaram a representar desafios durante os ensaios, mas a troca entre as duas ajudou a ampliar as possibilidades de interpretação.
“A Ana, quando a conheci, achei um espetáculo de pessoa, muito posicionada, com uma escuta própria. Ela fez os 20 arranjos e trouxe uma identidade muito particular para o show. Às vezes eu achava uma música difícil, e ela dizia: ‘Não, Simoníssima, vamos lá!’. E a gente ia”, ri Simone.
A diferença de idade, segundo a cantora, é parte importante dessa experiência. “A Ana tem 28 anos, eu tenho 76, e essa diferença é uma riqueza. Ela me ensina muita coisa, eu também tenho minha experiência para compartilhar. É uma troca”, observa.
O interesse em prolongar a parceria já ultrapassa os limites do espetáculo. Simone revela que as duas conversam sobre possíveis trabalhos em estúdio e até composições conjuntas.
A construção dessa turnê também passa pelo trabalho de Ronaldo Fraga. Inicialmente convidado para desenvolver os figurinos, o estilista acabou assumindo a direção artística do projeto.
Simone conta que ele chegou à sua casa com propostas de figurino e um repertório de ideias que a tiraram de sua zona de conforto. “O figurino, por exemplo, é uma experiência completamente diferente do que eu costumava usar. Os dois têm muita personalidade e isso fez muito bem ao espetáculo”, comenta Simone.
A concepção visual conta ainda com a participação de Mari Pitta, responsável pela iluminação e pelo cenário ao lado de Ronaldo. No palco, a formação musical é completada por Chico Lira (piano), Giordano Bruno (baixo), Vitor Cabral (bateria) e Filipe Coimbra (violão e guitarra).
Mulheres no centro
A pergunta que dá nome ao show também orienta sua abordagem artística. Que mulher é essa? propõe uma reflexão sobre os papéis socialmente atribuídos às mulheres e as diferentes maneiras de ocupar espaços, expressar desejos e fazer escolhas.
O espetáculo não se prende a uma definição única do feminino. Ao contrário, reúne canções e interpretações que transitam entre sentimentos, comportamentos e experiências diversas, com espaço para humor, irreverência e provocação.
A curiosidade sobre o apelido da cantora também permite uma aproximação com as questões levantadas pelo espetáculo. Na natureza, são os machos das cigarras que produzem o canto, enquanto as fêmeas permanecem silenciosas. Simone, por sua vez, construiu uma trajetória marcada pela força da própria voz e pela liberdade de fazer escolhas.
Aos 76 anos, segue ocupando o palco, experimentando novas linguagens e questionando expectativas sobre o comportamento feminino. Em Que mulher é essa?, a eterna Cigarra continua cantando, além de dar espaço a muitas mulheres.
De volta para casa
Nascida em Salvador, no Natal de 1949, Simone Bittencourt de Oliveira passou a infância no bairro de Brotas, em uma família na qual a música fazia parte do cotidiano.
As óperas que o pai ouvia e cantava, o piano e o violão tocados pela mãe e as vozes de artistas como Ângela Maria, Maysa, Nora Ney, Cauby Peixoto e Elizeth Cardoso ajudaram a formar seu repertório afetivo.
A volta a Salvador com um espetáculo inédito carrega, portanto, um significado particular. A cantora mantém a cidade como referência de sua formação e identidade, mesmo com a carreira construída em diferentes partes do país. “Meu umbigo está em Salvador e isso é tudo, é muito. Sou uma mulher de lá. Minha formação, tudo vem de lá”, afirma.
A apresentação no Teatro Castro Alves também representa o reencontro com um palco importante para a música brasileira. Para Simone, chegar ao espaço com uma nova formação e parceiros artísticos representa uma oportunidade especial de troca com o público da cidade onde nasceu.
“O Teatro Castro Alves é um palco muito importante, e voltar a ele é sempre uma alegria. É um espaço que tem uma história enorme com a música e com a cultura brasileira. Chegar ali com um espetáculo novo, com essa formação e essas parcerias, também tem um significado especial. Estou muito animada para viver esse encontro”, afirma.
Simone: Que mulher é essa?
- Data: 14 de novembro (sábado)
- Horário: 20h
- Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) – Praça Dois de Julho (Largo do Campo Grande), s/n, Campo Grande
- Ingressos: Plateia I inteira (R$ 340), meia-entrada (R$ 170) – Plateia II (ingressos esgotados) – Plateia III inteira (R$ 240), meia-entrada (R$ 120) – Plateia IV inteira (R$ 220), meia-entrada (R$ 110)
- Vendas: Sympla e bilheteria TCA.
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
