O Diário de SP
08/11/2026 10:30

EconomiaChina pode reduzir compras de soja do Brasil e aumentar pressão sobre o agronegócio até 2030

A dependência comercial entre Brasil e China no mercado de soja pode passar por mudanças significativas nos próximos anos. Embora o país asiático seja o principal comprador do grão brasileiro, uma combinação de fatores ameaça reduzir o volume das importações, incluindo a retomada das compras dos Estados Unidos, o incentivo à produção nacional chinesa e a perspectiva de queda no consumo.

Atualmente, o Brasil ocupa a posição de maior fornecedor de soja para a China, enquanto o mercado chinês representa um dos principais destinos da produção brasileira. Essa relação fortaleceu as exportações do agronegócio, mas também deixou o setor brasileiro exposto às decisões comerciais e às mudanças na política alimentar do país asiático.

Diante desse cenário, especialistas apontam a necessidade de preparar o setor para uma possível redução da demanda, evitando a expansão excessiva das áreas de cultivo e ampliando os investimentos no processamento do grão para agregar valor à produção.

Estados Unidos voltam a disputar mercado chinês

Depois de anos de tensões comerciais com os Estados Unidos, a China retomou parte das compras de soja norte-americana. Em maio de 2026, os dois países estabeleceram um compromisso para que os chineses adquiram 25 milhões de toneladas do produto dos agricultores americanos por ano, entre 2026 e 2028.

O acordo também prevê compras anuais de pelo menos US$ 17 bilhões (cerca de R$ 86,1 bilhões) em produtos agrícolas dos Estados Unidos.

A retomada acontece após a guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump, que levou Pequim a impor tarifas adicionais superiores a 20% sobre diversos produtos americanos, incluindo a soja.

Com as restrições, as exportações norte-americanas do grão para a China caíram 50% em um ano. A redução das vendas também contribuiu para uma queda de 40% nos preços da soja nos Estados Unidos.

Em setembro de 2026, os dois países concordaram em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre eles. Entretanto, a soja ficou fora desse entendimento e manteve uma tarifa de 13%.

O cenário ainda favorece o produto brasileiro, que enfrenta uma cobrança de apenas 3% para entrar no mercado chinês. Essa diferença mantém a soja nacional em condições tributárias mais competitivas.

Desde 2017, o Brasil ampliou sua participação nas importações chinesas e se consolidou como principal fornecedor. Em 2016, antes do início do primeiro mandato de Trump, os Estados Unidos respondiam por 41% das compras chinesas, enquanto o Brasil representava 45%.

Com o agravamento das disputas comerciais entre Washington e Pequim, os chineses passaram a direcionar uma parcela maior das importações ao mercado brasileiro.

No ano passado, o Brasil registrou recorde nas exportações de soja para a China. Em 2026, os embarques já somaram quase 64 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja-MT).

Apesar da retomada das compras americanas, o compromisso estabelecido entre os países não significa necessariamente uma substituição imediata da produção brasileira. O principal risco está na possibilidade de a China ampliar as aquisições dos Estados Unidos para além do volume previsto no acordo.

China quer diminuir dependência de alimentos importados

Outro desafio para os produtores brasileiros está na estratégia chinesa de fortalecer a produção agrícola interna.

Uma das prioridades do atual Plano Quinquenal do país é reduzir a dependência de alimentos importados e ampliar a capacidade de abastecimento nacional. A iniciativa inclui produtos como soja, milho e carne, dos quais o Brasil é um importante fornecedor.

Nas últimas quatro décadas, investimentos e políticas públicas contribuíram para elevar em 80% a produtividade da soja produzida na China, segundo levantamento da Systemiq.

Além de estimular o cultivo interno, o governo chinês pretende diminuir a necessidade de farelo de soja na alimentação animal, buscando alternativas que reduzam o consumo do produto.

Projeções da consultoria indicam que as importações chinesas de soja podem recuar aproximadamente 25% até 2030. A estimativa representa uma possível redução de 23,5 milhões de toneladas nas compras externas.

A mudança também envolve a composição das rações utilizadas na criação de animais. A participação do farelo de soja nesse mercado pode cair de 14,5% para menos de 10% até o fim da década.

Entre as estratégias avaliadas estão o aumento da eficiência na alimentação de bovinos e frangos, o incentivo ao consumo de pescados e a utilização de outras fontes de proteína.

Mudanças na população também podem afetar a demanda

A perspectiva de redução da população chinesa nos próximos anos é outro fator que pode influenciar o mercado internacional de soja.

Com menos habitantes, a demanda por determinados alimentos ricos em proteínas pode diminuir, afetando também a necessidade de grãos utilizados na produção de rações para animais.

A combinação entre menor consumo, aumento da produção nacional e diversificação das fontes de proteína pode reduzir a dependência chinesa das importações brasileiras.

Produtores brasileiros precisam se preparar

A possibilidade de queda nas compras chinesas coloca o agronegócio brasileiro diante da necessidade de diversificar estratégias comerciais e produtivas.

Uma das alternativas é investir no processamento da soja dentro do próprio país, ampliando a produção de derivados, como óleo e farelo, em vez de concentrar as exportações no grão in natura.

Outra medida envolve buscar novos mercados consumidores e evitar aumentos excessivos da área plantada sem considerar as perspectivas de demanda internacional.

Embora o Brasil mantenha uma posição consolidada no comércio de soja com a China, as transformações na política agrícola e alimentar do país asiático podem alterar o cenário ao longo dos próximos anos.

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: O Diário de SP.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

Presidente do Supremo da Bolívia deixa país após ordem de prisão por tráfico de drogas; Brasil é possível destino
O Diário de SP
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou que deixou o país com a…
PolíciaPiloto de helicóptero que caiu em fazenda de MG morre após acidente; quatro pessoas seguem internadas
O Diário de SP
O piloto do helicóptero que caiu em uma fazenda na região de Passos, no Sul de Minas Gerais, morreu na madrug…
Itaipu tenta recuperar R$ 1 bilhão depositado em banco que entrou em colapso no Paraguai
O Diário de SP
A Itaipu Binacional iniciou medidas legais para tentar recuperar aproximadamente US$ 182,2 milhões, equivalen…
PF prepara saída de dois delegados do caso Banco Master em meio a mudanças na investigação
O Diário de SP
A Polícia Federal (PF) prepara a substituição de dois delegados que ocupam postos de comando na estrutura res…
PolíticaCarro cai em lago e deixa dez mortos em Barra Mansa, no Rio de Janeiro
O Diário de SP
Dez pessoas morreram após um carro cair em um lago na madrugada deste domingo (8), em Barra Mansa, no Sul do …
Notícias de SPVentania interrompe travessia de balsas entre São Sebastião e Ilhabela por mais de seis horas
O Diário de SP
A força dos ventos que atingem o Vale do Paraíba e o Litoral Norte de São Paulo interrompeu a travessia de ba…