Super El Niño pode elevar casos de dengue no Brasil em 2027, aponta projeção da Fiocruz
A possível formação de um super El Niño durante o verão pode influenciar o avanço da dengue no Brasil em 2027. Projeções divulgadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na sexta-feira (6) indicam que o fenômeno climático poderá favorecer o aumento de casos em algumas regiões, embora ainda não seja possível determinar a dimensão desse impacto.
A estimativa principal dos pesquisadores aponta para aproximadamente 866 mil casos prováveis da doença no país ao longo da próxima temporada. O cenário é considerado semelhante ao observado em 2025 e 2026 e não incorpora diretamente os possíveis efeitos do El Niño.
Para avaliar essa influência, os cientistas analisaram separadamente modelos que consideram variáveis climáticas. Os resultados, porém, apresentam diferenças: enquanto algumas projeções indicam crescimento das infecções, outras apontam efeitos mais limitados.
A região Sul concentra os sinais mais consistentes de uma possível temporada mais intensa, com estimativas superiores às da projeção principal. Nas demais partes do país, os resultados ainda são incertos.
Como o El Niño pode influenciar a dengue?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil.
As mudanças climáticas podem criar condições favoráveis à reprodução do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.
Temperaturas elevadas e períodos de maior umidade podem favorecer o desenvolvimento do vetor. Entretanto, a quantidade de infecções também depende de outros fatores, como as condições ambientais de cada região, a presença de pessoas suscetíveis e as medidas de combate ao mosquito.
Por esse motivo, os pesquisadores destacam que o El Niño deve ser considerado um fator de atenção para o planejamento das ações de saúde pública, mas não pode ser utilizado isoladamente para prever o número de casos.
Brasil pode registrar até 1,6 milhão de casos
O levantamento da Fiocruz reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países. Em vez de utilizar uma única previsão, a equipe combina diferentes resultados para construir uma estimativa mais abrangente.
Embora a projeção central indique aproximadamente 866 mil casos, a margem de variação é ampla. Segundo o estudo, existe 80% de probabilidade de o total ficar entre 560 mil e 1,6 milhão de infecções prováveis em 2027.
O período de maior circulação da doença deve ocorrer em abril, quando a estimativa aponta para aproximadamente 40 mil casos em uma única semana.
Apesar de os números não indicarem, inicialmente, uma situação semelhante à epidemia registrada em 2024, os pesquisadores ressaltam que o cenário exige atenção e preparação dos serviços de saúde.
"A dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção", afirmou Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue.
Estados podem registrar aumento nas infecções
As projeções também identificam possíveis elevações nos casos de dengue em seis estados brasileiros: Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.
Nas demais unidades da Federação, a tendência é de estabilidade ou redução em comparação com a temporada anterior.
Mesmo assim, a recomendação dos pesquisadores é manter o monitoramento em todo o território nacional, já que as condições climáticas podem sofrer alterações nos próximos meses e modificar as previsões.
Fiocruz também projeta aumento da chikungunya
Além da dengue, o estudo apresenta, pela primeira vez, uma estimativa nacional para a chikungunya, outra doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
A projeção indica mais de 90 mil casos prováveis no Brasil em 2027. As maiores possibilidades de crescimento estão concentradas no Nordeste, na região Sul e nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Os resultados reforçam a importância de intensificar as medidas de prevenção, eliminar recipientes com água parada e fortalecer a vigilância epidemiológica para reduzir a circulação do mosquito e evitar novos surtos.
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