Com a marmita na boca, cadela percorria 4 km todas as noites para alimentar seus amigos
Lilica, uma vira-lata caramelo, foi abandonada filhote em um ferro-velho em São Carlos, interior de São Paulo. No local, encontrou abrigo e conviveu com um cachorro, um gato, um galo, uma galinha e uma mula.
O que começou como sobrevivência se transformou em um exemplo de solidariedade diária. Todas as noites, a cadela percorria quatro quilômetros para buscar comida e dividir com seus companheiros de ferro-velho.
A professora Lúcia Helena de Souza percebeu o comportamento da cachorrinha. Lilica comia em sua casa, mas não ia embora, ficando atenta ao alimento que sobrava. Lúcia entendeu que a cadela queria levar a comida restante.
A partir daquele dia, a professora passou a preparar uma marmita, amarrando a sacola para que Lilica pudesse carregá-la. O acordo se repetia diariamente. Por volta das 21h30, Lúcia preparava a refeição e Lilica pegava a sacola.
De lá, Lilica seguia de volta ao ferro-velho, enfrentando o trajeto noturno pela lateral de uma estrada movimentada, um percurso de dois quilômetros. No total, a cadela percorria quatro quilômetros diários.
Ao chegar, Neile Vânia Antonio, que abrigava os animais, recebia a sacola e distribuía o alimento entre todos. O que sobrava era guardado para a manhã seguinte. A rotina era diária, garantindo a alimentação dos bichos.
A regularidade do hábito e o cuidado da cadela com os outros animais chamou a atenção de Neile e da professora Lúcia. Lilica manteve essa rotina todos os dias, garantindo que nenhum dos companheiros ficasse sem comida.
Antes de dividir a comida com todos, Lilica precisou cuidar dos próprios filhotes. A cadela ficou prenha e teve oito cachorrinhos, aumentando a responsabilidade sobre ela.
Inicialmente, o alimento era levado especificamente para os filhotes. Com o tempo, passou a compartilhar com os demais bichos do ferro-velho. Mesmo após a adoção dos filhotes, Lilica manteve a rotina.
A cadela continuou fazendo o percurso noturno para levar alimento aos companheiros que permaneceram no ferro-velho, demonstrando um vínculo duradouro.
Repercussão
A trajetória de Lilica ganhou visibilidade em 2012, após uma reportagem da EPTV exibir sua caminhada e a forma como dividia a comida, indo parar em outros programas de alcance nacional
A cobertura se expandiu para veículos de comunicação internacionais. Com a notoriedade, Neile passou a receber mensagens e ofertas de ajuda, incluindo doações de ração e medicamentos.
No entanto, a exposição também trouxe um desafio: pessoas passaram a abandonar outros animais no ferro-velho, aumentando a responsabilidade de Neile.
A história de Lilica ilustra a capacidade de empatia e cuidado no mundo animal. Ela desenvolveu espontaneamente um comportamento de bem-estar para outros bichos, sem ser ensinado por humanos.
Surgiu da observação das necessidades dos companheiros e de sua iniciativa para encontrar uma solução. A rotina foi mantida por mais de dez anos, mesmo após a saída dos filhotes.
Essa persistência demonstra o forte vínculo de Lilica com o grupo. A cadela criou um sistema funcional de provisão de alimentos que beneficiava todos os animais do local.
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O legado de Lilica
Em novembro de 2017, Lilica morreu após ser picada por uma cobra. A notícia abalou Neile, que cuidava da cachorrinha há mais de uma década e, inicialmente, pensou que ela tivesse fugido.
A confirmação da morte veio de um vizinho que encontrou a cadela e tentou ajudá-la, mas ela não resistiu. O legado de Lilica permanece como um exemplo de comportamento solidário.
A rotina mantida por anos inspirou pessoas e destacou a capacidade de companheirismo no mundo animal.
Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pela Itatiaia. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN Brasil.
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